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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter sido surpreendido pelo vídeo publicado por Michelle Bolsonaro (PL), no qual a ex-primeira-dama disse ter sido “apunhalada” e humilhada em meio a divergências políticas dentro do Partido Liberal. A resposta de Flávio, divulgada em postagem nas redes sociais, tenta projetar serenidade e união, mas revela a profundidade do racha no núcleo da extrema-direita.
🚨 BOMBA 🚨
Michelle Bolsonaro acaba de expor, num vídeo de 27 minutos, que Flávio Bolsonaro a atacou, maltratou, humilhou e excluiu como presidenta do PL Mulher.
Mas vale lembrar: o PL Mulher é uma das principais organizações que luta CONTRA os direitos das mulheres e meninas… pic.twitter.com/XiqbFZoaIn
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) June 24, 2026
Em sua postagem, o senador negou ter ofendido a ex-primeira-dama, pediu desculpas de forma condicional e afirmou que tentou contato direto com ela antes da publicação do vídeo. “Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”, escreveu.
Resposta tenta controlar danos
A postagem de Flávio foi publicada depois de Michelle afirmar que se sentiu desrespeitada e “apunhalada” pelo senador. Em vez de enfrentar diretamente o conteúdo político da crítica feita pela ex-primeira-dama, Flávio procurou construir uma defesa baseada em sua imagem pessoal, familiar e pública.
“Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, escreveu o senador.
A frase procura afastar a acusação de desrespeito, mas também desloca o foco do problema central: a crise política aberta dentro do bolsonarismo. Michelle não apenas relatou mágoa pessoal. Ela expôs uma divergência estratégica dentro do PL, especialmente em relação a movimentos de aproximação política que, segundo ela, desconsideraram ataques anteriores feitos contra Jair Bolsonaro e sua família.
Flávio também tentou reforçar uma imagem de moderação. “Tenho 45 anos de idade, 24 anos de vida pública e sou reconhecido pelo meu equilíbrio, educação e respeito com todos, até com meus adversários políticos”, afirmou.
A autodefesa, porém, contrasta com o impacto político do episódio. Ao se apresentar como equilibrado, o senador busca reduzir o desgaste, mas a própria necessidade de uma longa explicação pública indica que o conflito já ultrapassou os bastidores e passou a ameaçar a unidade do grupo.
Pedido de desculpas não encerra crise
Flávio disse ter respeito por Michelle e reconheceu sua atuação dentro do PL Mulher. “Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, escreveu.
O pedido de desculpas, no entanto, veio acompanhado da tentativa de enquadrar a reação de Michelle como resultado de um momento emocional difícil vivido pela família Bolsonaro. “Toda nossa família está passando por um momento muito difícil. E entendo a angústia da Michelle vendo meu pai, todos os dias, sofrendo com tamanha injustiça”, afirmou.
Esse trecho é politicamente sensível porque procura transformar uma divergência objetiva sobre estratégia partidária em uma questão familiar e emocional. Ao fazer isso, Flávio reduz o alcance político da crítica de Michelle e tenta preservar sua autoridade como nome escolhido por Jair Bolsonaro para liderar o projeto eleitoral da extrema-direita.
A crise, contudo, revela um problema mais amplo: Michelle, que construiu capital próprio dentro do eleitorado conservador e entre segmentos religiosos, demonstra desconforto com decisões tomadas sem sua concordância. A resposta de Flávio sugere que ele tenta recompor pontes, mas sem abrir mão do comando político que afirma ter recebido do pai.
Flávio invoca Bolsonaro para reforçar autoridade
Em um dos pontos centrais da postagem, Flávio afirmou que age com respaldo direto de Jair Bolsonaro. “Estou cumprindo uma missão designada por Jair Messias Bolsonaro. Todas as minhas decisões sempre são tomadas com o respaldo dele. Sempre!”, escreveu.
