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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (29), em Sergipe, que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aos Estados Unidos pedir intervenção contra o Brasil e disse que, “se fosse pedir intervenção para prender miliciano, ficava preso lá”. A declaração ocorreu durante evento de anúncio de investimentos de R$ 72,5 bilhões da Petrobras no estado, em meio à reação do governo brasileiro à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
Em discurso, Lula criticou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e afirmou que o Brasil não aceitará ingerência estrangeira sob o argumento de combate ao crime organizado. Segundo o presidente, a soberania brasileira não pode ser colocada em risco por decisões unilaterais de Washington ou por articulações de aliados de Jair Bolsonaro (PL) no exterior.
“Hoje estou muito triste. É um dia decepcionante. Estou muito triste com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos da América, um tal de Marco Rubio, disse que os nosso criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, afirmou Lula.
O presidente disse que facções criminosas como o PCC devem ser enfrentadas pelo Estado brasileiro, mas rejeitou o uso da classificação anunciada pelos Estados Unidos como justificativa para qualquer tipo de ação externa no país. “Primeiro porque esse tal de PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia desse país. Eles incomodam as famílias, o bairro, as cidades. Eles roubam tudo do povo. Então eles são terroristas e nós vamos combater eles aqui dentro”, declarou.
Lula afirmou que seu governo já adotou medidas para enfrentar organizações criminosas e citou a aprovação de uma Lei Antifacção e de uma lei de combate ao crime organizado. Para ele, o combate às facções deve ser feito com instrumentos nacionais, inteligência policial e fortalecimento do Estado brasileiro. “Nós aprovamos uma Lei Antifacção e uma lei de combate ao crime organizado. E vamos combater. Eles não são os terroristas que o Trump quer. O Trump quer o Osama Bin Laden não sei das quantas. E nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá”, disse.
Críticas aos Estados Unidos e cobrança a Trump
No discurso, Lula também afirmou que parte das armas contrabandeadas para o Brasil vem dos Estados Unidos e disse ter entregue ao presidente Donald Trump documentos sobre cooperação no combate ao crime organizado.
“As armas importadas que são contrabandeadas para o Brasil vêm dos Estados Unidos. Vem de lá. Eu entreguei um documento para o Trump. O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado, e vamos começar pelo seu estado, Delaware, que tem lavagem de dinheiro de brasileiro. Vamos começar por aí”, afirmou.
O presidente cobrou que os Estados Unidos entreguem brasileiros que, segundo ele, estão em território estadunidense. Lula citou Alexandre Ramagem e Ricardo Magro ao defender que Washington deve agir contra pessoas procuradas ou condenadas no Brasil. “Vamos começar por entregar o Ramagem, que está condenado a 16 anos e está escondido lá. Vamos começar entregando o maior contrabandista de combustíveis desse país, o Ricardo Magro, e ele está morando em Miami. Eu entreguei para o Trump e o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, declarou.
Lula também afirmou que o Brasil não aceitará ser tratado de forma subalterna pelos Estados Unidos. “Nós não aceitamos sermos tratados como moleques. Não aceitamos sermos tratados como uma republiqueta. Eu estive por três horas com o presidente Trump e entreguei quatro documentos, um deles sobre o combate ao crime organizado”, disse.
Lula acusa Flávio Bolsonaro de traição
Ao tratar da ausência de Marco Rubio na reunião com Trump, Lula associou o secretário de Estado à articulação bolsonarista nos Estados Unidos e mirou diretamente Flávio Bolsonaro. O senador esteve no país na mesma semana em que seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado cassado, intensificou lobby para estimular a interferência do governo Trump no Brasil por causa da condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.
“O senhor Marco Rubio não estava lá. Possivelmente porque ele estava preparado para ajudar um filho de Bolsonaro que é candidato à reeleição aqui nesse país e não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou Lula.
Na sequência, o presidente comparou a atuação bolsonarista ao episódio histórico de Joaquim Silvério dos Reis, conhecido por delatar a Inconfidência Mineira. “Joaquim Silvério dos Reis ficaria envergonhado se soubesse que tem um candidato a presidente que vai para os Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil. Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles ficavam presos lá. Essa é a verdade”, disse.
Defesa da soberania brasileira
Lula afirmou que conversou diretamente com Trump sobre a responsabilidade dos dois países na defesa da democracia, do multilateralismo e da integridade territorial das nações. “Eu fiz questão de dizer ao presidente Trump, olhando na cara dele: presidente, tenho 80 anos e o senhor vai completar 80 no dia 14 de julho. Dois homens de 80 anos, presidentes das duas maiores democracias desse lado do mundo, não podem brincar de fazer política”, afirmou.
“A gente tem que passar respeito para a sociedade, valorizar a democracia, o multilateralismo, a proteção da integridade territorial das nações. Isso aqui não é um país qualquer. Isso aqui é um país muito grande”, declarou Lula.
O presidente também relacionou a preocupação com a soberania brasileira às riquezas naturais do país. Segundo ele, o Brasil reúne minerais críticos, terras raras, ouro, diamante, a maior floresta tropical do mundo e 12% da água doce do planeta. “Eu tenho preocupação porque temos muitos minerais críticos, terras raras, muito minério, muito ouro, muito diamante, a maior floresta tropical do mundo, 12% da água doce… Daqui a pouco ele diz: ‘a Amazônia é nossa’. Não”, afirmou.
Lula disse que sua política externa se baseia no respeito igualitário entre países, independentemente de tamanho ou poder econômico. “Eu trato um país pequeno com o mesmo respeito com que eu trato a China, a Rússia ou os Estados Unidos. Eu não falo grosso com a Bolívia e fico bonzinho com os Estados Unidos. Eu falo educadamente com os dois”, declarou.
PEC da Segurança Pública
Ao defender o enfrentamento interno ao crime organizado, Lula cobrou a aprovação da PEC da Segurança Pública, em tramitação no Senado. O presidente afirmou que a medida permitiria a criação de um Ministério da Segurança Pública com recursos, estrutura e capacidade de atuação.
“Então não brinquem com a soberania desse país, com a nossa democracia, não duvidem das coisas que nós fazemos nesse país. Se quiserem combater o crime organizado, não precisa pedir ajuda para ninguém. Aprove a PEC da Segurança Pública que está no Senado, aprove a PEC. Aprove a PEC que no mês seguinte terá um Ministério da Segurança Pública nesse país”, disse.
Lula afirmou que não pretende criar uma pasta “de enfeite” e defendeu que a proposta venha acompanhada de financiamento, fortalecimento da PF (Polícia Federal), ampliação de investimentos em inteligência e criação de uma guarda especial. “Eu não vou criar um ministério de enfeite, sem dinheiro. Para aprovar a PEC vai ter que aprovar dinheiro, uma nova Polícia Federal, muito investimento em inteligência. Vamos ter que criar uma guarda especial, com soldados altamente preparados, para a gente combater o crime organizado aqui. E se o Trump quiser ajuda, nós vamos ajudá-lo a combater o crime organizado dentro dos Estados Unidos também”, concluiu.
A decisão dos Estados Unidos prevê que o PCC e o Comando Vermelho sejam designados como “terroristas globais especialmente designados”, tradução de “Specially Designated Global Terrorists”, e também como “organizações terroristas estrangeiras”, tradução de “Foreign Terrorist Organizations”. A formalização da medida pelo Departamento de Estado está prevista para junho.
Foto: Divulgação
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