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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
A PF e os `aloprados delegados´da Lava Jato
Quem não se lembra do chamado escândalo do dossiê na campanha presidencial de 2006, quando alguns integrantes do PT foram presos acusados de comprar um falso dossiê, de Luiz Antônio Trevisan Vedoin, com fundos de origem desconhecida. O dossiê acusaria o candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, José Serra, de ter relação com o escândalo das Sanguessungas.
O suposto plano seria prejudicar Serra na disputa ao governo de São Paulo, no qual seu principal adversário na disputa era o senador Aloizio Mercadante. Supostamente, não só Serra era alvo, pois também haveria acusações contra o candidato tucano à Presidência da República Geraldo Alckmin. As investigações e depoimentos dos suspeitos demonstraram que o conteúdo do dossiê contra políticos do PSDB era falso. A expressão usada pelo ex-presidente Lula para designar os acusados de comprar o dossiê, “aloprados”, notabilizou-se.
Pois muito bem: parece que “os aloprados petistas” fizeram escola. Na semana passada a repórter Julia Duailibi, do Estadão, revelou que os delegados federais responsáveis pela Operação Lava-Jato compunham uma espécie de comitê informal do candidato Aécio Neves à Presidência da República enquanto vazavam seletivamente para a imprensa dados do inquérito. Duailibi teve acesso a perfis restritos do Facebook, nos quais autoridades da Superintendência da Polícia Federal do Paraná agiam como os mais fanáticos ativistas da polarização política que marcou a campanha eleitoral.
Agora, não pra menos, o jornalista Lauro Jardim, colunista da Veja, informa que o uso do Facebook pessoal por delegados da operação Lava-Jato para manifestar apoio a Aécio Neves durante a eleição preocupa a cúpula da Polícia Federal.
– O receio é que a sindicância aberta pela Corregedoria no Paraná para investigar o caso mostre que algum deles teve um envolvimento político maior do que simples publicações nas redes sociais, o que poderia ser usado pelos advogados de defesa para tentar melar a operação. Os delegados e agentes envolvidos direta ou indiretamente na operação haviam sido alertados sobre a necessidade de tomar cuidado para que suas vidas pessoais não interferissem de forma alguma no resultado da operação.
Não só isso, os “aloprados delegados” , segundo informa o portal de O Globo, produziram uma lambança sem tamanho. Segundo divulga o portal, em resposta a questionamento da Justiça Federal do Paraná, a Polícia Federal informou nesta quarta-feira (19) que o nome do atual diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, foi citado por “erro” nos depoimentos de suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção que atuava na Petrobras. O esclarecimento foi prestado após o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, determinar que a PF esclarecesse se há alguma prova concreta do envolvimento do dirigente na organização criminosa. Na resposta, a instituição afirmou que “não há, até o momento, nos autos, qualquer elemento que evidencie a participação do atual diretor no esquema de distribuição de vantagens ilícitas no âmbito da Petrobras”.
Em audiências na segunda-feira (17) e no domingo (16) com pelo menos nove presos na Operação Lava Jato, a Polícia Federal afirmou que o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disseram que empreiteiras pagaram propina também para o sucessor de Costa na estatal, José Carlos Cosenza. A afirmação foi feita por dois delegados durante as nove audiências. Eles usaram as falas de Youssef e Costa para embasar uma pergunta que fizeram aos executivos e funcionários ligados a empreiteiras presos na sétima etapa da operação.
Não custa lembrar que os “aloprados delegados” as vésperas do segundo turno vazaram pra revista Veja, com exclusividade, um depoimento dado pelo doleiro Alberto Youssef. Dizia a reportagem capciosa da publicação da Abril com base em vazamento de “delegados aloprados”:
– De acordo com o doleiro ele foi convocado pelo então presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, para acalmar uma empresa de publicidade que ameaçava explodir o esquema de corrupção na estatal. A empresa queixava-se de que, depois de pagar de forma antecipada a propina aos políticos, tivera seu contrato rescindido. Homem da confiança de Lula, Gabrielli, segundo o doleiro, determinou a Youssef que capitasse 1 milhão entre as empreiteiras que participavam do petrolão a fim de comprar o silêncio da empresa de publicidade. E assim foi feito.
Aí vem a ilação da revista com base nas informações passadas pelos “aloprados delegados” quando ela mesma indaga:
– Gabrielli poderia ter realizado toda essa manobra sem que Lula soubesse? O fato de ter ocorrido no governo Dilma é uma prova de que ela estava conivente com as lambanças da turma da estatal?
A Veja mesmo responde as indagações:
– Obviamente, não se pode condenar Lula e Dilma com base apenas nessa narrativa. Não é disso que se trata. Yousseff simplesmente convenceu os investigadores de que tem condições de obter provas do que afirmou a respeito de a operação não poder ter existido sem o conhecimento de Lula e Dilma.
Passados quase um mês do segundo turno e da aloprada reportagem, cadê as provas que supostamente poderiam incriminar Lula e a presidenta Dilma?
Como se observa, nesta questão de aloprados entre petistas e tucanos não há diferença. Ou melhor, no caso dos tucanos os aloprados são delegados federais, o que é ainda pior.
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