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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Política

Trump exigiu de Lula que `dissidentes políticos´ não fossem presos nas eleições durante negociação do tarifaço

Está na Fórum

Em minuta de uma “Declaração Conjunta sobre as Relações de Segurança e Econômicas entre os Estados Unidos e o Brasil”, datada de outubro de 2025, Donald Trump exige que o governo Lula não prenda o que classifica como “dissidentes políticos” durante o processo eleitoral, em clara tentativa de interferência nas eleições presidenciais do Brasil.

“O Brasil deverá se comprometer com uma eleição livre e justa para a Presidência da República em 2026 e não deverá deter, prender ou, de outra forma, limitar arbitrariamente a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”, diz o documento, revelado nesta quinta-feira (17) por Felipe Frazão, no jornal O Estado de S.Paulo.

A minuta de caráter deliberativo e pré-decisório foi apresentado pelo governo Trump à missão brasileira liderada pelo chanceler Mauro Vieira, ministro de Relações Exteriores, em 16 de outubro de 2025 na primeira rodada de negociações referente ao tarifaço de 50% imposto pelos EUA aos produtos brasileiros.

O documento confirma que o governo Trump, influenciado pela atuação de Eduardo Bolsonaro na Casa Branca, decidiu intervir em favor do clã Bolsonaro nas eleições no Brasil. Flávio Bolsonaro foi indicado pelo pai como candidato da família à Presidência menos de dois meses depois, em 5 de dezembro.

A minuta apresentada ao governo brasileiro diz que o objetivo é “fortalecer as relações de segurança, econômicas e comerciais” e lista 21 tópicos, a maioria de viés comercial, segundo a reportagem.

Em outros dois tópicos revelados no print reproduzido pelo Estadão, os EUA exigem que “o Brasil não deverá introduzir um regime de concorrência digital no país que restrinja, de maneira injustificável ou desarrazoada, o comércio dos Estados Unidos”, em clara atuação pela defesa das big techs; e que “o Brasil não deverá aplicar multas extraterritorialmente, impor congelamento de ativos, deter, prender ou punir de qualquer outra forma cidadãos americanos, residentes legais ou empresas dos Estados Unidos por condutas protegidas pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos”.

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Minuta da negociação sobre Traifaço (documento publicado originalmente pelo jorna O Estado de S.Paulo)

Os dois tópicos são parte do discurso bolsonarista para atacar o governo brasileiro, acusando de “censura” as tentativas de regulamentação da atuação das big techs e que o Brasil estaria infringindo leis dos EUA ao atuar contra as empresas que comandam as redes sociais, como o X, de Elon Musk.

Desde o início das negociações, o Itamaraty tem sustentando uma posição de que a questão eleitoral e a condenação à organização criminosa golpista, liderada por Jair Bolsonaro não entrariam na pauta das negociações.

Segundo a reportagem, citando um dos presentes na comissão, Vieira teria dito que o documento era “inaceitável” e teria exposto a posição brasileira em encontro reservado com o secretário de Estado, Marco Rubio no Edifício Eisenhower, sede de escritórios da presidência americana.

Novo ataque

Na quarta-feira (16), o governo Donald Trump voltou a atacar o Brasil, classificando o país como “centro de distribuição global de cocaína”, faltando menos de 20 dias para as eleições presidenciais e em meio à viagem de Eduardo Bolsonaro (PL) a Washington para buscar novas sanções ao país.

Em “Determinação presidencial sobre os principais países de trânsito de drogas ou os principais países produtores de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027”, assinada pelo próprio Donald Trump, a Casa Branca diz que “o Governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína”.

Em nota, o governo Lula, via Ministério da Justiça, rechaçou qualquer omissão no enfrentamento a facções. O governo brasileiro destacou que o país sequer integra a lista oficial dos 23 maiores produtores e rotas de trânsito de drogas elaborada pelos próprios EUA.

“A alusão registrada no texto não corresponde à categoria jurídica de descumprimento formal prevista na legislação norte-americana que rege esse mecanismo anual. Trata-se, portanto, de manifestação circunstancial inserida na parte narrativa do documento, sem respaldo em sua parte dispositiva”, aponta a nota.

O Ministério da Justiça argumentou que a retórica de Washington ignora os avanços reais e as políticas de Estado adotadas recentemente pelo Brasil. A pasta citou a aprovação da Lei Antifacção, sancionada por Lula, e a manutenção da cooperação internacional, inclusive com os próprios Estados Unidos.

Além disso, o governo federal destacou os resultados do programa “Brasil contra o Crime Organizado”, lançado em maio de 2026. A estratégia tem focado na asfixia financeira das quadrilhas, no fortalecimento do sistema prisional e na qualificação das investigações de homicídios e tráfico de armas.

“As alegações não levam em consideração as dezenas de milhares de operações de combate ao crime por forças federais, com bilhões de reais de prejuízo aos criminosos”, frisou o ministério. O governo reiterou que o combate às facções é uma prioridade permanente, conduzida com inteligência, integração das forças de segurança e respeito à soberania nacional, desmontando a narrativa de inércia propagada pela Casa Branca.

Em Washington

Eduardo Bolsonaro anunciou na sexta-feira (11), que estaria a caminho de Washington para falar com autoridades sobre novas sanções ao Brasil.

“Semana que vem estou indo a Washington DC para conversar com algumas pessoas muito interessantes para reanimar, reaver, a possibilidade da gente ter uma Magnitsky contra o Moraes”, afirmou em um live em canal do ecossistema bolsonarista no Youtube.

Nesta terça-feira (15), o irmão de Flávio Bolsonaro posou com o blogueiro Allan dos Santos em “Miami antes de sua ida para Washington”.

“A conversa foi muito boa. Resumo: vai com tudo, @SecRubio”, escreveu o blogueiro, marcando o perfil de Marco Rubio, secretário de Estado do governo Trump.

Foto reproduzida da Internet

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