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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Política

Advogado de Filipe Martins diz que Força Delta dos EUA já está no Brasil para invasão do país

Está na Fórum

advogado bolsonarista Jeffrey Chiquini, defensor do ex-assessor de Jair Bolsonaro Filipe Martins, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que integrantes da Delta Force, unidade de operações especiais do Exército dos Estados Unidos, já estariam em território brasileiro. Ele não apresentou provas nem revelou a origem da suposta informação.

“Ontem eu recebi uma informação quentíssima que forças Delta já estão em território brasileiro com inteligência americana”, afirma Chiquini.

O advogado relacionou a informação que diz ter recebido a uma postagem feita no domingo (9) pelo deputado republicano estadunidense Carlos Gimenez, aliado de Donald Trump. O congressista publicou uma montagem em que o rosto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece no lugar do venezuelano Nicolás Maduro em uma fotografia feita após sua sequestro por forças dos Estados Unidos.

“O que o espera… #Brasil”, escreveu Gimenez.

Pouco antes do vídeo, Chiquini já havia escrito nas redes que a postagem reforçava a informação que recebera.

“Agora, vendo essa publicação de um deputado americano fazendo uma montagem do Lula preso, como Maduro foi, faz ainda mais sentido. Não sabemos quando, mas é muito possível que Lula tenha o mesmo fim de Maduro. Não é de se duvidar”, afirmou.

Chiquini fala em repetição do caso Maduro

No vídeo, Chiquini tenta estabelecer uma sequência entre a atuação dos Estados Unidos contra Maduro e o que, segundo ele, estaria começando a ocorrer no Brasil.

“Isso aqui não é teoria da conspiração não, tá? Essa daqui é a mesma cronologia do que aconteceu na Venezuela com o Maduro”, diz.

O advogado cita a decisão do governo Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e afirma que isso abriria caminho para tropas norte-americanas atuarem em território brasileiro.

“É o que vai começar a acontecer aqui no Brasil. E eu recebi informação que Serviços de Inteligência americanos já estão em território brasileiro”, declara.

Chiquini afirma ainda que Washington passaria a combater diretamente PCC e CV no Brasil e poderia posteriormente agir contra autoridades que, na interpretação dos Estados Unidos, protegessem essas organizações.

“Foi por isso que o Trump declarou o PCC e Comando Vermelho organizações terroristas. Para que pela lei americana ele possa vir com tropas aqui no Brasil, combater aqui dentro PCC e Comando Vermelho. E se o Lula e qualquer autoridade der proteção a essas organizações, vai terminar assim ó, igual Maduro”, afirma.

O advogado também ironiza a defesa da soberania nacional feita pelo governo e pela esquerda diante da pressão dos EUA.

“Por isso que a esquerda está esperneando pela defesa da nossa soberania. Porque eles sabem que o governo americano virá em território brasileiro”, diz.

O que é fato e o que não foi comprovado

Um dos elementos citados por Chiquini é que o governo Trump anunciou, em maio, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, medida formalizada em junho.

Isso, entretanto, não comprova a conclusão apresentada pelo advogado.

A classificação permite aos Estados Unidos adotar medidas como bloqueio de bens, restrições migratórias e punições contra pessoas que forneçam apoio material aos grupos. Não representa, por si só, uma autorização automática para que tropas estadunidenses entrem em outro país.

Chiquini também não apresentou documentos, imagens, nomes, registros oficiais ou qualquer outro elemento verificável que sustente sua afirmação de que integrantes da Delta Force já estejam no Brasil.

A comparação com a Venezuela, porém, ocorre após um precedente recente. Em janeiro deste ano, forças especiais dos EUA realizaram uma operação em Caracas que terminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua retirada da Venezuela. A ação contou com integrantes da Delta Force e provocou forte reação de governos latino-americanos pela violação da soberania venezuelana.

Lula condenou a operação e alertou para o precedente representado pela intervenção militar dos Estados Unidos na América Latina.

Aliado de Trump coloca Lula no lugar de Maduro

Como mostrou a Fórum, o deputado estadunidense Carlos Gimenez utilizou justamente uma imagem da captura de Maduro para ameaçar Lula.

Na montagem publicada no X, o presidente brasileiro aparece vendado no lugar do venezuelano. A publicação provocou um “vampetaço”, com brasileiros inundando as respostas ao deputado com imagens do famoso ensaio nu do ex-jogador Vampeta.

Horas antes, Gimenez já havia chamado Lula de “corrupto e criminoso” e responsabilizado o presidente pela deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos.

O ataque foi compartilhado pelo presidente argentino Javier Milei, aliado do bolsonarismo e apoiador de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial brasileira.

Escalada de Trump contra o Brasil

As declarações de Chiquini surgem no momento de maior tensão entre Brasília e Washington desde a volta de Trump à Casa Branca.

O governo dos EUA vem acumulando medidas políticas, comerciais e diplomáticas contra o Brasil, enquanto Lula colocou a defesa da soberania nacional no centro da reação brasileira.

Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e vinculou publicamente parte da ofensiva ao processo contra Jair Bolsonaro. Washington também adotou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na última semana, a crise atingiu novamente o terreno diplomático. Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

O governo brasileiro rejeitou as justificativas apresentadas pelos EUA e afirmou que dois funcionários norte-americanos que tiveram vistos negados pretendiam atuar para lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, o que Brasília classificou como tentativa de interferência no processo político nacional.

Foto: Câmara Municipal de Curitiba

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