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China defende `não interferência´ após EUA classificarem PCC e CV como terroristas

Está no Brasil 247

Por meio de Mao Ching, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, a China [1] defendeu a “não interferência” quando questionada sobre a classificação das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos EUA.

Ching afirmou, nesta sexta-feira (29), que a China defende “consistentemente” que não haja interferência em assuntos internos de outros países. A informação foi divulgada pelo Global Times, diário sob a supervisão do People’s Daily, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês.

A China confirmou que Mauro Vieira [2], chanceler brasileiro, a convite do Ministro das Relações Exteriores Wang Yi, fará uma visita oficial ao país de 31 de maio a 2 de junho.

▶️ Contexto: As duas facções foram designadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” [3] e, a partir de 5 de junho, também serão classificadas como “Organizações Terroristas Estrangeiras” [3].

Ainda em janeiro, antes do anúncio da classificação, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos [4] publicou a nova “Estratégia Nacional de Defesa dos EUA”, com o objetivo de assegurar plena dominância militar e comercial “do Ártico à América do Sul”.

No documento, os Estados Unidos afirmam que estão dispostos a colaborar com países do continente americano. Por outro lado, alertam que podem optar por ações militares [5] onde e quando julgarem que os interesses norte-americanos não estão sendo atendidos.

Quando a estratégia foi anunciada, o Departamento de Guerra usou como exemplo a operação militar que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro [6] — acusado de comandar o Cartel de los Soles, considerado terrorista pelos EUA.

Segundo o documento, os Estados Unidos buscarão “paz por meio da força”. O lema vem sendo usado pelo governo Trump desde o início do segundo mandato do republicano. O combate ao chamado “narcoterrorismo” tem papel central nessa estratégia.

Estratágia de política externa

Em dezembro de 2024, a Casa Branca divulgou outro documento para traçar a nova Estratégia de Política Externa. Nele, o governo Trump indicou que passaria a focar mais na América Latina [7] e deixaria outras questões globais para aliados ao redor do mundo.

Segundo a estratégia, os Estados Unidos vão passar a reajustar a presença militar em outros países para enfrentar “ameaças urgentes” no hemisfério ocidental. Os objetivos estariam ligados a questões de segurança nacional.

O documento afirma que o realinhamento militar na América Latina se baseará em três elementos principais:

  1. ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, combater imigração ilegal e reduzir o tráfico de drogas e de pessoas;
  2. reforçar a proteção das fronteiras e intensificar o combate aos cartéis de drogas, incluindo o uso de força letal em alguns casos;
  3. estabelecer ou ampliar o acesso dos EUA a locais considerados estratégicos na região.

A estratégia diz ainda que os EUA buscam “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental”, com uma “retomada poderosa” da influência sobre a região. O foco seria o combate ao avanço chinês pela região.

“Negaremos a competidores de fora do Hemisfério a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos de importância estratégica em nosso Hemisfério”, afirma o documento.

Segundo a estratégia, o governo Trump avalia que a influência de alguns países sobre a América Latina “será difícil de reverter”. Ainda assim, os EUA apostam no fato de que, muitas vezes, essa relação ocorre mais por interesses comerciais do que por alinhamento ideológico.

PCC e CV no radar

Em comunicado, os EUA afirmaram que CV e PCC estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e disseram que os grupos “comandam milhares de integrantes” e são responsáveis por “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas e civis.

Em uma rede social, o secretário Marco Rubio afirmou que a atuação das facções ultrapassa as fronteiras brasileiras e alcança outros países da região e os Estados Unidos.

“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas”, escreveu.

O governo americano disse ainda que a medida reforça o compromisso da administração Trump de “desmantelar cartéis e organizações criminosas” na região.

Nos bastidores, o governo Lula atuava para tentar impedir que os Estados Unidos adotassem a medida.

Uma fonte ouvida pelo repórter Guilherme Balza, da GloboNews, afirmou que o governo brasileiro não foi avisado da medida.

Foto reproduzida da Internet

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