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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

por Juliana Dal Piva, no ICL Notícias
A campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) analisa como conter a série de erros cometidos nos últimos dias ao enfrentar a polêmica sobre a acusação de que ele teria intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, coisa que o filho mais velho de Bolsonaro nega. Para pessoas próximas a Flávio, o pior erro cometido foi a fala no domingo, 27, que acusou pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de terem contribuído para a disseminação de publicações nessa linha.
A coluna apurou que rumores do envolvimento da CNBB chegaram até sua equipe jurídica e, sem coordenar com a direção de campanha, Flávio declarou durante uma carreata em Goiânia: “O PT, eu sei hoje, já estava havia alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB, infelizmente essa realidade”. Ao fazer a acusação, o senador não apresentou nomes ou evidências para sustentar a acusação contra membros da entidade. A CNBB logo respondeu dizendo que “mentira não se combate com mentira”.
Entre os aliados de Flávio Bolsonaro, há uma avaliação de que o jurídico da campanha de Flávio vem causando há meses muitos problemas com a judicialização de diversos casos. Alguns interlocutores do senador lembraram que costumam judicializar apenas casos contra a honra e avaliaram mal o pedido de censura para a pesquisa Atlas que verificou a queda de Flávio nas intenções de voto após a divulgação do áudio dele para o banqueiro Daniel Vorcaro e a revelação do pedido de R$ 130 milhões. A decisão , à época, foi do ministro Kassio Nunes Marques.
A ação errática mais recente é o pedido de censura ao post do humorista Antonio Tabet que escreveu “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida” e juntamente publicou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Na avaliação de setores da campanha, como o sobrenome não foi mencionado, a postagem deveria ter sido simplesmente ignorada.
A judicialização, porém, chamou mais atenção devido à censura e, a situação se agravou mais com a decisão proferida pelo ministro André Mendonça, no sábado, que permitiu a derrubada de mais posts, em especial, de adversários políticos que não estavam reproduzindo a informação que Flávio nega, mas falavam do tema. A decisão, excessivamente ampla, permitia a derrubada de conteúdos sem nova decisão judicial. Flávio Bolsonaro recorreu e o caso será levado ao plenário do STF.
No entanto, a opção de judicializar e censurar os posts aumentou a própria polêmica na qual Flávio se viu envolvido desde que, na quinta-feira à noite, a jornalista Maria Cristina Fernandes afirmou “Tem um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira que pode sim surtir efeito, entre os católicos, a favor do Lula”. A Globo fez uma errata na sequência afirmando que o projeto de lei foi arquivado em 2008.
O termo “fake news”, cunhado por Donald Trump, é utilizado para a produção de “falsas notícias”, textos ou vídeos que tenham sido produzidos com a intenção de propagar uma informação falsa. Por isso, é incorreto utilizar o termo para se referir ao episódio.
Aos poucos, surgiram informações de que o autor do projeto, o ex-deputado federal Victório Galli, foi assessor de Jair Bolsonaro na presidência e até informações de que o próprio pastor de Flávio Bolsonaro defende a retirada do título para Nossa Senhora.
*Juliana Dal Piva é jornalista formada pela UFSC com mestrado no CPDOC da FGV-Rio. Foi repórter especial do jornal O Globo e colunista do portal UOL. É apresentadora do podcast “A vida secreta do Jair” e autora do livro “O negócio do Jair: a história proibida do clã Bolsonaro”, da editora Zahar, finalista do prêmio Jabuti de 2023
Foto: A Tribuna
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