O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.
Arquivos
Links Rápidos
Categorias
E-book
O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.
Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
IstoÉ
Como o ministério público protegeu tucanos
Apareceu um escândalo dentro do escândalo de corrupção em contratos de energia e transporte sobre trilhos de São Paulo que atinge em cheio os governos do PSDB. IstoÉ descobriu que o procurador Rodrigo de Grandis engavetou desde 2010 não apenas um, como se divulgou inicialmente, mas oito ofícios do Ministério da Justiça com seguidos pedidos de cooperação feitos por autoridades suíças interessadas na apuração do caso Siemens-Alstom. Ao longo de três anos, De Grandis também foi contatado por e-mail, teve longas conversas telefônicas com autoridades em Brasília e solicitou remessas de documentos. Na semana passada, soube-se que, devido à falta de cooperação brasileira, o Ministério Público suíço decidiu arquivar a investigação contra três dos acusados de distribuir propina a políticos tucanos e funcionários públicos. Em sua única manifestação sobre o caso, De Grandis alegou que sempre cooperou e só teria deixado de responder a um pedido feito em 2011, que teria sido arquivado numa “pasta errada”. Mas sua versão parece difícil de ser sustentada em fatos.
Época
Nunca o consumidor teve tanto poder quanto na era digital
Quer brincar de arqueólogo? Basta ler artigos sobre reclamações de consumidores ao longo das últimas décadas. Embora a publicidade paga tenha nascido no século XIX e o marketing no início do século XX, só a partir dos anos 1960 as empresas passaram a tentar aplicar alguma ciência ao tratamento individual de cada freguês. Elas passaram a estudar o tema por causa da onda anticonsumismo que percorreu os Estados Unidos, no embalo do movimento hippie. Naquela época, o cliente que quisesse falar com a empresa tinha de obedecer a regras criadas por ela. À medida que ganhavam força os embates por direitos de mulheres, negros, gays e outros grupos organizados, consumidores passaram a querer outro tipo de tratamento. O cidadão desejava que as empresas o ajudassem a ter “água pura, ar puro, proteção ao consumidor, produtos seguros e controle ambiental” e rejeitava a “entediante mesmice” dos produtos, nas palavras de Margaret Graham, professora de administração na Universidade McGill, nos Estados Unidos, e uma das autoras de A origem das corporações.
À medida que nos embrenhamos na caverna escura da pré-história do direito do consumidor, encontramos alguns sinais das mudanças que estavam por vir. Aproxime sua lanterna e leia algumas delas. Em 1970, alguns manuais de gestão ensinavam que um perigo para a empresa era não aprender nada com reclamações, já que o cliente insatisfeito poderia sofrer em silêncio por um tempo e, subitamente, trocar a empresa por uma concorrente. Em 1981, receber poucas reclamações era visto como um sinal ambíguo: podia mostrar que o produto satisfaz. Ou o contrário: que os clientes estão tão irritados que nem se incomodam em se expressar para tentar melhorar a empresa. Na década seguinte, surgiam pequenos sinais de mudança: consumidores insatisfeitos eram encorajados a comunicar suas reclamações aos representantes da companhia por telefone. Os consumidores ganhavam voz, e as empresas começavam a se aproveitar das sugestões para aprimorar seus serviços. Mesmo com a difusão dos computadores pessoais e da internet naquele período, os homens das cavernas no mundo do atendimento ao cliente não percebiam o asteroide que vinha em sua direção.
CartaCapital
Na rota da qualidade
por Mino Carta
Quem supõe a agonia da mídia impressa não percebe que a garantia da permanência está no jornalismo honesto, na análise independente e na reportagem investigativa
Segunda 28 realizou-se a já tradicional festa de CartaCapital, destinada a entregar os prêmios das empresas e dos empresários mais admirados no Brasil e a celebrar, com o atraso de dois meses, também tradicional, o aniversário da revista, no caso o décimo nono. Como se deu desde o começo do seu mandato, contamos com a presença, muito honrosa para nós, da presidenta Dilma Rousseff. A cobertura do evento está nesta edição e uma edição especial nas bancas.
Limito-me aqui a comemorar uma trajetória de longo curso: dezenove anos não é pouco, tanto mais para uma publicação que rema contracorrente e se defronta com um critério dito técnico cultuado por quem valoriza as tiragens sem atentar para a importância da audiência. Diga-se que a busca de tiragens cada vez mais elevadas, e nem tanto, levou o jornalismo brasileiro a uma indiscutível decadência. A partir da ideia nefasta: o público é primário, talvez monoglota.
A mídia nativa esforçou-se para baixar o nível, na firme determinação de despencar de estágios bem mais altos, atingidos décadas atrás, ao menos do ponto de vista formal. O Brasil contou com jornalistas notáveis, que não foram solitários na prática da boa escrita. A operação a favor da mediocridade foi, porém, vitoriosa, e os profissionais mergulharam nos redemoinhos que haviam provocado. Confrontado com o jornalismo dos países do ex-Primeiro Mundo, o nosso dá pena.
Ouço e leio, de uns tempos para cá, que a mídia impressa está em xeque diante do avanço avassalador da tecnologia. Verdade factual: somos alcançados diariamente por um alude de informações, onde quer que nos encontremos, a agravar a situação criada pelo advento, antes do rádio, depois da televisão. Quem esperava pelo jornal diário para saber das novidades hoje verifica logo de manhã que já sabe de tudo.
Na noite de segunda passada, ao dar as boas-vindas à festa de CartaCapital, arrisquei-me a dizer que para a mídia impressa há saídas, até bem convenientes, para ela e seus leitores. Trata-se de partir, com o devido destemor, para o rincão feliz da qualidade. Pertenço a uma geração de jornalistas voltados dia e noite à tarefa de ilustrar o público. De iluminá-lo. No Brasil, andamos no sentido oposto, embora seja justo acentuar que o problema da concorrência tecnológica abarca o mundo todo. E esta também é verdade factual.
Não é preciso inquirir os botões para entender que significa qualidade. Ou, por outra: além de honesto, atrelado ao interesse dos leitores em lugar daquele da casa-grande e afeito ao melhor emprego do vernáculo, o jornalismo haverá de percorrer os dois atalhos que as circunstâncias lhe oferecem. O primeiro, da análise, competência de quem dispõe de autoridade e cultura, donde de credibilidade, não para pretender a concordância do leitor, habilitado, contudo, a contribuir para que o próprio forme livremente sua opinião.
O segundo, da informação exclusiva, o furo, como se diz na linguagem das redações. Trata-se da notícia que somente alguns profissionais conseguem colher, fiéis da chamada reportagem investigativa, há tempo abandonada pela mídia nativa, a bem de telefones e computadores e da aposentadoria dos perdigueiros da informação. CartaCapital rema contracorrente, como disse acima, mas na convicção de que este exato rumo leva à permanência da mídia impressa. O amanhã avisa: as tiragens perdem sentido, em proveito de um jornalismo dirigido a plateias restritas, no entanto decisivas. Diziam os sábios da antiga Roma: verba volant, scripta manent, as palavras voam, a escrita fica.
O neoliberalismo alargou a distância entre ricos e pobres, o avanço da tecnologia ameaça alargá-la entre letrados e iletrados. Corremos o risco de recriar, pelas rotas deste progresso, uma Idade Média cultural, a exprimir altíssimas e crescentes taxas de superficialidade, quando não de ignorância. Não ouso, porém, perguntar a respeito aos meus botões, por ora não quero alongar-me no assunto.
Deixe uma resposta