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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
Num bate-papo informal com o professor Joca, que é médico do Hospital Walfredo Gurgel e foi candidato a vereador em Natal, ele me disse que na visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na semana passada as dependências do Hospital Walfredo Gurgel, quando esteve em Natal, teve a oportunidade de conversar com o ministro.
Na conversa com Padilha, professor Joca disse a ele, segundo seu relato, que não adianta o governo federal liberar recursos para o “perfeito” funcionamento do maior hospital público do estado, se falta material humano. De acordo com o professor Joca, há dez anos o governo do estado não contrata médicos para serviços de urgências, caso do pronto-socorro Clóvis Sarinho, que funciona como anexo ao Walfredo Gurgel. Os profissionais que estão lá começam a sair e não há reposição de material humano, ressaltou.
Professor Joca, que é dono de um cursinho pré-vestibular disse o seguinte:
– Hoje, quem faz cursinho pré-vestibular para Medicina é filho das classes média e média-alta. Quando passam para a universidade e acabam de cursar medicina não querem saber de trabalhar em pronto-socorro porque não compensa. Primeiro a remuneração é baixa, e segundo porque falta material de trabalho. Preferem atuar no PSF (Programa Saúde da Família) do governo federal.
Sobre isso, ele me disse que teve oportunidade de não só conversar com o ministro da Saúde, numa reunião fechada no próprio Walfredo Gurgel, que a imprensa não teve acesso, mas também com a própria governadora Rosalba Ciarlini, chegando a sugerir que enviasse à Assembleia Legislativa um projeto de lei que pudesse contemplar os médicos urgentistas, ou seja, que trabalham em urgências nos hospitais da rede públicas. Um projeto de lei que pudesse incluir uma bonificação ao médico urgentista no sentido de estimular os profissionais da área a trabalhar em pronto-socorros, caso do Clóvis Sarinho.
Me reporto a esta conversa porque na semana passada na posse de três novos secretários, inclusive o da Saúde, o deputado Getúlio Rego, líder do governo na Assembleia, chegou a sugerir que o novo secretário de Saúde promovesse uma reunião com representantes do Ministério Público, Tribunal de Justiça, Sindicato dos Médicos e do Conselho Regional de Medicina, objetivando apresentar uma proposta de projeto de lei para que os hospitais públicos tivessem autonomia financeira para a compra de material, como por exemplo, fio de aço para cirurgias emergenciais que no mercado custa R$ 10,00, a unidade, e que para comprar há necessidade do governo promover licitação.
Somado ao que o líder do governo disse na posse de novos secretários, e ao que o professor Joca afirmou ao blog, constata-se que só a liberação de recursos para a melhoria do Walfredo Gurgel/Clóvis Sarinho por parte do governo federal, prometida pelo ministro Alexandre Padilha, não vai resolver o caos na saúde pública no estado, que como bem afirmou Joca, isso não é um problema somente do atual governo, mas vem de outros governos também.
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