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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
por Francisco Borba, em O Globo
Cada vez mais solto no domínio do idioma português, o papa Francisco vai improvisando, interagindo com os jovens e imprimindo seu estilo peculiar à JMJ. Na festa da acolhida, primeiro encontro oficial do Papa com os peregrinos, sua mensagem foi marcante em termos de propor uma “fé revolucionária”, numa afirmação que está sendo repercutida por toda a mídia mundial.
Muito se discutiu, no período que antecedeu a JMJ, se nela o Papa faria alguma coisa para enfrentar a perda de fiéis da Igreja Católica na América Latina e no Brasil. Bem, independentemente do que vem por aí, hoje ele deu sua resposta a esta questão. O problema dos cristãos, sejam eles de qual denominação forem, não é o proselitismo ou a porcentagem de pessoas na população que dizem professar a mesma fé que eles. O problema dos cristãos é viver esta fé que realiza uma “revolução copernicana”, porque nos tira do centro e põe Deus nele.
Ora, num mundo individualista como o nosso, esta afirmação pareceria exatamente aquela que afastaria os jovens da fé. Hoje em dia, todos querem ser o centro de tudo, quem vai querer perder a centralidade na própria vida? Resposta: a pessoa que vive uma grande paixão, porque para o apaixonado verdadeiro o centro da vida é o objeto da paixão. Francisco, quando proclama esta revolução copernicana proclama uma vida dominada por uma grande paixão.
Por que as pessoas se afastaram da Igreja Católica? Não foi por escândalos de corrupção, por padres insensíveis e distantes, nem porque a Teologia da Libertação foi perseguida ou até mesmo porque a moral católica é muito rígida. Tudo isso pode ter sua parte de culpa no processo, mas a razão mais importante é porque seus jovens deixaram de encontrar adultos apaixonados pela fé, homens e mulheres que realizaram esta “revolução copernicana” – não por moralismo ou imposição social, mas porque descobriram um amor tão grande que justificava este sair do centro da própria vida para que Outro entrasse.
Francisco tem um impressionante “jogo de cena”. Sua habilidade de comunicador se equipara à do carismático João Paulo II. Mas suas palavras são duras: condena como ídolos a uma série de ideais que são típicos de nossa sociedade, que orientam a vida da maioria das pessoas, que até mesmo os pais apresentam aos filhos, como riqueza, poder e sucesso. Esta dureza de suas palavras é acolhida entusiasticamente pelos jovens não por uma capacidade comunicativa, mas sim pela percepção de uma autoridade moral que só nasce em quem é sincero, em quem proclama com a boca aquilo que está no coração e é praticado pelo corpo.
Esta fé revolucionária encontra eco em milhões de jovens católicos no mundo e a JMJ é o lugar simbólico de encontro entre eles. A Igreja está perdendo fiéis? Estatisticamente sim. Mas a contabilidade de Deus com certeza se baseia em corações e não em declarações num questionário de censo. Por isso, é para o coração destes jovens que a Igreja e o papa se voltam.
E neste diálogo entre os velhos Papas apaixonados e os jovens igualmente apaixonados, a Igreja vislumbra seu futuro com otimismo e confiança.
* Francisco Borba é sociólogo, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC de São Paulo e é editor da revista internacional “Communio”, fundada pelo cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Emérito Bento XVI
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