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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
O jornalista Merval Pereira avalia que a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro ainda poderá sofrer um golpe decisivo ao longo da disputa eleitoral. Em sua coluna publicada no jornal O Globo, o comentarista projeta uma provável derrota do senador e afirma que esse resultado enfraqueceria politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, abrindo espaço para uma reorganização da direita em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas – mas apenas em 2030.
No texto intitulado “As surpresas do inesperado”, Merval parte da máxima atribuída ao ex-presidente Tancredo Neves segundo a qual “Presidência é destino” para analisar como acontecimentos imprevistos alteraram repetidamente o curso da política brasileira.
Na avaliação do colunista, Tarcísio era o candidato mais provável da direita à Presidência, mas acabou preterido por Jair Bolsonaro, que escolheu o filho mais velho como representante do grupo político na eleição.
Tarcísio pode sair fortalecido em 2030
Merval destaca que Tarcísio está próximo de conquistar a reeleição ao governo de São Paulo, possivelmente ainda no primeiro turno. Mesmo que a vitória ocorra apenas na segunda etapa da disputa, o governador poderá chegar a 2030 em condições políticas mais favoráveis.
Segundo o colunista, dois dos principais obstáculos à sua eventual candidatura presidencial poderão estar fora do caminho. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deverá participar da eleição de 2030, enquanto Jair Bolsonaro poderá chegar enfraquecido por uma provável derrota de Flávio.
Bolsonaro também seguirá inelegível e poderá permanecer afastado das disputas eleitorais por décadas, dependendo dos efeitos das condenações já impostas e de eventuais decisões judiciais futuras.
Nesse cenário, Tarcísio poderia ganhar mais quatro anos para ampliar sua projeção nacional, construir uma identidade política própria e consolidar-se como o candidato natural da direita.
Escolha familiar pode cobrar preço político
Merval afirma que Tarcísio manteve uma “lealdade inquebrantável” a Jair Bolsonaro, mas foi ultrapassado pelo “critério sanguíneo” adotado pelo ex-presidente na escolha de seu sucessor político.
Para o jornalista, a tentativa de construção de uma dinastia familiar poderá terminar no próprio patriarca, caso Flávio não consiga transformar o capital político do pai em uma candidatura presidencial competitiva.
O colunista também avalia que Tarcísio poderá se considerar liberado da obrigação de defender integralmente o projeto eleitoral de Flávio. Embora não tenha se sentido livre para romper com os Bolsonaro e disputar a Presidência por outro partido, o governador dificilmente se empenharia em uma campanha do senador num eventual segundo turno contra Lula.
O afastamento permitiria que Tarcísio preservasse sua própria imagem e evitasse ser associado diretamente a uma possível derrota da candidatura bolsonarista.
Presidência marcada pelo inesperado
Para sustentar sua análise, Merval recupera episódios da história política brasileira em que acontecimentos imprevistos levaram figuras improváveis à Presidência da República.
O próprio Tancredo Neves foi eleito indiretamente, mas não conseguiu tomar posse em razão das complicações decorrentes de sucessivas cirurgias. Seu vice, José Sarney, que se preparava para exercer um papel discreto, assumiu o governo e teve a responsabilidade de conduzir a transição democrática.
Na eleição seguinte, Fernando Collor surgiu como uma liderança nacional vinda de Alagoas e chegou à Presidência, mas acabou afastado pelo Congresso. Com isso, o vice Itamar Franco assumiu o cargo em circunstâncias que não estavam no horizonte político.
Foi durante o governo Itamar que Fernando Henrique Cardoso, o quarto ministro da Fazenda daquela administração, liderou politicamente a implantação do Plano Real e reuniu as condições que o levariam à Presidência.
Derrota anterior levou FHC ao Planalto
Merval também recorda que Fernando Henrique considerava sua derrota na eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 1985, um episódio decisivo para sua trajetória.
FHC avaliava que, caso tivesse derrotado Jânio Quadros e assumido a prefeitura, dificilmente teria chegado à Presidência em 1994. A derrota municipal acabou conduzindo sua carreira por um caminho inesperado até o Palácio do Planalto.
Para o colunista, Tarcísio poderá viver processo semelhante. A decisão de Bolsonaro de impedir sua candidatura presidencial em 2026 pode, no futuro, revelar-se favorável ao governador paulista.
Em vez de enfrentar Lula numa eleição difícil e sob a tutela política da família Bolsonaro, Tarcísio poderá conquistar outro mandato em São Paulo e chegar à próxima sucessão nacional com maior autonomia.
Caminho de Flávio permanece incerto
A análise de Merval Pereira indica que a candidatura de Flávio Bolsonaro ainda está sujeita a acontecimentos capazes de alterar profundamente a disputa presidencial.
Uma derrota nas urnas não representaria apenas o fracasso eleitoral do senador, mas poderia reduzir a capacidade de Jair Bolsonaro de continuar definindo os rumos da direita brasileira.
Ao mesmo tempo, o resultado abriria espaço para que Tarcísio se apresentasse como alternativa mais competitiva, com experiência administrativa, controle do maior colégio eleitoral do país e maior capacidade de diálogo com setores que não integram o núcleo duro do bolsonarismo.
Como sugere o título da coluna de Merval, a política brasileira é frequentemente transformada pelas “surpresas do inesperado”. Nesse quadro, a decisão de afastar Tarcísio da corrida presidencial poderá fortalecer o governador no longo prazo e expor as fragilidades da aposta familiar em Flávio Bolsonaro.
Foto reproduzida da Internet
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