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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Artigo

Não se deve descartar a possibilidade de vitória de Lula no primeiro turno

por Leonardo Attuch, no Brasil 247

A possibilidade de uma definição da eleição presidencial já no primeiro turno não deve ser descartada. Não se trata de previsão, muito menos de resultado assegurado. Trata-se de uma hipótese que passou a fazer parte dos cenários possíveis quando se examinam com atenção os números das pesquisas mais recentes, especialmente os da CNT/MDA, a que mais se aproximou do resultado final nas eleições de 2022.

O levantamento divulgado nesta semana apresenta um quadro bastante significativo. Luiz Inácio Lula da Silva tem 40,5% das intenções de voto, contra 30,4% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado com 3%, Renan Santos com 2,7%, Pablo Marçal com 1,8% e Romeu Zema com 1%. Outros candidatos somam 1,1%.

Brancos e nulos são 6% e os indecisos representam 7,5%.

Quando são considerados apenas os votos válidos, retirando-se brancos, nulos e indecisos, Lula alcança aproximadamente 46,8%.

Mas esse número pode subestimar o desempenho de Lula nos votos válidos da eleição real caso Pablo Marçal, que recebeu 1,8% no cenário da CNT/MDA, não esteja na urna. Numa simples simulação matemática que também exclua os votos atribuídos a Marçal do denominador, os 40,5% de Lula equivaleriam a aproximadamente 47,8% dos votos válidos.

Ou seja: nessa hipótese, Lula estaria pouco mais de dois pontos percentuais abaixo da maioria absoluta necessária para liquidar a eleição no primeiro turno.

CNT/MDA merece atenção especial

A CNT/MDA mostra uma situação significativamente mais favorável a Lula do que outros levantamentos recentes.

A diferença para Flávio Bolsonaro no primeiro turno é de 10,1 pontos percentuais: 40,5% a 30,4%.

No segundo turno, Lula também aparece numericamente à frente, com 47,3%, contra 40% de Flávio, uma distância de 7,3 pontos.

É necessário registrar que outros institutos apresentam uma disputa muito mais apertada.

O Datafolha divulgado na quinta-feira mostra Lula com 39% e Flávio com 36% no primeiro turno. No segundo, são 46% a 44%. As diferenças estão dentro da margem de erro.

As pesquisas, portanto, não autorizam certezas sobre o resultado da eleição.

Mas a CNT/MDA revela algo que não deveria ser ignorado: existe uma fotografia recente do eleitorado em que Lula já se encontra relativamente próximo dos 50% dos votos válidos.

O problema das candidaturas alternativas

A questão central passa a ser o comportamento dos eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema, além daqueles que eventualmente escolheram nomes que não estarão na urna.

Nenhuma dessas candidaturas aparece perto dos dois líderes.

Augusto Cury registra 6% na CNT/MDA. Caiado tem 3%. Renan, 2,7%. Zema, 1%.

Quanto mais a eleição for percebida como uma disputa efetivamente binária entre Lula e Flávio, maior poderá ser a pressão pelo chamado voto útil.

Essa movimentação, se ocorrer, não tem destino predeterminado. Pode beneficiar qualquer um dos dois principais candidatos.

Mas Lula parte, na CNT/MDA, de uma posição numericamente mais próxima da maioria absoluta dos votos válidos.

Lula anunciou duas medidas importantes

Existe ainda um fator temporal relevante.

A pesquisa CNT/MDA foi realizada entre 9 e 13 de setembro. Portanto, não captou qualquer eventual repercussão das medidas anunciadas por Lula nesta quinta-feira, 17.

A primeira delas foi o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 e o benefício médio para R$ 777.

O percentual corresponde à inflação acumulada pelo INPC desde março de 2023. Trata-se, portanto, essencialmente de uma recomposição do poder de compra perdido desde o início do atual formato do programa.

A medida tem alcance direto sobre milhões de famílias, justamente num segmento em que Lula registra desempenho eleitoral mais elevado.

O Datafolha mostra, por exemplo, Lula com 53% entre os beneficiários do Bolsa Família, contra 28% de Flávio Bolsonaro.

Canetas emagrecedoras pelo SUS

A segunda iniciativa anunciada nesta quinta-feira foi a preparação da oferta das chamadas canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde.

O governo pretende incorporar medicamentos contra a obesidade de maneira controlada, com indicação médica, protocolos clínicos e prioridade para pacientes nos quais o excesso de peso esteja associado a riscos mais graves à saúde.

É uma política potencialmente importante porque trata a obesidade não como questão estética, mas como problema de saúde pública.

Novamente, não é possível antecipar qual será o efeito eleitoral dessa medida.

Mas há um dado político objetivo: Lula entra nas últimas semanas da campanha anunciando políticas públicas de impacto direto sobre a vida cotidiana, envolvendo renda, alimentação e saúde.

As medidas ainda não aparecem nas pesquisas

Este ponto é especialmente importante.

A CNT/MDA foi a campo entre 9 e 13 de setembro. O Datafolha divulgado nesta quinta-feira também realizou suas entrevistas antes dos anúncios mais recentes do governo.

Portanto, nenhuma das duas pesquisas mede eventual repercussão do reajuste do Bolsa Família ou da política de oferta das canetas contra a obesidade pelo SUS.

Os próximos levantamentos poderão mostrar se houve ou não alguma mudança posterior a essas decisões.

Há ainda dois movimentos políticos que merecem atenção nesta reta final. O primeiro é a crescente mobilização do meio artístico e cultural em torno da candidatura de Lula, com nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Malu Mader e Tony Bellotto participando do movimento. Não é possível medir antecipadamente o efeito eleitoral desse engajamento, mas a entrada de artistas de grande projeção amplia a capacidade de mobilização da campanha e pode contribuir para elevar sua presença no debate público justamente nas semanas decisivas antes da votação.

O segundo é que, até aqui, a tentativa da oposição de associar Lula à crise envolvendo o STF e às controvérsias do caso Banco Master não aparece acompanhada de uma queda relevante do presidente nas pesquisas citadas. No Datafolha, Lula permaneceu com 39%, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 35% para 36%. A estabilidade não permite estabelecer uma relação causal, mas indica que a ofensiva política em torno do Supremo não produziu, até o momento do levantamento, uma deterioração mensurável do patamar eleitoral de Lula. Somados à proximidade dos 50% dos votos válidos indicada pela CNT/MDA e à concentração crescente da disputa, esses dois elementos ajudam a explicar por que a hipótese de uma decisão no primeiro turno não deve ser retirada do radar.

* Leonardo Attuch é jornalista e escritor. Criou o Brasil 247 em março de 2011 e a TV 247 em agosto de 2017. Antes disso, trabalhou nas redações do Correio Braziliense, do Estado de Minas e das revistas Veja, Exame, Istoé e Istoé Dinheiro, onde foi redator-chefe. Email: attuch@brasil247.com.br Twitter: @AttuchLeonardo. Publicou os livros “De jornalista a youtuber”, “A CPI que abalou o Brasil”, “Saddam, o amigo do Brasil”, “Eike, o homem que vendia terrenos na lua” e “Quebra de contrato”

Foto: Ricardo Stuckert

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