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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

por Stella Galvão
Há uns dias, as redes sociais foram invadidas por um vídeo de 27 minutos protagonizado por uma madrasta aparentemente boazinha, submissa e serena. Ainda que recheado com a disputa pelo naco de candidaturas de mulheres ao Senado pelo PL, partido da madrasta e do galego, como ela se referiu repetidamente ao consorte, ou por um imbróglio na política cearense, o alvo era um dos enteados da jovem senhora, ambos quarentões.
A madrasta acusou o enteado de havê-la destratado, humilhado etc. O enteado quer ser presidente e, lembrou a senhora em tom passivo-agressivo, necessita da sua capacidade de mobilizar mulheres adeptas dos valores tradicionais bláblá. Gente de direita, conservadora, mas desejosa de dizer a que veio. Especialmente, no caso da protagonista, anunciar que embora aparentemente mansa e dócil, deteria um arsenal de coisas a dizer. Ela mirou a câmera e soltou a pérola ameaçadora ao final da gravação, a voz em tom supostamente apaziguador. E o tal clã, sempre se deduziu, deteria um arsenal de coisas a esconder.
O presidenciável acusou prontamente a rasteira sofrida. Teria, por meio de um marqueteiro, citado Eurípedes, poeta grego do século V a.C. a quem se atribui a frase: “melhor uma serpente que uma madrasta!”. Paradoxalmente, o estereótipo da madrasta má também surgiu de um tipo de narrativa aparentemente avessa ao conflito, só que não. Os contos de fadas ajudaram a consolidar a imagem da mãe postiça como má, invejosa, gananciosa e outros qualificativos do gênero.
Curiosamente, uma das origens dessa má fama, conta a história, surgiu na Roma antiga por meio de Lívia Drusilla, segunda esposa do imperador romano César Augusto. Lívia já era mãe de Tibério, de outro relacionamento, quando se casou com Augusto. A filha do imperador, enteada de Lívia, teve dois filhos, Caio César e Lúcio César. Um deles deveria suceder ao imperador, mas ambos pereceram muito jovens. A fofoca correu solta. O imperador bateu as botas e quem assumiu? Tibério. A mãe-madrasta deitou em berço esplêndido.
Nos contos dos Irmãos Grimm não raro a madrasta aparecia como antagonista da heroína bela, suave e sonhadora. São paradigmáticas de madrastas más as de Branca de Neve e Cinderela. Ambas comeram o pão que o tinhoso amassou após perderem seus pais. Voltando ao factual brasuca: Esboçou-se, em rede nacional, uma espécie de remake da novela mexicana La madrasta, aqui exibida há duas décadas. Como diz o titular deste blog, a conferir.
*Stella Galvão é jornalista, cronista e colaboradora do blogdobarbosa
Imagem ilustrativa
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