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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Artigo

Flávio Bolsonaro não consegue sustentar a marca que herdou do pai

por Moisés Mendes, no Brasil 247

A marca Bolsonaro, o mais importante ativo da direita brasileira desde 2018, está sob ameaça. A fragilização desse bem com valor intangível, em plena campanha, não favorece os herdeiros de Bolsonaro.

Esse é o dilema que o bolsonarismo tentará escamotear: a marca ficou fraca porque seu criador perdeu forças, ou perdeu forças porque o herdeiro da grife não tem qualidades para mantê-la relevante?

As duas causas se misturam, mas o esgotamento do nome indica que Flávio Bolsonaro é fraco para carregar nas costas a herança política do pai. Tanto que os próprios marqueteiros pretendem tirar o sobrenome das peças de campanha do filho ungido.

Parece um paradoxo. Flávio só se firmou como nome capaz de enfrentar Lula por ser um Bolsonaro. Mas é incompetente para manter esse ativo vivo e decisivo não só para o bolsonarismo, mas para toda a direita.

Mais paradoxos. Desde o final de 2023, pesquisas do Datafolha indicavam que o eleitor não se sentia à vontade para votar em indicados por Bolsonaro. Esta manchete é de setembro daquele ano: 68% dos paulistanos não querem votar em candidato a prefeito indicado pelo ex-presidente. Ricardo Nunes se elegeu como bolsonarista, mas com apoio constrangido de Bolsonaro.

Esta outra manchete é de dezembro de 2025: Datafolha aponta que 50% dos eleitores brasileiros não votariam em nenhum candidato a presidente indicado por Bolsonaro. A mesma pesquisa mostrou Michelle como a preferida para suceder o criador do bolsonarismo, com 22%.

Depois, vinham Tarcísio de Freitas (20%), Ratinho Júnior (12%) e Eduardo Bolsonaro (9%). Flávio aparecia em quinto lugar, com apenas 8%, quase empatado com Ronaldo Caiado, em sexto, com 6%.

Flávio assumiu, ao ser o ungido, uma tarefa que não teria como suportar, como previam os eleitores da direita há pouco mais de meio ano. Mais recentemente, Michelle o denunciou como machista e autoritário, para desafiar sua autoridade e dizer também que ele é fraco.

O Centrão o considera incapaz, ou não teria abandonado sua candidatura. A velha direita negou-lhe apoio, não por discordar do que pensa e do que poderia vir a fazer no governo, mas por ser fraco.

Junta-se à fraqueza do candidato a perda de valor da marca, pela série de circunstâncias que não a favorecem. E esse cenário pode ir comprovando a tese segundo a qual o bolsonarismo seria apenas uma manifestação doentia e transitória do antilulismo.

O que sempre se soube é que o eleitorado lulista é maior do que o eleitorado de esquerda não lulista. E que a direita não bolsonarista é muito maior do que o eleitorado do bolsonarismo. Lula é bem maior do que a esquerda, e Bolsonaro é bem menor do que a direita.

Lula construiu as esquerdas pós-ditadura em torno do seu nome. O nome de Bolsonaro foi usado pela direita como gambiarra para enfrentar Lula e o PT. Bolsonaro só foi grande porque a velha direita o enxergou como salvação para derrotar o lulismo.

É possível resumir que, sem Lula e sem o antilulismo extremado, que ficou desamparado com o fim do tucanismo, Bolsonaro não existiria.E agora percebemos que o bolsonarismo com esse formato, frágil como estrutura política orgânica, porque nem partido próprio conseguiu formar, pode acabar nesta eleição.

O descarte da marca Bolsonaro, orientado por marqueteiros que sabem o que fazem, a partir de pesquisas com quem consome e exala extremismo, é o momento mais doloroso para os herdeiros de um líder fora de combate.

O que virá depois é puro chute. Pode ser o bolsonarismo neopentecostal de Michelle, que será mais evangélico do que bolsonarista. E mais fofo do que virulento, mas também, como significa uma reinvenção, talvez mais perigoso, por tudo o que o mundo da fé representa. E pode ser também o bolsonarismo burocrata de Tarcísio.

Como todos os indicadores até aqui são de derrota de Flávio, ele pode se preparar para a dívida que não terá como pagar a partir de outubro. O filho que ninguém queria como candidato ficará marcado como incompetente até para proteger o nome do pai.

* Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero Hora, de Porto Alegre

Foto reproduzida da Internet

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