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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Política

Gabrielli: Lula disputa eleição contra `um traidor da pátria´

Está no Brasil 247

O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli afirmou que a disputa presidencial de 2026 terá como eixo central a defesa da soberania nacional e classificou o principal adversário do presidente Lula, Flávio Bolsonaro, como “um traidor da pátria”. Em entrevista à TV 247, Gabrielli, que coordena o programa de governo do chamado Lula 4, defendeu que o Brasil enfrente pressões externas, proteja instrumentos estratégicos como o Pix, fortaleça a Petrobras e avance em soberania alimentar, tecnológica, digital e energética.

Logo no início da entrevista, Gabrielli relacionou as ameaças do governo dos Estados Unidos, comandado pelo presidente Donald Trump, ao processo eleitoral brasileiro e à necessidade de o país reafirmar sua autonomia. “O candidato que está disputando conosco, o maior candidato tá disputando com o presidente Lula, é um traidor da pátria”, afirmou. Segundo ele, trata-se de alguém que “defende Trump”“bate continente pra bandeira americana” e “defende os interesse dos Estados Unidos”.

Soberania será eixo do programa Lula 4

Gabrielli afirmou que a soberania nacional não pode ser compreendida apenas como defesa territorial. Para ele, o conceito precisa ser ampliado para áreas decisivas da vida econômica e social brasileira. “É claro que um primeiro elemento fundamental é a defesa da pátria brasileira. É a defesa da sociedade brasileira enquanto uma nação organizada que tem que defender as suas fronteiras e que tem que defender a sua capacidade de tomar decisões autônomas a qualquer país do mundo”, disse.

Mas, segundo o ex-presidente da Petrobras, isso já não basta. Ele defendeu que o Brasil trate soberania também como capacidade de produzir alimentos, desenvolver tecnologia própria, controlar dados e comunicações e garantir energia suficiente para mover o país. “Nós temos que falar em soberania alimentar”, afirmou. “Nenhuma ação que queira ser soberana pode estar dependendo muito da produção de alimentos de fenômenos externos.”

Na mesma linha, Gabrielli destacou a soberania tecnológica e digital. “Nenhum país no mundo hoje que queira ser soberano pode ficar dependendo totalmente das tecnologias novas internacionalmente desenvolvidas”, disse. Sobre o ambiente digital, acrescentou: “Nós temos que controlar os nossos dados, nós temos que controlar as comunicações”, citando também os riscos de notícias falsas, fraudes e mecanismos que afetam a juventude e a infância.

Pix, sistema financeiro e pressão dos Estados Unidos

Um dos pontos centrais da entrevista foi a defesa do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e hoje utilizado em larga escala pela população brasileira. Gabrielli afirmou que o volume de transações por Pix em 2025 teria alcançado cerca de R$ 35 trilhões, valor equivalente a aproximadamente três vezes o PIB brasileiro, segundo sua estimativa apresentada na entrevista.

Para ele, o Pix incomoda interesses financeiros internacionais porque afetou receitas do mercado de cartões. “Quase metade de todas as transações ocorridas no Brasil, em termos que envolvem moeda, foram transações realizadas com Pix”, afirmou. Gabrielli disse ainda que as empresas de cartões teriam perdido entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões em receitas em 2025.

O ex-presidente da Petrobras também alertou para os riscos de interferência externa no sistema financeiro brasileiro. Ao comentar a possibilidade de os Estados Unidos classificarem organizações criminosas brasileiras como terroristas, Gabrielli afirmou que isso poderia abrir caminho para ações extraterritoriais contra empresas e pessoas no Brasil. “Ele coloca em risco todo o sistema financeiro nacional”, disse, em referência ao impacto potencial desse tipo de medida sobre transações financeiras.

Segundo Gabrielli, a pressão externa funciona como ameaça permanente. “É claro que isso coloca uma espada na cabeça dos brasileiros. Não necessariamente ele vai usar essas armas, mas ele pode usar. Consequentemente, nós temos que nos opor a isso e, principalmente, nós temos que nos opor aos brasileiros que são traidores da patria”, afirmou.

Energia, petróleo e segurança nacional

Especialista no setor energético, Gabrielli defendeu que o Brasil avance na transição energética sem abrir mão da segurança energética. Para ele, a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis é necessária, mas deve ser acompanhada de uma estratégia nacional que garanta abastecimento, reduza dependências externas e enfrente a pobreza energética.

“Segurança energética significa a garantia de suprimento daquilo que é necessário para mover o país”, afirmou. Ele citou energia elétrica, mobilidade, cozinha, aquecimento, refrigeração e indústria como dimensões fundamentais. Também defendeu medidas para reduzir o uso de lenha nas cozinhas, melhorar a qualidade da energia elétrica em regiões periféricas e baratear o gás de cozinha.

Gabrielli tratou ainda da importância do armazenamento de energia renovável. Segundo ele, a expansão das fontes solar e eólica exige mecanismos capazes de lidar com sua intermitência. “A energia solar e eólica, por definição, é uma energia intermitente. Ela varia, o sol varia, passa nuvem, o vento varia”, explicou. Para evitar o desligamento de parques por razões elétricas, fenômeno conhecido como curtailment, ele defendeu armazenamento e expansão inteligente da rede de transmissão.

Petrobras, BR Distribuidora e Eletrobras

Ao comentar privatizações criticadas pelo presidente Lula, Gabrielli defendeu que o Estado volte a ter instrumentos de intervenção em setores estratégicos. No caso dos combustíveis, afirmou que a Petrobras foi retirada do varejo com a privatização da BR Distribuidora, o que limita a capacidade do governo de influenciar o preço final ao consumidor.

