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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Política

Agenda eleitoral deve ser a vida real do trabalhador – e não o STF ou o moralismo de ocasião, diz editorial do Brasil 247

O Brasil se aproxima de um momento eleitoral decisivo. Por isso, é importante perguntar: sobre o que o país deve debater? Sobre a vida concreta da maioria — salários, empregos, jornadas, aposentadorias, serviços públicos e desenvolvimento — ou sobre a inserção, de afogadilho, neste momento, de mais uma sucessão de escândalos e disputas institucionais transformadas em espetáculo?

A resposta deveria ser evidente. Há um movimento claro para sequestrar as prioridades dos temas a serem destacados e debatidos no período eleitoral, obscurecendo os avanços do governo Lula, especialmente na área social. As acusações envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal, da Procuradoria-Geral da República e senadores ameaçam ocupar o centro da agenda justo quando questões ligadas à vida de milhões exigem atenção.

Não se trata de defender silêncio diante de denúncias. Instituições democráticas devem investigar e responsabilizar quem cometer irregularidades, dentro do devido, cauteloso, rigoroso, processo legal, respeitando prazos e manipulações.

Crises institucionais inseridas com intenções evidentes não podem paralisar o debate sobre o país real para ocultar resultados concretos do terceiro mandato de Lula. Não é esse o objetivo da eleição?

Entre os temas centrais está a discussão sobre a jornada 6×1. O fim desse regime, que já avança no Senado, poderá reduzir em até 20% a frequência semanal de trabalho, de seis para cinco dias, garantindo pelo menos dois dias de descanso por semana. Capitaneada por Lula, será a maior modificação nas relações trabalhistas em décadas. Para milhões, isso significa mais tempo para a família, o lazer, a saúde e a qualificação profissional. As principais beneficiadas serão as mulheres, que frequentemente acumulam o emprego com a maior parte das tarefas domésticas e dos cuidados familiares.

Em condições normais, o fim da jornada 6×1 deveria ocupar lugar central no debate eleitoral e ser reconhecida como parte da agenda social defendida pelo presidente Lula.

O mesmo vale para a política salarial. A projeção anunciada pelo governo para 2027 indica salário mínimo de aproximadamente R$ 1.717, caso se confirme a fórmula de correção pela inflação e pelo crescimento real do PIB. Isso representaria aumento nominal de cerca de 7,4% sobre o valor de 2026 e ganho real estimado em torno de 2,5% acima da inflação.

A valorização real do salário mínimo beneficia trabalhadores, aposentados, pensionistas e famílias que dependem dele para viver. Não há desenvolvimento sólido sem mercado interno, nem mercado forte com trabalhadores empobrecidos.

Também merece destaque o esforço para zerar a fila de pedidos do INSS. Segundo dados oficiais, o estoque de requerimentos pendentes caiu de cerca de 1,8 milhão, em meados de 2023, para aproximadamente 1,3 milhão ao longo de 2024, uma redução próxima de 500 mil pedidos, ou cerca de 28%. O tempo médio de espera também recuou.

Reduzir a fila significa devolver dignidade a milhões e tornar mensurável uma política pública essencial. É uma conquista do governo Lula que não deveria ser apagada por acusações e crises fabricadas.

Em meio à eleição, o Senado aprovou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com até R$ 7 bilhões em incentivos para processar e transformar no Brasil os minerais essenciais a baterias, semicondutores, energia limpa e equipamentos de defesa.

O país tem uma das maiores reservas de terras-raras do mundo. Até agora, exportava a matéria-prima bruta e importava de volta a tecnologia final, com todo o valor agregado ficando fora das fronteiras nacionais.

O novo marco muda essa lógica. Trata-se de política industrial com peso estratégico direto sobre a soberania nacional, aprovada com apoio até de parte da oposição — prova de que, quando o tema é desenvolvimento real, o Congresso consegue convergir.

Jornada de trabalho, salário, Previdência, serviços públicos, emprego, indústria e soberania. Estes, como a saúde, a educação, a segurança pública, são temas eleitorais substantivos.

Mas há uma movimentação evidente para deslocar essas prioridades. Em lugar da jornada, o escândalo. Em lugar do salário, a suspeita.

O roteiro é conhecido. Este país já viveu, na Lava Jato, o espetáculo de um mar de lama em que as ilegalidades cometidas pela própria operação — vazamentos seletivos, conluio entre juiz e acusação, prisões usadas como instrumento de coação — eram evidentes durante o próprio processo, não apenas reveladas depois. Mesmo assim, o enredo do combate à corrupção funcionou, por anos, como cortina de fumaça diante da distribuição de renda e da recomposição de direitos.

A repetição desse expediente não é coincidência de calendário. Faxina moral, instituições em xeque, tribunais sob suspeita: são clichês eficientes para apequenar o debate público e afastá-lo da única pergunta que deveria organizar a campanha — quem entrega, de fato, melhoria concreta na vida de quem trabalha.

Foto reproduzida da Internet


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