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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
O inquérito instaurado pela Polícia Federal para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz expandiu seu escopo para analisar também a conduta de outros dois nomes de relevância política do PL fluminense: o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem, informa a Folha de São Paulo.
Originada a partir de apurações sobre o mercado de apostas de quota fixa, as chamadas bets, a investigação alcançou a corte superior em razão da citação ao senador Flávio Bolsonaro, tendo o ministro Alexandre de Moraes designado por sorteio para a relatoria do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
O centro das apurações envolve operações ligadas a Willer Tomaz, profissional do direito que mantém relação pessoal com o parlamentar e que também figura como investigado em um inquérito distinto sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Willer detém o controle da Rede Loto, primeira operadora de apostas autorizada no território nacional, cujo aval de funcionamento foi concedido pela administração estadual do Rio de Janeiro em maio de 2023.
Conforme a tese da Polícia Federal, Tomaz seria o proprietário de fato da Pixs/RioPag. A licitação ocorreu sob a gestão de Hazenclever Lopes na presidência da Loterj — nome indicado ao cargo por escolha do então governador e que já possuía ligações profissionais e proximidade prévia com o advogado.
O histórico da disputa mostra que a empresa associada a Tomaz propôs repassar 20% da sua receita à autarquia, frente aos 26% apresentados pela única concorrente do certame. Esta última acabou eliminada sob a justificativa de apresentar a taxa com duas casas decimais, contrariando a exigência editalícia de três casas. Sem competidores no pleito, a Pixs realizou negociações diretas com a entidade e reajustou sua proposta final para 26,455%.
Em relação a Alexandre Ramagem — que esteve à frente da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e teve seu mandato parlamentar cassado no último mês de dezembro após condenação no STF a 16 anos e um mês de reclusão por tentativa de golpe de Estado —, os investigadores identificaram pagamentos no total de R$ 270 mil, fracionados em três parcelas de R$ 90 mil.
Embora o ex-deputado, que se encontra nos Estados Unidos desde o ano passado, não figurasse como favorecido direto nas transferências bancárias, os valores foram creditados à empresa Torre Comunicação Estratégica. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que Ramagem era o destinatário final de tais recursos.
O desdobramento das buscas policiais também trouxe à tona movimentações financeiras no segmento de apostas e viagens internacionais. A empresa controlada por Willer Tomaz intermediou a aquisição de passagens e custeou deslocamentos aéreos de Flávio Bolsonaro para a Europa durante o ano de 2025, cobrindo despesas de caráter privado dos núcleos familiares de ambos. Adicionalmente, dados obtidos pela apuração revelaram que o senador manteve acesso operacional como usuário principal de uma conta bancária vinculada à empresa offshore Alcazar Holding, sediada no exterior e pertencente ao advogado, condição que permaneceu ativa até maio de 2025, quando sua remoção foi solicitada.
Por meio de nota oficial, a defesa de Willer Tomaz declarou que o advogado tomou conhecimento das apurações exclusivamente através dos meios de comunicação, não tendo obtido acesso prévio aos autos, o que já foi solicitado juridicamente. O texto assinala que a relação com a família do senador é estritamente de amizade e que seus patrimônios e participações societárias estão devidamente declarados aos órgãos fiscais. A nota questiona a divulgação de documentos sigilosos a poucos dias da votação em segundo turno e ressalta que a própria Polícia Federal não apontou qualquer ingerência direta do advogado na inabilitação da empresa concorrente na licitação da Loterj.
A assessoria do ex-governador Cláudio Castro confirmou a existência de amizade com Willer Tomaz desde 2020, mencionando atuação jurídica pontual do advogado em sua defesa pessoal sem a cobrança de honorários. A nota esclarece que, em viagens conjuntas, cada participante assumia seus próprios custos e de familiares. Castro afirmou desconhecer qualquer ligação de Tomaz com a Pixs/RioPag ou com o ex-presidente da Loterj, ressaltando que a indicação de Hazenclever decorreu de composição política com o PL e que a autarquia detém autonomia administrativa, sem participação do ex-governador nos atos licitatórios.
A empresa Torre Comunicação Estratégica informou ter prestado serviços de assessoria de imprensa, treinamento de mídia e planejamento estratégico para o escritório de advocacia de Willer Tomaz e Eugênio de Aragão, tendo como cliente final Alexandre Ramagem durante sua pré-candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro, com a devida emissão de notas fiscais relativas aos três pagamentos de R$ 90 mil.
A equipe da campanha de Flávio Bolsonaro não encaminhou posicionamento sobre as novas revelações, mantendo a manifestação prévia de que a relação entre o senador e o advogado resume-se à amizade. A defesa de Alexandre Ramagem e o ex-presidente da Loterj Hazenclever Lopes não apresentaram resposta aos contatos da Folha de São Paulo.
Foto reproduzida da Internet
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