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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial, Política

Editorial do Estadão

O Senado cumprirá a lei

– Os observadores do cotidiano político nacional raramente têm motivos para transmitir à opinião pública uma imagem positiva dos protagonistas desse espetáculo em geral deplorável. Ainda mais quando o seu enredo gira em torno dos arranjos fabricados para promover os interesses rasteiros dos que entraram para o ofício exatamente para esse fim. Por isso mesmo, quando um político age em desacordo com os desalentadores costumes de tantos de seus pares, o acontecimento merece registro à altura do seu simbolismo e do que contém de incomum. O político, no caso, é o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Pelo pouco que dele se esperava quando assumiu à presidência da Casa no passado, no lugar do notório Renan Calheiros, que renunciou para fugir a um processo de cassação por quebra de decoro, o seu desempenho parece dar suporte à teoria de que a função faz o homem. Ele começou marcando pontos por reiteradas críticas à passividade do Legislativo em face da desenvoltura com que o Planalto pauta a agenda parlamentar com as medidas provisórias – deixando o Congresso  em estado de “extrema-unção”, chegou a dizer. Depois, tratou de se dissociar das manobras para burlar a decisão do Supremo Tribunal Federal contra o nepotismo nos Três Poderes.

Quando, por exemplo, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) sugeriu a criação de cotas para a contratação de parentes por parlamentares, a sua resposta foi desmoralizar a proposta – “três primos, dois tios…”, ridicularizou. Mas topou com a obstinada resistência dos colegas a fornecer à Mesa a relação da parentada empregada, que deveria ser demitida (…)

(…) Garibaldi criou ainda uma comissão para fazer o levantamento completo dos familiares dos senadores que devem ser demitidos (Até então haviam sido afastados 45 parentes de parlamentares e 25 aparentados de ocupantes de cargos de chefia ou direção na estrutura administrativa da Casa, o que a súmula do STF também exige). “Em 72 horas, e isso é improrrogável, a comissão fará tudo”, anunciou o senador. “Teremos toda a revisão dos casos já tratados e os novos que precisam ser acrescentados”. E arrematou com uma sentença singela que se ouve muito menos do que seria desejável da boca de autoridades brasileiras: “Faça-se justiça, cumpra-se a lei”.

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