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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Artigo

Com divisão, vamos pavimentar o caminho da derrota

por José Dirceu

Não dá para deixar de escrever sobre eleições, mas, contrariando a toada da grande mídia que diz que o PT e Bolsonaro foram derrotados, os dois extremos, os radicais, a realidade é outra. Primeiro porque o PT é o que sempre foi, um partido de esquerda, socialista, que nos governos e no Parlamento, na luta democrática e social, sempre se aliou e constituiu governos e lutas de centro-esquerda. Segundo porque, se é verdade que Bolsonaro não elegeu, de maneira geral, seus candidatos, também é verdade que os partidos que apoiam seu extremismo autoritário, obscurantista e fundamentalista cresceram e muito. Quem dominou o resultado foram os partidos de centro-direita: PSDB e MDB, que perderam muito mas continuam grandes, e o DEM que se recuperou. 

O chamado centrão, com destaque para o PSD, PP e PL, cresceu, apoiado na máquina e no dinheiro. Todos, com raras exceções, fizeram uso do arsenal de fakes news, obscurantismo religioso e baixaria do bolsonarismo, principalmente contra o PT. É bom sempre lembrar o derrame de recursos, caixa dois, compra de voto de forma nunca vista com o DNA das emendas impositivas. Nossa esquerda teve altos e baixos. O PT se manteve e retomou a iniciativa, saiu às ruas, expôs sua cara e identidade e lutou bravamente, principalmente sua militância. Fez o que pode depois de anos submetido à uma verdadeira guerra de cerco e aniquilamento. O PSB perdeu, apesar da vitória em Recife; o PDT também encolheu, mas registrou a vitória em Fortaleza. O PCdoB continua sua luta para superar a cláusula de barreira. 

Uma das novidades dessa eleição municipal, ao lado do fim da proporcionalidade e da tragédia da pandemia que não deve ser subestimada na avaliação eleitoral, foi o fim dos programas partidários, o exíguo e controlado tempo de TV e rádio. Na prática, o fim dos debates, que prejudicou muito o PT e a esquerda, submetidos a uma censura implacável na grande mídia, leia-se Rede Globo.

Uma leitura com olhar nas pesquisas – e não apenas no resultado eleitoral – nos mostra que a rejeição e a reprovação de Bolsonaro cresceram no país, principalmente nas capitais, com as exceções de sempre. Os resultados das eleições apontam para sua possível derrota em 2022 num segundo turno e não para sua vitória, desde que a centro-direita não o apoie. Ainda que Bolsonaro se filie a um partido do centrão não é impossível derrotá-lo, se as esquerdas, mesmo com vários candidatos no primeiro turno, se unirem. Sempre há o risco de um segundo turno entre o bolsonarismo e os liberais de direita. Mas se Bolsonaro vai ao segundo turno com a esquerda e ela se une, venceremos, não repetindo 2018 quando Ciro-PDT se omitiram. No cenário de união das esquerda e centro-esquerda é bastante improvável que o povo dê um segundo mandato ao bolsonarismo.

Olhando os dados, salta à vista que o país não é conservador, como dizem muitas das avaliações publicadas. O povo aposta no progresso e na justiça social. Tanto é assim que mesmo a centro-direita teve que incorporar, em seu discurso, a questão social social e defender a política e a democracia. Ainda que possa ser uma defesa apenas retórica.

*José Dirceu é ex-deputado e ex-ministro de Estado

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