A frase tem função política clara. Ao invocar o nome do pai, Flávio procura blindar suas decisões e reforçar sua legitimidade diante da base bolsonarista. Mas, ao mesmo tempo, evidencia a disputa por autoridade dentro do próprio campo. Se todas as decisões são tomadas com respaldo de Bolsonaro, a crítica de Michelle passa a atingir não apenas Flávio, mas a condução mais ampla da estratégia política do grupo.
Essa é a contradição que torna o episódio mais grave para a extrema-direita. O conflito não envolve apenas estilo, comunicação ou ressentimentos pessoais. Ele expõe uma disputa sobre quem fala em nome do bolsonarismo, quem define alianças e qual será o papel de Michelle na reorganização eleitoral do PL.
Convite não respondido e exposição pública
Flávio também relatou ter tentado incluir Michelle em uma reunião com lideranças femininas conservadoras. Segundo ele, a senadora Damares Alves foi acionada para organizar o encontro.
O senador afirmou ter escrito a Damares: “Se vc achar que é o caso de convidar a Michelle tb, eu tô de coração aberto! Bjs!”. Em seguida, disse que tentou falar diretamente com a ex-primeira-dama. “Hoje (quarta) pela manhã, eu mesmo fiz questão de ligar para Michelle e convidá-la, pessoalmente. Fiz mais um gesto não correspondido. Não atendeu. Deixei mensagem. Também não retornou”, escreveu.
Na sequência, Flávio disse ter sido surpreendido pela publicação do vídeo. “Para minha surpresa, na tarde de hoje ela publicou o vídeo”, afirmou.
O relato, embora apresentado como gesto de abertura, também funciona como uma tentativa de responsabilizar Michelle pela escalada pública da crise. Ao destacar que ligou, deixou mensagem e não obteve resposta, Flávio busca demonstrar disposição ao diálogo. Mas o fato de Michelle ter escolhido se manifestar em vídeo indica que a tensão já havia alcançado um grau elevado de desgaste.
Racha expõe disputa pelo eleitorado feminino
A reunião mencionada por Flávio foi mantida, segundo ele, para discutir propostas voltadas às mulheres brasileiras. O tema é relevante porque Michelle Bolsonaro construiu parte de sua projeção política justamente nesse campo, especialmente por meio do PL Mulher e de sua interlocução com setores evangélicos e conservadores.
Ao anunciar uma reunião com lideranças femininas sem a confirmação de Michelle, Flávio sinaliza que pretende ocupar também esse espaço. A movimentação pode ser interpretada como tentativa de ampliar sua base, mas também como um gesto que aprofunda a disputa interna por protagonismo.
A crise, portanto, não se limita a uma troca de mensagens públicas entre enteado e madrasta. Ela envolve poder, visibilidade e controle sobre segmentos decisivos da base bolsonarista. Michelle deixa claro que se sentiu preterida. Flávio, por sua vez, tenta demonstrar que segue no comando da estratégia, respaldado por Jair Bolsonaro.
Unidade ameaçada na extrema-direita
No fim da postagem, Flávio afirmou que o convite a Michelle segue aberto e defendeu diálogo, respeito e união. “De coração aberto, fiz o convite à Michelle, justamente porque acredito que o diálogo, o respeito e a união sempre serão o melhor caminho”, escreveu.
A defesa da unidade, porém, surge justamente no momento em que a divisão se torna pública. A resposta do senador mostra preocupação com o impacto do vídeo de Michelle e revela que a extrema-direita enfrenta uma crise interna em plena reorganização eleitoral.
Ao tentar minimizar a divergência como diferença de estratégia, Flávio evita reconhecer a dimensão simbólica da acusação feita por Michelle. Quando uma das principais figuras públicas do bolsonarismo afirma ter sido “apunhalada”, o episódio deixa de ser apenas uma desavença familiar e passa a representar um racha político de alto custo.
Até o momento, a tentativa de Flávio de conter os danos não elimina a questão central: Michelle Bolsonaro rompeu o silêncio, expôs publicamente sua insatisfação e mostrou que a unidade da extrema-direita está longe de ser automática.
Foto reproduzida da Internet
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