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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
Velho, querido velho…
Sente-se um pouco comigo: Vamos… eu sei que você tem muita coisa pra contar: Da vida… da gente… Dê-me sua mão… assim… É bela sua mão, sabia? Quantos poemas esta mão escreveu: poemas de amor… de sacrifício… de gratuita doação. Você sabe, querido velho: os versos mais belos e cheios de vida se escrevem nas areias livres das praias abertas dum jovem coração. Como o seu… Este seu rosto velho querido… tantas rugas… tantas marcas: marcas de alegria e de dor que a vida em seu rosto plantou!
Deixa, querido velho, deixa minhas mãos sentirem o contato de seus cabelos já brancos, nm gesto grato de carinho grande pelos carinhos muitos que você deu a tantos… E esses seus olhos, brilhando no sonho acordado… no sonho cochilado em tardes de outono…. Com quem sonham seus olhos? Com pessoas queridas companheiras de caminhadas? Com corações amigos, num sonhado abraço? Com almas irmães, tão longe, talvez, mas sempre tão perto! [Perdoe; querido velho; perdoe eu profanar assim o sacrário de suas coisas mais íntimas…]
Sabe, velho querido, você é mais importante hoje do que quando trabalhava com todas as suas forças, da manhã à noite, todo o dia e todos os dias… Não é pra consolar você, não: você é sabedoria acumulada, é caminho experimentado; da família, você é a história viva… da sociedade a viva memória. Você é o ontem que hoje sou… é o hoje que amanhã serei.
Vamos, agora. Deixa passar o meu braço em seu ombro… assim… Vamos, querido velho, vamos caminhar juntos, lado-a-lado, muito amigos no mesmo braço irmão. Vamos: ainda há muito chão-gente esperando a semente boa da sua vida, da sua fé, do seu amor.
Vamos, querido velho…
Por Attilio Hartmann
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