“Quando você vê um posto Petrobras aí na rua, não é Petrobras, é um posto de uma empresa privada, 100% privada, que a Petrobras não tem participação, mas tem o nome da Petrobras no posto”, disse. Para Gabrielli, a ausência da Petrobras no varejo permite que distribuidoras privadas capturem margens elevadas mesmo quando a estatal adota uma política de preços que evita repassar integralmente oscilações internacionais.

Sobre a Eletrobras, Gabrielli afirmou que o governo perdeu um instrumento fundamental de planejamento e investimento em energia elétrica. “A Eletrobrás era a maior geradora brasileira”, disse. “Hoje o governo não tem nenhum instrumento que garanta um investimento adequado para a geração elétrica tradicional.”

Questionado sobre refinarias, ele defendeu o aumento da capacidade de refino no Brasil. “Um país que fica dependente da importação de derivados, mesmo que esteja exportando petróleo, é um país que fica vulnerável do ponto de vista da segurança energética”, afirmou.

Reindustrialização e novo padrão produtivo

Gabrielli também comentou a política industrial do governo Lula e afirmou que o Brasil precisa construir uma indústria de novo tipo, em vez de tentar simplesmente reconstruir o padrão da antiga industrialização. Ele defendeu avanços em bioeconomia, saúde, defesa, fármacos, nanotecnologia, processamento de informações e imagens.

“Eu acho muito difícil a gente reindustrializar nos padrões antigos da revolução industrial que nós já tivemos”, afirmou. Segundo ele, o país deve recuperar setores existentes, aumentar sua produtividade e, ao mesmo tempo, criar novos segmentos industriais.

O ex-presidente da Petrobras destacou ainda a importância de estimular a demanda por produtos ligados à descarbonização. Ele citou hidrogênio verde, aço verde, cimento verde, combustíveis sustentáveis de aviação e alternativas ao diesel em caminhões pesados como exemplos de áreas estratégicas.

Agronegócio, China e soberania alimentar

Gabrielli avaliou que o agronegócio é um setor importante para o Brasil, por gerar divisas e dinamizar a economia, mas afirmou que precisa avançar tecnologicamente e agregar mais valor à produção. Ele disse que o modelo baseado na expansão da soja no Cerrado, com forte presença da Embrapa, foi revolucionário, mas começa a mostrar limites.

Segundo ele, o setor depende demais de fertilizantes, máquinas, equipamentos e agrotóxicos, muitos deles importados. “Isso diminui a nossa soberania na medida em que nós não produzimos nem produtos nitrogenados, nem fosfato, nem fertilizante fosfatado, nem fertilizante potássico”, afirmou.

Para Gabrielli, o Brasil deve acelerar a agroindustrialização, exportar menos produtos primários sem processamento e modernizar a pecuária para reduzir emissões. Ele também defendeu o governo Lula diante de críticas do setor. “O governo Lula é um governo muito favorável ao mercado, ao agronegócio”, afirmou. “O agronegócio reclama, eu diria assim, um pouco de barriga cheia.”

Juros, inflação e custo de vida

Na área econômica, Gabrielli criticou a ideia de que a inflação deva ser combatida apenas por meio de juros altos e desaceleração da economia. Para ele, o Brasil precisa articular política monetária, fiscal e cambial, além de adotar medidas de gestão de estoques, aumento de produtividade e redução do endividamento das famílias.

“A inflação brasileira, ela tem múltiplas causas. Então, se ela tem múltiplas causas, ela não pode ser tratada somente com uma ferramenta”, afirmou. Ele também rejeitou a visão de que o desemprego seja instrumento adequado para controlar preços. “Nós não concordamos com a ideia de que única maneira de reduzir a inflação é criar desemprego. Nós não concordamos com isso. Nós achamos que isso é a pior das políticas que a gente pode ter.”

Gabrielli afirmou que, mesmo com aumento da renda, muitas famílias não sentem melhora porque o custo de vida segue elevado e o endividamento consome parte significativa do orçamento. Ele defendeu uma política específica para reduzir juros ao consumidor final, especialmente em modalidades como cartão de crédito.

Plano participativo e eleição de 2026

Gabrielli explicou que o programa Lula 4 está sendo construído por meio da plataforma Plano Participativo Brasil, aberta à contribuição de pessoas físicas, entidades, sindicatos, universidades, institutos e grupos sociais. Segundo ele, o foco do plano é o período de 2027 a 2031, em razão da nova data de posse presidencial, mas várias diretrizes terão horizonte mais longo.

O programa foi dividido em 13 eixos, chamados por ele de “queremos”. “Nós queríamos mais democracia, nós queremos mais cidades melhores, nós queremos uma cultura mais transformadora, nós queremos menos desigualdade”, afirmou.

Ao final da entrevista, Gabrielli demonstrou confiança na vitória de Lula em 2026. “Eu acho que nós somos confiantes de que vamos crescer e que vamos ganhar a eleição”, disse. Para ele, a campanha do adversário mais competitivo contra Lula será esvaziada por estar baseada em “falsidades” e “ódio”“Nós vamos conseguir reconquistar a juventude, vamos conseguir reconquistar o sonho, vamos conseguir reconquistar a possibilidade de termos um futuro melhor para o país e um futuro melhor para as pessoas”, concluiu.

Foto: Wikipédia


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