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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Artigo

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Jornada de (fé) e caça aos votos

Por Stella Galvão

E Natal sedia um evento batizado de Bote Fé este fim de semana. Motivo mais que justo para os políticos dos mais diferentes matizes darem um tempo nas conversas em mesa de restaurante, nos alpendres das casinhas modestas do final de veraneio, do compadrio e da conversinha de acertos e composições para o pleito deste ano. Ele mal irrompeu e já se faz pleno de ocasiões para mostrar-se ao Zé Povo.

Que qualquer aglomeração popular atrai caçadores de votos como o mel aos zangões já é sobejamente conhecido até entre os que alardeiam alheamento político.  E se o motivo do agrupamento popular for religioso, tem-se uma oportunidade de ouro puríssimo para mostrar uma faceta humana, atenta aos desígnios do mistério, da criação, do divino. Mostrar, expor, alardear. Vale passar a impressão de ser um animal, sim, porque humano, mas imbuído dos mais puros e nobres propósitos.

O Bote Fé, nome de batismo feito para atrair os jovens, consiste na gravação de um DVD com a presença de padres cantores e de uma série de procissões ou peregrinações para prestar culto à cruz e ao ícone de Nossa Senhora. Um convite fortíssimo ao ajuntamento de pessoas movidas pela fé e pela ideia de participarem dos shows e de um evento coletivo. Uma festa, uma beleza, uma catarse.

Para os fieis, uma chance de alinhar-se a um movimento que pretende restaurar perante a juventude os símbolos mais impactantes da fé cristã. Para a classe política potiguar, mais uma chance para se vestir de branco e parecer fervorosa devota de todos os santos e santas da Cristandade. A favor dessas almas irmanadas pela busca desenfreada de votos, digo, de bençãos, conta uma longa experiência em eventos do gênero.

Hábeis em mostrar expressão contrita de um cristão subitamente acolhido em graça divina, eles juntam-se ao povaréu sem o menor pejo. Vão com a família, o que confere uma aura de maior respeitabilidade ao grupo. O eleitor, afinal, gosta da ideia de escolher um candidato com apreço às instituições, ainda que esse apreço valha tanto quanto o demonstrado pelo último modelo de utilitário lançado pelas montadoras.

No palanque eleitoral improvisado em festa religiosa, é importante atuar com discrição e com a expressão de uma alma totalmente contagiada pelas coisas do espírito. Afinal, daqui a pouco começam os festejos da carne. Em meio aos foliões, novo palanque será armado, mas a expressão e a performance terão que sofrer uma discreta alteração. #SóReza!

* Stella Galvão é jornalista e colaboradora do blog, professora da Escola de Comunicação e Artes da UnP, mestre pela PUC-SP e autora de ‘Calos e Afetos’ e ‘Entreatos’. Endereço no twitter @stellag19

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