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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
Está no Congresso em Foco
Uma acusação feita pelo líder do PR na Câmara, Anthony Garotinho (RJ) gerou um efeito cascata na Câmara, que levou à derrubada da sessão em que estava sendo votada a Medida Provisória 595/12, a chamada MP dos Portos, e poderá acarretar a perda da sua eficácia a partir da próxima semana.
O parlamentar fluminense chamou a medida provisória de “MP dos Porcos” e colocou em dúvida os interesses dos parlamentares na aprovação da proposta. Como consequência, deputados ameaçaram representar contra o parlamentar fluminense no Conselho de Ética e pediram o encerramento da sessão.
Garotinho subiu à tribuna e primeiro questionou o trabalho do deputado Milton Monti (PR-SP), indicado por ele mesmo para compor a comissão mista responsável por analisar a MP dos Portos. Por isso, entregou a liderança ao próprio Monti e disse que não poderia liderar a bancada em um processo que não concordava. Depois, disparou: “Não votarei nessa emenda aglutinativa. Essa emenda aglutinativa deveria ter outro nome, outro nome. Esta MP não é dos portos, é dos porcos. Essa MP não está cheirando mal não, como disse alguém aqui. [Ela] É podre”, disparou.
Eduardo Cunha era o possível alvo
O pronunciamento de Garotinho ocorreu quando os deputados votavam nominalmente um requerimento de retirada de pauta da MP. Como ato contínuo, líderes subiram à tribuna para contestar as declarações do líder do PR. O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), destacou que Garotinho olhava para o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), quando fazia as acusações de corrupção na votação da MP. Cunha é autor de uma emenda aglutinativa na MP dos Portos.
Por sua vez, Eduardo Cunha pediu a instalação de um procedimento no Conselho de Ética da Casa contra Garotinho. “Mostre os seus interesses. Não venha macular a honra de todos que aqui estão. Não estamos aqui para atacar a honra dos outros a troco de nada. Todos que aqui estão passaram pelo crivo da ficha limpa. Todos são homens de bem”, afirmou Cunha, anunciando que seu partido representará contra Garotinho no Conselho de Ética.
Garotinho rebateu: “Eu serei o primeiro a assinar. Terei o maior prazer de dizer na Comissão de Ética o que sei sobre esta sessão. Não retiro uma palavra do que disse aqui. Uma palavra! Pegaram uma MP séria e transformam num monstrengo com essa emenda aglutinativa. É a medida da esperteza, do negócio”. O deputado do Rio, no entanto, fez questão de isentar o deputado Milton Monti de qualquer acusação. “Não fiz nenhuma acusação pessoal a ele.”
Garotinho chegou a ser interrompido pelo deputado Beto Albuquerque (RS), líder do PSB, que cobrava acusações mais claras do congressista do Rio de Janeiro. “Vestiu a carapuça quem quis”, devolveu Garotinho, que foi classificado de “patético” pelo gaúcho. Outros líderes, como Rubens Bueno (PPS-PR) e André Figueiredo (PDT-CE), pediram explicações ao colega do Rio. Queriam que ele dissesse os nomes dos parlamentares que teriam interesses escusos na aprovação da proposta.
Só não vê quem não quer a ingerência política do Planalto sobre a atividade parlamentar. A usurpação das prerrogativas do Legislativo pelos interesses escusos inconfessáveis do Executivo. Da votação do Código Florestal à indicação de diretores para agências reguladoras, tudo foi assim, goela abaixo do Congresso. Percebe-se claramente por que o Brasil nunca vai ter uma reforma política digna desse nome. O perfil dos congressistas não o recomenda.