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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial

Editorial

A prática nefasta de terceirizar em troca de propinas

Vamos deixar de ser hipócritas e fingir que os escândalos de corrupção que acontecem nos governos são coisas isoladas. O que o empresário Anderson Gurgel, que teve o seu nome envolvido num esquema de licitações fraudulentas na Secretaria de Saúde do governo do Rio Grande do Norte, escândalo que ficou conhecido como Operação Hígia, disse em entrevista publicada neste domingo no jornal Tribuna do Norte, não chega a ser nenhuma novidade.

Gurgel afirmou sem nenhum subterfúgio que a lista de esquema de corrupção no governo é tão grande que prefiria nem falar para não se meter ainda mais nisso. E completou:

– Se eu abrir a boca, vai fechar o estado. Isso acontece não só aqui, mas em qualquer lugar. Prefeituras também. Eu não gostava de participar, mas o sistema não deixa ninguém fora. Digo com sinceridade. Afinal, é muito fácil para quem cobra. Eles ficam em casa e eu com a dor de cabeça de trabalhar, pagar funcionário, administrar, etc. Eu pagava para trabalhar. Imagina alguém todo mês tirar 10% ou 15% do seu salário para a mesma pessoa que mantém o emprego? Quem gosta de uma coisa dessa? Eu era praticamente obrigado pelo sistema.

Ainda em 2007, portanto, há três anos – pra ser mais preciso, em 26 de outubro daquele ano – escrevi uma parábola contando como funciona o esquema de corrupção nos governos – digo, governo do estado e prefeituras. O web-leitor que quiser conferir é só clicar em: Uma cidade chamada Nakal num país chamado Barril.

Pois muito bem! Num determinado trecho da parábola conto uma história que ouvi de um servidor público, que diz o seguinte:

– Um dia, dois empresários conversando sobre as dificuldades que tinham para receber dinheiro por serviços prestados na Secretaria Municipal de Saúde, um terceiro ouvindo a conversa, mostrou os caminhos para resolver o problema.

– Vocês não sabiam? indagou o terceiro empresário para os outros dois que conversavam.

– Tem um deputado muito influente que pode resolver o problema de vocês dois.

– É simples: Vocês só têm que pagar uma taxazinha de 40% sobre o que vocês têm pra receber para que ele possa agilizar a liberação da verba.

– Pagando essa pequena taxa, o deputado influente fala com o secretário que toma conta das finanças do governo estadual, que repassa a verba destinada a saúde para o município, e tudo resolvido. A verba de vocês é carimbada, ou seja, o dinheiro é só pra vocês. Se algum outro empresário tiver alguma coisa pra receber, não recebe. Só vocês, porque a verba é carimbada. Entenderam?

– Do contrário, sabe quando vocês vão receber o dinheiro que têm pra receber? Nunca!

A conversa dos empresários foi contada por um servidor público que já tinha trabalhado com o tal deputado numa outra ocasião. Esse servidor disse que a influência desse parlamentar é tão grande que até no Legislativo municipal  ele exerce o seu poder.

A história foi contada em forma de parábola, mas é tão verdadeira quanto a entrevista do empresário Anderson Gurgel. Certamente só mudam os personagens, mas a maneira de operacionalização é a mesma.

A única maneira de se acabar com essa prática nefasta é com o fim dos contratos de empresas terceirizadas. Por que ao invés de se terceirizar a limpeza nas secretarias de governo, por exemplo, não se faz concurso para contratar ASGs (Auxiliares de Serviços Gerais)? Talvez saísse até mais barato para os cofres públicos.

Sabem por que não acabam? Porque tem muita gente ganhando dinheiro com isso. Ou melhor, com a taxazinha de 40% para liberar o pagamento das empresas que são contratadas em licitações viciadas.

À governadora eleita do Rio Grande do Norte Rosalba Ciarlini (DEM) fica a sugestão: essa seria, sem dúvida, uma primeira medida moralizadora em seu governo e que teria o aplauso da sociedade. Do contrário, os vampiros de plantão vão continuar atuando e sugando os cofres públicos com recebimento de propinas de empresários escusos.

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