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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
O leitor atento do noticiário político do Rio Grande do Norte deve estar curioso com relação à importância dos partidos no processo sucessório do prefeito Carlos Eduardo Nunes Alves (PSB), em outubro. Explico: O dia-a-dia das editorias políticas dos jornais impressos e os que circulam na internet não falam noutra coisa que não seja as alianças que estão sendo tramadas para eleger esse ou aquele candidato.
O curioso de todo esse processo reside no fato de que todas as decisões passam apenas pela vontade dos que controlam os diretórios nacionais, estaduais e municipais, como se eles fossem gestores de uma grande empresa cujos sócios não têm direito a voto ou opinião. Até os ditos mais democráticos impõem de goela abaixo aos seus associados suas decisões, mesmo que elas contrariem os desígnios da formação da legenda. Sim, porque cada agremiação existe por um objetivo e uma filosofia.
Na Grécia e em Roma da antigüidade, o nome “partido” significava a existência de um grupo composto de uma mesma idéia ou uma mesma doutrina, mas foi no século XVIII, na Inglaterra, que essa palavra passou a significar uma instituição que congregava partidários de “uma idéia política”, que depois passou a ser utilizado em todo Mundo. Ou seja, por si só o partido tem o dever de defender o seu objetivo principal na disputa política. O cidadão escolhia o partido que fosse de encontro a sua idéia, a sua revolução pessoal interior, ao seu desejo de mudança ou de manutenção de um sistema ou ordem que fosse bom para si. E, aí ele discutia, votava e participava, enquanto os seus dirigentes representavam a vontade de todos os participantes. Você leitor, conhece as ideologias dos partidos que estão disputando o poder municipal?
Provavelmente você pensará que o PT, o PSB, o PMDB e o PV, por uma enorme coincidência histórica foram formados baseados num mesmo ideal. Claro! Você dirá. Afinal o prefeito que é do PSB, quer um candidato do PT. O PT quer um vice que saia do PMDB ou PSB. A governadora Wilma de Faria, que é do PSB, e que discute o nome do candidato de sua preferência com o PT e o PMDB, não quer o candidato do PSB e o PV aceita qualquer vice, almejando que a governadora – lembre-se do partido dela -, apóie a candidatura da legenda. O PMDB, também aceita um vice do PT ou do PSB.
Você, caro leitor, é de algum partido? Conhece bem os seus objetivos? Será que já foi chamado para opiniar e entender todo esse processo que envolve milhares de pessoas e que está somente nas mãos de meia dúzia? Ou será melhor nos resignarmos à constatação do renomado sociólogo e mestre em filosofia, Nildo Viana, considerado um dos maiores pensadores brasileiros, que defini os partidos atuais como organizações burocráticas que se fundamentam na ideologia da representação política – portanto sem ideais -, e não no acesso do povo às decisões políticas e que possuem como objetivo conquistar o poder?
Por Leonardo Sodré
* Leonardo Sodré [Leo Sodré] é escritor, jornalista e artista plástico. Trabalha atualmente como repórter de política do jornal Correio da Tarde e com assessorias de imprensa. Foi editor-geral do jornal O Mossoroense e editor do caderno de automobilismo do Jornal de Natal nos anos 90. Um dos fundadores do site www.natalpress.com, juntamente com o jornalista Minervino Wanderley, um dos mais antigos endereços de notícias pela rede mundial, em Natal. Editou aquele veículo até 2005. Participou de várias antologias, com os escritores Eduardo Alxandre [Dunga] e Diógenes da Cunha Lima, e o seu último livro, dedicado a boêmia do Centro Histórico de Natal, “Crônicas do Beco da Lama”, foi lançado em novembro de 2007.
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