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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
Um país literalmente dividido. Aonde vamos parar?
No início de fevereiro escrevi um Editorial sob o título “Nuvens sombrias sobre Brasília”, onde dizia que desde Fernando Collor – que sofreu impeachment – que o nosso país não enfrentava momentos tão tenebrosos. E citava até um artigo do jornalista Mino Carta que falava que “a torre de babel, emblema de uma ciclópica confusão, vale como metáfora da situação do Brasil neste exato instante”. Clique aqui para conferir.
Retomo o assunto – agora já após o Carnaval – para demonstrar a minha preocupação quanto aos rumos que o país está tomando. Ainda neste final de semana a IstoÉ, em reportagem de capa diz que “O caldeirão social está fervendo” em meio a brigas de militantes nas ruas, paralisações de rodovias por caminhoneiros, greves de metalúrgicos e professores e uma população cada vez mais revoltada com o aumento do desemprego e do custo de vida. E o pior: essa briga tem sido alimentada nas redes sociais pelos que são contra o governo e os que defendem a presidenta Dilma.
Fato é que as discussões tanto nas ruas quanto nas redes sociais vêm se acirrando e temos hoje um país literalmente dividido. Aonde vamos parar? É a pergunta que faço e que não quer calar. Temo por uma convulsão social, quando vejo o acirramento dos ânimos que já começa a extrapolar os limites da razão, pois que nesta intriga entre os que querem o impedimento da presidenta Dilma e os que defendem a sua permanência no poder, não tem grau de escolaridade e muito menos classe social. Percebe-se, nisso tudo, que até amizades correm o risco de se desfazer tal é a paixão irracional de alguns como se estivéssemos diante de uma “Guerra de Secessão” (guerra civil americana) ou até mesmo da “Queda da Bastilha” na França, que culminou com a Revolução Francesa.
Os políticos, estes, alimentam por sua vez essa briga intermitente, quando sabemos que a causa disso tudo são eles mesmo. Os escândalos envolvendo a classe política semana sim outra sim ecoam nos quatro cantos deste Brasil varonil. Já disse uma vez e repito: desde que o Brasil virou uma República o problema do nosso país não são os governos como instituição, mas sim os corvos da política, sejam eles da situação ou da oposição. Todos calçam 44 bico largo.
A título de exemplo do que estou dizendo, no início de dezembro o jornalista Lauro Jardim anotou em sua coluna Radar on-line, reproduzida aqui no blog, o seguinte:
– Nestes tempos de Petrolão, muita gente andou se lembrando de Paulo Francis e suas denúncias de roubalheira na Petrobras.
A história todo mundo conhece: em um Manhattan Connection, num longínquo 1996, Paulo Francis detonou a Petrobras, então presidida por Joel Rennó no governo FHC, e foi processado por isso.
Atribui-se ao processo milionário impetrado em Nova York por Rennó e alguns diretores da estatal o estresse que levou ao infarto de Francis no ano seguinte. No programa, Francis mandou ver. Disse que “os diretores da Petrobras põem dinheiro na Suíça”; que “roubam em subfaturamento e superfaturamento”; e finalizou: é “a maior quadrilha que já atuou no Brasil”.
Percebeu, caro leitor, onde quero chegar? O brasileiro está brigando por corruptos que não estão nem aí para a sociedade. Me reporto novamente ao sociólogo Alberto Carlos Almeida, diretor do Instituto Análise, que publicou um artigo na semana passada no Valor Econômico, onde dizia:
– Hoje são mínimas as chances de que Dilma sofra o impeachment. Mas o problema é outro: a possibilidade permanentemente colocada tende a enfraquecer o governo. É tudo que os deputados querem. Nada melhor para a Câmara e para o Senado do que um governo fraco. Quanto mais fraco ele for, mais se consegue dele.
Finalizo citando o jornalista Ricardo Boechat que afirmou:
– Não tenho dúvida de que as forças do PT e aliados e as forças de oposição no Congresso envolvidas no esquema da Petrobras, tudo que eles querem é que se dê de fato a impressão de que estamos diante de um conflito de natureza política e não criminal.
Portanto, será que vale a pena ir pras ruas e brigar por político A ou B? Será que vale a pena acabar com amizades por defender político A ou B? Será que se hoje o presidente da República fosse Aécio Neves o país estaria maravilhosamente bem? Ora,ora, ora. Todo político calça 44 bico largo, caro leitor. São todos iguais, com raras exceções. Lembrai-vos de Paulo Francis.
Aonde vamos parar?
A conferir!
Isto é um excelente editorial, uma análise bem completa da situação difícil que enfretamos.
Obrigado, Teo. Sei que você apesar de morar fora do Brasil tem acompanhado o que vem ocorrendo. Me preocupa muito a atual situação e temo pelo pior. Já vivenciamos outros filmes antes e sabemos como acabam.
Então fica a duvida. Sair as ruas para protestar ou ficar em frente a TV vendo o que acontece?
Respondendo a sua pergunta, Sérgio. Acho um direito do povo ir as ruas protestar, mas de forma ordeira, o que a gente sabe perfeitamente que não vem ocorrendo nas últimas manifestações. Isso dá motivos para acontecer o que ouvis nos áudios que você me passou.