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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está na Revista Fórum
Há 93 dias, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prometeu explicar o destino do dinheiro enviado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A promessa foi feita em 19 de maio. Flávio disse que apresentaria, em até 30 dias, uma prestação de contas sobre os recursos. O prazo terminou em 18 de junho. Nesta quinta-feira (20), são 63 dias de atraso e 93 dias desde que a explicação foi prometida.
Enquanto isso, o caso praticamente desapareceu do centro do noticiário político na imprensa comercial. No lugar dele, informações retiradas de investigações sigilosas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, chamado pela mídia de “Lulinha”, passaram a abastecer uma sequência de manchetes.
A diferença chama ainda mais atenção porque os dois conjuntos de investigações passam pelo gabinete do mesmo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF): André Mendonça, indicado à Corte por Jair Bolsonaro.
Dark Horse: R$ 61 milhões, sigilo e poucas notícias do inquérito
A investigação sobre Dark Horse tenta esclarecer repasses feitos por Vorcaro depois de tratativas diretas com Flávio Bolsonaro.
Documentos e áudios revelados pelo Intercept mostraram que o então pré-candidato à Presidência negociou com o banqueiro um financiamento previsto de cerca de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões. Desse montante, cerca de US$ 10,6 milhões — aproximadamente R$ 61 milhões — teriam sido efetivamente enviados.
A Polícia Federal quer saber qual foi o destino desse dinheiro e se todos os recursos foram empregados na produção do filme. Flávio Bolsonaro nega irregularidades. O próprio Flávio prometeu tornar públicas as contas. Até agora, porém, não apresentou a prestação de contas anunciada.
Em 23 de julho, André Mendonça autorizou a abertura do inquérito pedido pela PF, após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A decisão e a investigação permanecem sob sigilo.
Desde então, pouca coisa apareceu publicamente. Nenhuma busca e apreensão, quebra de sigilo, prisão ou outra nova medida cautelar que dependesse de autorização judicial chegou STF desde a abertura do inquérito, que permanece fechado pelo sigilo.
Lulinha: sigilo também existe, mas informações vazam
Com Fábio Luís Lula da Silva ocorre algo diferente. O filho de Lula é alvo de três inquéritos por suspeitas de tráfico de influência. Dois estão sob relatoria de André Mendonça e um terceiro foi distribuído ao ministro Flávio Dino.
Assim como o Dark Horse, essas investigações também tramitam sob sigilo.
A diferença é que o sigilo não tem impedido que informações das apurações sobre Lulinha apareçam repetidamente na imprensa.
Conversas, mensagens, relações pessoais e dados obtidos pelos investigadores passaram a alimentar reportagens sucessivas. Nesta quinta-feira, por exemplo, a Folha de S.Paulo publicou novas informações de diálogos atribuídos à empresária Roberta Luchsinger, investigada pela PF, e voltou a colocar Lulinha no centro do noticiário. A defesa nega irregularidades e denuncia “vazamentos seletivos”.
A defesa de Fábio Luís pediu formalmente ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal a investigação do possível vazamento de dados obtidos após quebra de sigilo determinada por André Mendonça. Os advogados levantaram inclusive a hipótese de que informações tenham chegado à campanha de Flávio Bolsonaro.
Antes disso, a defesa de Roberta Luchsinger já havia recorrido ao próprio Mendonça depois de o jornal O Globo informar que a campanha de Flávio pretendia divulgar áudios de conversas entre ela e Lulinha. A defesa pediu investigação sobre uma possível quebra ilegal de sigilo.
Não está comprovado quem vazou o material nem se informações sigilosas foram efetivamente repassadas à campanha bolsonarista.
Mas a suspeita foi considerada suficientemente séria para chegar ao STF.
Ao autorizar o terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís, Flávio Dino determinou também a abertura de uma investigação específica para descobrir quem vazou informações sigilosas das apurações.
Vazamentos viram manchetes; Dark Horse perde espaço
As suspeitas envolvendo Fábio Luís são fatos jornalísticos e devem ser investigadas. Lula, inclusive, declarou publicamente que quer que as apurações prossigam e que o filho responda caso tenha cometido algum crime. A questão é outra: por que a cobrança não é equivalente?
Enquanto informações de inquéritos sigilosos sobre Lulinha aparecem em sequência e ganham enorme repercussão, Flávio Bolsonaro continua sem cumprir uma promessa pública relacionada a dezenas de milhões de reais recebidos de Daniel Vorcaro.
A própria Folha explicitou nesta quinta-feira o efeito dessa mudança de agenda. Em reportagem sobre o impacto eleitoral das investigações de Lulinha, o jornal afirmou que o caso recolocou a corrupção no caminho da campanha de Lula e que a estratégia de desgaste de Flávio pelo Dark Horse “perdeu força”.
É justamente esse desaparecimento que militantes de esquerda pretendem combater nas redes nesta sexta-feira (21). Grupos organizam uma mobilização com as expressões “LAVA JATO NUNCA MAIS”, “TARIFLÁVIO BOLSOMASTER” e “INVESTIGUEM FLÁVIO BOLSONARO”.
A referência à Lava Jato busca denunciar uma combinação conhecida da política brasileira: investigações sigilosas, vazamentos sucessivos, exploração eleitoral e cobertura midiática massiva antes que os inquéritos estejam concluídos.
Imagens reproduzidas da Marcha para Jesus
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