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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

por Jamil Chade, no ICL Notícias
A ONU recebeu neste fim de semana alertas com relação às possíveis ingerências dos EUA contra as eleições no Brasil. O documento, encaminhado pelo Instituto Vladimir Herzog, chega ao gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, no dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para participar, em Nova York, da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Cópias ainda foram enviadas para o Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk.
No texto, obtido com exclusividade pelo ICL Notícias, a entidade de direitos humanos no Brasil faz um relato detalhado dos episódios de ataque contra a democracia do país por parte do governo de Donald Trump. O documento também revela como a Abin chegou a soar o alerta em relação à ingerência.
A carta faz parte de uma ação coordenada por parte de diferentes movimentos da sociedade civil para mobilizar a comunidade internacional para reconhecer o resultado da eleição brasileira. O temor é de que, numa eventual vitória de Lula, o governo Trump e seus aliados de extrema direita se recusem a aceitar o resultado das urnas.
O objetivo da carta, portanto, é o de soar o alerta na mais alta instância da ONU e pedir que Guterres conclame países a reconhecer o resultado da eleição no Brasil.
Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, revela que, entre 20 e 24 de julho deste ano, participou da Delegação da Sociedade Civil Brasileira em Defesa das Eleições e da Democracia, recebida em Washington e Nova York e integrada por quinze organizações brasileiras.
“Reunimo-nos com congressistas democratas e republicanos, representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, diplomatas e organizações da sociedade civil”, disse Sottili. “Voltamos dessa última missão com uma preocupação ainda maior”, constatou.
“Entendemos que já existem sinais concretos de uma dinâmica de ingerência externa sobre o processo político e eleitoral brasileiro e de uma tentativa de condicionar decisões soberanas tomadas por nossas instituições”, disse.
A questão de um eventual não reconhecimento do pleito no Brasil foi um dos aspectos alertados:
“Mais grave ainda: tememos que, caso essas pressões não produzam o resultado político pretendido antes da eleição, possam ser sucedidas por uma estratégia destinada a desacreditar o pleito, questionar sua legitimidade, retardar seu reconhecimento internacional e produzir instabilidade política depois da votação”, alertou o diretor.
O pacote de medidas tomado pelos EUA contra o Brasil, segundo a carta, “reúne várias características associadas às formas contemporâneas de coerção e guerra híbrida”.
“Em nossa avaliação, existe um risco que precisa ser considerado seriamente: que essas ferramentas sejam utilizadas para influenciar o ambiente eleitoral brasileiro em benefício de atores politicamente alinhados à administração estadunidense e que, caso o resultado das urnas seja contrário a essa expectativa, a estratégia se desloque para uma segunda etapa — a alegação de fraude, a deslegitimação das instituições e o eventual não reconhecimento do resultado”, disse.
O não reconhecimento internacional da eleição, segundo a entidade, é “particularmente perigoso”. “A proclamação do resultado eleitoral brasileiro é uma atribuição soberana das instituições brasileiras e sua validade não depende da chancela de nenhum governo estrangeiro”, disse.
“Entretanto, a experiência de 2022 mostrou que o reconhecimento internacional rápido contribuiu para reduzir o espaço político das narrativas de fraude e de ruptura institucional”, apontou o documento,.
O alerta do Instituto é de que, em 2026, “o silêncio, a hesitação ou o questionamento coordenado do resultado por governos estrangeiros podem produzir o efeito inverso: alimentar redes de desinformação, oferecer legitimidade externa à contestação interna e prolongar artificialmente um conflito eleitoral”.
“Por isso, entendemos como medida concreta e preventiva que todos os países reconheçam imediatamente o resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira, independentemente do candidato vencedor”, pediu a entidade.
O grupo pede a Guterres que atue em cinco frentes:
A carta é concluída com um alerta do papel que o país desempenha na defesa da democracia no mundo.
“O que está em risco não concerne somente ao Brasil. Se uma potência puder condicionar negociações econômicas à participação de determinados atores políticos nas eleições de outro país, utilizar sanções contra suas autoridades, interferir na disputa sobre suas instituições e, ao final, decidir politicamente se reconhecerá ou não a escolha soberana de sua população, estaremos diante de uma situação que ameaça a todas as nações e aos próprios princípios sobre os quais se construiu a ordem multilateral”, alerta.
“Para o Instituto Vladimir Herzog, defender as eleições brasileiras significa defender um princípio universal: nenhum povo deve ter sua escolha democrática condicionada pela vontade, pela pressão econômica ou pelo poder político de outro Estado”, insiste.
“A democracia brasileira não diz respeito apenas ao Brasil: o que acontecer aqui repercutirá sobre a força, a credibilidade e o futuro da democracia em todo o mundo”, completou.
Violações de Direitos Humanos
Já na carta para Volker Turk, alto comissário para Direitos Humanos, a entidade brasileira faz os seguintes pedidos:

No documento, a entidade insiste que “a ingerência externa em um processo eleitoral não constitui apenas uma ameaça à soberania de um Estado. Ela pode afetar diretamente o exercício de direitos humanos internacionalmente protegidos, em particular o direito de participar dos assuntos públicos e de escolher livremente seus representantes”.
“Pressões econômicas ou diplomáticas, campanhas de desinformação, tentativas de desacreditar instituições eleitorais e judiciais ou ações destinadas a condicionar a participação de atores políticos podem comprometer a livre formação e expressão da vontade dos eleitores. Podem também produzir efeitos mais amplos sobre a liberdade de expressão, o espaço cívico, a independência das instituições e a atuação de jornalistas, defensores de direitos humanos e organizações da sociedade civil. É, portanto, também sob a perspectiva do direito internacional dos direitos humanos que entendemos ser necessário avaliar os riscos atualmente enfrentados pelo processo eleitoral brasileiro”, completa.
*Jamil Chade é jornalista e foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade
Foto reproduzida da Internet
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