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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial

Editorial

aroeira3 (1)Concordo com o que diz hoje o jornalista Josias de Souza em seu blog sobre a Lava Jato: extorsão e caixa 2 são empulhações. Segundo Josias, “quando ouvir alguém vinculando a roubalheira na Petrobras ao caixa dois eleitoral ou à tese de extorsão, cuidado com a carteira. A primeira desculpa é novamente invocada por políticos e autoridades. A segunda começou a ser utilizada por executivos de empreiteiras. Ambas, por esfarrapadas, não param em pé”.

E é verdade! Ao que Josias de Souza disse acrescento mais, dizendo que logo que estourou o escândalo figurões da República denunciados pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, como supostamente envolvidos no caso, disseram que mantinham com ele apenas relações institucionais. Ou seja, outra empulhação tendo em vista que tais relações institucionais, se fossem verdade, não teriam desviados bilhões da estatal do petróleo.

A Lava Jato trata-se de um poço de piche onde estão mergulhados, todos juntos, empreiteiros, políticos, autoridades e alguns ex-diretores da Petrobras. Dizer o contrário é não querer enxergar a realidade. E o pior de tudo é que esse poço de piche não é de agora, não é do governo Dilma, apenasmente, vem de outros carnavais, todos sabem disso.

Repetindo ainda o jornalista Josias de Souza em seu artigo, “o conteúdo dos depoimentos de delatores e o papelório colecionado pelos investigadores apontam para a formação de um cartel de empreiteiras na Petrobras. Mandavam e, sobretudo, desmandavam no orçamento e na distribuição das obras encomendadas pela estatal”.

Seria isso uma novidade, como alguns plantam ser? Não, caro leitor, infelizmente não. A Petrobras que hoje é um poço de piche sempre foi um poço de bondades, sobretudo para as empreiteiras e políticos corruptos de várias matizes partidárias.

Recordemos, pois, o que disse o empresário  Fernando Antonio Soares Falcão, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de propinas e corrupção na Petrobras, à Polícia Federal na última sexta-feira (21), declarando que começou a fazer negócios com a estatal ainda no governo tucano de FHC em 2000

Por volta do ano de 2000, ainda durante a gestão Fernando Henrique celebrou um contrato com uma empresa espanhola, de nome Union Fenosa, visando a gestão de manutenção de termelétricas”, afirmou à PF. Segundo ele a empresa acabou sendo contratada.

Não só isso. Na sexta-feira (21), também, em artigo publicado na Folha, o empresário Ricardo Semler, que se declara tucano, disse textualmente que ““nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito. Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.”

Já o Jornal do Brasil, datado idem do dia 21, diz que  “a Operação Lava Jato vem gerando surpresas em alguns brasileiros. A existência de casos de corrupção na estatal, contudo, não se trata exatamente de uma novidade. Diferentes casos já ganharam diferentes espaços na mídia. De acordo com o Ministério Público Federal, o esquema criminoso investigado pela Operação Lava Jato atua na estatal pelo menos desde 1999. Relatos dão conta, contudo, de que esse histórico seria mais longo, na empresa fundada em 1953 e que construiu sua primeira plataforma móvel de perfuração em 1968”.

E completa:

Há quinze anos, durante o governo de FHC, “ocorreu o mais ruinoso negócio da história da empresa: uma troca de ações entre a estatal brasileira e a espanhola Repsol”, lembra Paulo Moreira Leite, em artigo publicado no início da semana no Brasil 247. A Petrobras entrou com bens avaliados em US$ 3 bilhões, recebeu US$ 750 milhões, em um prejuízo quatro vezes maior do que a usina de Pasadena. O processo parado no STJ, porém, não apontou responsáveis nem condenou ninguém.

Como se observa, o poço de piche é muito mais profundo do que se imagina.

Charge: Aroeira, no Brasil Econômico

 

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One Response to Editorial

  1. Paulo Sergio Martins disse:

    Crime é crime aqui e alhures, seja na primeira ou terceira pessoa. E a desvirtude alheia não justifica a própria falta de franqueza e de retidão – a não ser por sinuosa lógica de máfia.

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