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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial

Editorial

O strike de Robinson e Fátima nas oligarquias 

A derrota nas urnas ontem do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), para o vice-governador Robinson Faria (PSB), na disputa em segundo turno para o governo do Rio Grande do Norte, tem um significado muito mais amplo. A derrota de Henrique que tinha em seu palanque sete ex-governadores, três senadores e um ministro de Estado, representou o fim da hegemonia dos clãs que sempre dominaram a política papa-jerimum.

O bônus dessa maiúscula vitória com quase 900 mil votos obtidos nas urnas – mais de 877.196 mil – por Robinson deve ser creditado também a deputada federal Fátima Bezerra (PT) que se elegeu senadora ao lado de Robinson, derrotando a vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), considerada praticamente imbatível antes da campanha se iniciar.

Ninguém, absolutamente ninguém no Rio Grande do Norte, desde os mais experientes analistas políticos até o mais radical militante do PT ou do PSD imaginava que Robinson e Fátima juntos pudessem fazer enfrentamento a uma aliança tão poderosa politica e economicamente quanto a que Henrique e Wilma firmaram. Henrique, o “todo poderoso” presidente da Câmara e Wilma, três vezes prefeita de Natal e duas vezes governadora do estado, acompanhado de caciques “macacos velhos” na política potiguar, já se imaginavam vencedores do pleito antes mesmo da campanha começar. Mas, como diria aquela propaganda, eu teria afirmado pra eles: “sabe de nada inocente”!

Pois foi exatamente a “inocência” de Henrique Alves e Wilma de Faria que os levou a derrota, ou seja, por acreditar que todo o potencial político e econômico da aliança que firmaram lhes garantiriam a vitória. Já no primeiro turno isso ficou claro que não era bem como eles pensavam. A deputada Fátima Bezerra, preterida por Henrique para ser a sua candidata ao Senado, derrotou Wilma de Faria, a predileta de Henrique Alves, e Robinson foi ao segundo turno.

É verdade que os votos do professor Robério Paulino (Psol), com quase 10% de aceitação nas urnas contribuíram para Robinson ir à disputa final com Henrique. Mas é verdade também que estes votos no segundo turno migraram para o candidato do PSD. Da mesma forma também é verdade que Mossoró, segundo maior colégio eleitoral do estado contribuiu sobremaneira para a vitória de Robinson, sobretudo pelo desempenho do prefeito Francisco José Júnior e da própria governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que passou a ver no presidente da Câmara, antes seu aliado, um desafeto político, pois que contribuíra para que o senador José Agripino Maia, presidente do seu partido, derrubasse o seu projeto legítimo de ser candidata a reeleição.

Fato é que somado ao alto índice de rejeição de Henrique Alves e aos escândalos relembrados nos programas eleitorais dos governos Wilma, Robinson e Fátima conseguiram um fato inédito, até então, na política do Rio Grande do Norte. Destronar de uma única vez, como se fosse um strike – jogada no boliche onde se derruba todas as peças de uma só vez – todas as oligarquias papa-jerimum.

Foram banidos da política, ao menos nos próximos quatro anos, além de Henrique Alves e Wilma de Faria, as deputadas federal Sandra Rosado (PSB) e a sua filha deputada estadual Larissa Rosado (PSB) e o deputado Leonardo Nogueira (DEM), casado com a ex-prefeita de Mossoró, Fafá Rosado, que tentou ser deputada federal e não obteve êxito nas urnas. Efeito Rosalba Ciarlini, eu diria com toda certeza.

Além disso, a reeleição da presidenta Dilma Ruosseff sepultou o sonho de Agripino Maia, que foi coordenador nacional da campanha tucana, de ser ministro de Estado, como se cogitava, acaso Aécio Neves fosse eleito presidente, não descartando ainda Henrique Alves ocupar uma estatal, já que se diz amigo pessoal do neto de Tancredo Neves. Naturalmente se o tucano tivesse sido eleito Henrique não iria ficar sem emprego. No entanto, pelo menos no Rio Grande do Norte, Henrique Alves terá que aprender a ser oposição, coisa que ao que parece não está acostumado a ser.

O estrago causado pelo strike de Robinson e Fátima nas oligarquias do Rio Grande do Norte foi grande sob todos os aspectos. Vai depender agora só de Robinson deixar com que as garrafas de boliche das oligarquias sejam levantadas para um novo jogo.

A conferir!

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2 Responses to Editorial

  1. Eridan Nóbrega disse:

    Excelente Editorial! Parabéns!

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