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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
O Nordeste foi alvo de aproximadamente 27 milhões de manifestações críticas ou hostis nas redes sociais durante as primeiras 72 horas após o primeiro turno das eleições de 2026, realizado no domingo (4). O volume representa 82,2% das 32,8 milhões de menções, compartilhamentos e links relacionados ao comportamento eleitoral da região. O levantamento identificou uma onda de mensagens que associavam o voto nordestino a estereótipos de pobreza, ignorância e dependência econômica.
Os dados são de um estudo da Ativaweb DataLab, intitulado “O Nordeste no Banco dos Réus”, divulgado em reportagem do jornalista Carlos Madeiro, do UOL, nesta quinta-feira (8). Segundo a pesquisa, apenas 17,8% das interações analisadas, equivalentes a 5,8 milhões, foram classificadas como neutras ou favoráveis à população nordestina. O levantamento considera publicações feitas em diferentes regiões brasileiras e aponta maior presença de manifestações hostis originadas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. <Cite ref=”turn766852view0″/>
A dimensão da repercussão também aparece na frequência das publicações. De acordo com os pesquisadores, foram registradas, em média, 456 mil menções por hora, o equivalente a mais de 7.600 por minuto durante os três dias posteriores à votação. Os números incluem diferentes tipos de interação e não representam necessariamente publicações originais ou usuários individuais.
Para Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab e responsável pelo estudo, a mobilização ultrapassou os limites da divergência política ao transformar a origem regional dos eleitores em motivo de ataques.
“Quando o Brasil passa a apontar o dedo para uma de suas regiões, a disputa eleitoral já ultrapassou a política e chegou à dignidade”, afirma Maracajá.
O pesquisador considera que a intensidade e a concentração das mensagens levantam questionamentos sobre a disseminação organizada de discursos hostis.
“Vinte e sete milhões de críticas em três dias não são opinião espontânea: são um clima, e clima se fabrica”, destaca.
A avaliação sobre uma possível articulação é do responsável pela pesquisa. Os dados divulgados não demonstram, por si só, que todas as manifestações tenham sido coordenadas por um mesmo grupo ou estrutura.
Ataques associam nordestinos à pobreza e à inferioridade intelectual
O monitoramento reuniu informações públicas do Facebook, Instagram, TikTok, X, Kwai e comentários publicados no YouTube. A análise por amostragem identificou diferentes formas de hostilidade, muitas vezes expressas sem insultos diretos, mas por meio de associações depreciativas sobre a população da região.
A categoria mais frequente foi a de vergonha e autodepreciação, responsável por 26,9% das ocorrências classificadas. Nesses casos, as mensagens apresentavam manifestações de constrangimento, rejeição à própria identidade regional e até pedidos de desculpas pelo comportamento eleitoral de nordestinos.
Em segundo lugar apareceram publicações que relacionavam o voto regional à pobreza e à dependência econômica, com 22,1%. Os conteúdos analisados reproduziam argumentos que associavam as escolhas políticas dos eleitores à fome, à miséria, à suposta venda de votos e à ideia de submissão eleitoral.
Ofensas à capacidade intelectual dos nordestinos representaram 18,3% dos registros. Essa modalidade incluía expressões depreciativas que classificavam moradores da região como incapazes de compreender o processo político ou tomar decisões eleitorais de forma autônoma.
Outras duas categorias concentraram 12,5% cada. Uma delas envolvia a desumanização da população, por meio de comparações ofensivas entre o Nordeste e elementos considerados indesejáveis. A outra reunia manifestações favoráveis à segregação territorial, incluindo propostas de separação da região do restante do Brasil.
Os resultados indicam que parte relevante da hostilidade monitorada se manifestou por meio de estereótipos sociais e regionais utilizados para desqualificar escolhas eleitorais.
Nordestinos também reproduziram mensagens preconceituosas
Outro aspecto identificado pela Ativaweb DataLab foi a participação de usuários que se apresentavam como nordestinos e reproduziam mensagens negativas sobre a própria região.
Segundo o levantamento, publicações em que pessoas expressavam vergonha de sua origem ou pediam desculpas por serem nordestinas alcançaram dezenas de milhares de interações.
Na avaliação dos pesquisadores, esse comportamento contribuiu para ampliar a circulação das mensagens, uma vez que manifestações depreciativas feitas por pessoas da própria região passaram a ser utilizadas por outros perfis como justificativa para reproduzir ataques semelhantes.
“O preconceito atinge seu estágio mais perigoso quando a vítima passa a repeti-lo como se fosse opinião própria”, diz Maracajá.
A pesquisa aponta que a circulação dessas mensagens pode reforçar estereótipos já existentes e ampliar a hostilidade contra grupos identificados por sua origem geográfica, especialmente em períodos de acirramento eleitoral.
Preconceito regional pode configurar crime
A disseminação de conteúdos discriminatórios também envolve consequências jurídicas. A legislação brasileira prevê punições para práticas de discriminação ou preconceito relacionadas à procedência nacional, categoria que pode abranger ataques motivados pela origem regional.
A Lei nº 14.532, de 2023, alterou dispositivos da legislação penal relacionados ao racismo e estabeleceu regras específicas para crimes cometidos ou divulgados por meios de comunicação e redes sociais.
A caracterização de uma publicação como crime, entretanto, depende da análise de seu conteúdo e das circunstâncias em que foi produzida. Críticas políticas e divergências sobre resultados eleitorais não configuram automaticamente discriminação.
Ao comentar essa distinção, o responsável pelo levantamento afirmou que o debate público não pode servir de justificativa para ataques à população de uma região.
“Liberdade de expressão protege a crítica ao voto. Não protege o desprezo por quem vota”, afirma o CEO da Ativaweb DataLab.
Pesquisa aponta possíveis reflexos dos ataques na disputa eleitoral
Além de examinar o conteúdo das publicações, o estudo aborda possíveis consequências políticas da hostilidade registrada após o primeiro turno.
Segundo a análise, manifestações de segregação e discriminação podem provocar uma reação contrária entre os eleitores atingidos, estimulando sentimentos de identificação regional e solidariedade diante dos ataques.
Os pesquisadores consideram que esse comportamento pode influenciar a forma como parte do eleitorado interpreta os discursos políticos na reta final da campanha presidencial.
Trata-se, contudo, de uma hipótese apresentada pelo estudo, e não de uma demonstração de que os ataques já tenham produzido alterações nas intenções de voto.
A pesquisa também evidencia a presença de discursos discriminatórios em diferentes plataformas e regiões do país, mostrando que a repercussão do resultado eleitoral não ficou restrita à discussão sobre candidatos e partidos.
O levantamento reúne dados das primeiras 72 horas posteriores ao primeiro turno e registra como o debate sobre o comportamento eleitoral do Nordeste foi acompanhado por milhões de manifestações classificadas como críticas ou hostis, incluindo conteúdos que reproduziam preconceitos históricos contra a população nordestina.
Imagem reproduzida das redes sociais
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