- blogdobarbosa - https://blogdobarbosa.jor.br -

Editorial

A visão cartorial da velha mídia [1]

Por Luís Nassif

Qualquer forma de defesa da produção interna brasileira sempre foi tratada como cartório pela mídia. Reservas de mercado, aumento de alíquotas de importação. Até a decisão de construir navios no Brasil foi taxada de anacrônica que comprometia a eficiência da economia. Na própria Constituição, decidiu-se tratar como empresa nacional qualquer multinacional instalada no país.

Qual a lógica, então, de se defender reserva de mercado para as novas mídia, ou mesmo para o capital externo na velha mídia? De um lado, revitalizarão o mercado de opinião, ao introduzir mais competição e romper com o cartel de opinião dos últimos anos. De outro, não consta que a velha mídia seja uma defensora de valores nacionais. Pelo contrário, tem uma visão estritamente internacionalista, considerando anacrônica qualquer defesa de interesses internos, tratando como atraso o conceito de Nação. Então, qual o problema da internacionalização no seu próprio mercado?

FIESP, CNI, Abimaq, IEDI, todas essas instituições foram sistematicamente marcadas como anacrônicas por defender o mercado interno para empresas brasileiras. E essa defesa nem era para a origem do capital da empresa, mas apenas para a produção interna – fosse de empresa de capital nacional ou internacional. Agora, no seu terreiro, a velha mídia se comporta de forma mais anacrônica do que aqueles que ela própria taxava de anacrônicos: é contra empresas estrangeiras vindo produzir notícias no mercado interno brasileiro.

Nos últimos anos, a cobertura jornalística mais isenta sobre o país foi produzido pela mídia estrangeira: BBC, Reuters, El País (apesar de seus interesses editoriais com os governos federal e de São Paulo), Le Monde, New York Times. Foi graças a essa visão externa, mais o trabalho da blogosfera, que se rompeu a cartelização da cobertura jornalística da velha mídia.

Compartilhe:
[2] [3]