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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
Cazuza tinha razão: Ideologia! Eu quero uma pra viver
Além de tentarem estadualizar a eleição municipal no segundo turno em Natal, estão tentando agora levar o pleito para uma disputa ideológica, entre partidos ditos de esquerda e os ditos de direita.
A sopa de letrinhas ficou dividida no segundo turno. De um lado o PDT, PSB, PSD, PCdoB e agora o PT. De outro o PMDB, PHS, PR e agora PSDB e DEM. Teóricamente esquerda e direita na disputa. Eu disse teoricamente porque pelo menos dois dos atores principais desta disputa não têm nada de esquerda. Pura fantasia!
O candidato neste segundo turno que representa a “esquerda” iniciou sua carreira política no PMDB, um legítimo Alves. Falo de Carlos Eduardo Alves. Foi secretário de Estado num dos governos Garibaldi Alves Filho (PMDB), o hoje ministro do governo Dilma (PT) que apoia o candidato do seu partido, Hermano Morais, como não poderia deixar de ser. Carlos Eduardo Alves nunca foi líder estudantil e tampouco líder sindical. Nasceu em berço de ouro onde foi preparado pelo pai, deputado Agnelo Alves (PDT), para ser mais um Alves na política papa-jerimum. Portanto, quando jovem, certamente Karl Max não foi sua leitura favorita.
Sua companheira de chapa, Wilma de Faria (PSB), iniciou sua carreira política apoiada pelo então governador José Agripino Maia, hoje senador da República. Wilma representava a fina flor do malufismo no Rio Grande do Norte. Seu ex-marido, ex-governador Lavoisier Maia, defendeu a candidatura de Paulo Maluf no colégio eleitoral em que disputou contra Tancredo Neves as eleições indiretas para presidente da República. Wilma saiu do PDS para o PDT e depois PSB, sempre se candidatando a cargos majoritários e se elegendo com o apoio ora dos Maia ora dos Alves. Foi assim para a prefeitura de Natal como também para o governo do estado. Hoje se diz de “esquerda”. Sou capaz de apostar também que Karl Max nunca esteve na sua mesa de cabeceira ou criado mudo, como há de se dizer hoje.
Ao se eleger governadora pela segunda vez, Wilma fez o PT do Rio Grande do Norte digerir a força uma decisão da Executiva Nacional de apoiá-la sob o argumento de fortalecimento do projeto maior, que era eleger Lula presidente da República. Diria até que Wilma parafraseou Zagalo: “Vocês vão ter que me engolir”.
No palanque dito de “esquerda” está ainda o vice-governador de Rosalba Ciarlini (DEM), e ex-secretário estadual de Recursos Hídricos, Robinson Faria, que começou a vida pública no antigo PFL, de José Agripino Maia. Aliás, rompeu com o governo por ter fundado no RN o partido de Gilberto Kassab, o PSD, que apoia no segundo turno em São Paulo o tucano José Serra. De esquerda Robinson Faria não tem nem o cacoete.
Ao lado do PMDB agora estão Agripino Maia e Rogério Marinho (PSDB). Agripino, todos lembram, protagonizou o “rabo de palha” em 1985 na primeira eleição municipal após o processo de redemocratização do país. Naquela disputa a hoje “socialista” Wilma de Faria era do PDS e aliada de Agripino Maia e disputava o pleito contra Garibaldi Alves Filho, a quem Carlos Eduardo Alves, ainda sem mandato, apoiava. O “rabo de palha” para quem não sabe foi denunciado na época pelo então governador Geraldo Melo (PMDB) que foi ao ar no Fantástico. Tratava-se da compra de votos a pobres eleitores com ferinha. Resultado. Wilma perdeu a eleição.
O tucano Rogério Marinho até quatro anos atrás era wilmista de carteirinha. Rompeu com ela porque a ex-governadora implodiu sua candidatura a prefeito de Natal. Resultado, o PSB junto com o PDT e o PMDB apoiaram a deputada federal Fátima Bezerra (PT) para prefeita e Carlos Eduardo Alves, então prefeito, não conseguiu eleger sua sucessora. Micarla de Sousa, que antes havia sido vice-prefeita de Carlos convidada que foi pelo seu pai, Agnelo Alves com o aval de Wilma, se elegeu.
Quero dizer com isso que não se pode estadualizar a eleição nem tampouco levar para o lado ideológico. Até porque alguns atores deste cenário político já estiveram em várias companhias, literalmente.
Acho que questões envolvendo probidade e ficha limpa caberiam melhor nesta discussão. Mas como um dos lados leva desvantagem nisso, pois tem um candidato que concorre sub júdice e uma companheira de chapa considerada improba pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), preferem deixar de lado.
Mas, relembrando Cazuza novamente, “meu partido é um coração partido. E as ilusões
estão todas perdidas. Os meus sonhos foram todos vendidos tão barato que eu nem acredito. Ah! eu nem acredito…”
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