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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial

Editorial

Contra fatos e contra evidências não há argumentos

É correto dizer que não se pode fazer pré-julgamentos de quem é acusado de algo e também é certo dizer que até prova o contrário todos são inocentes. Mas contra fatos e contra evidências não há argumentos.

Nos últimos meses a caixa de e-mails do blog tem recebido dia sim outro sim uma enxurrada de “notas de esclarecimentos” sobre pessoas e agentes públicos envolvidos em escândalos no Rio Grande do Norte. Falo das Operações Sinal Fechado – fraudes cometidas no Detran/RN – e Judas – desvio de recursos de precatórios no TJRN. E, isso, claro, é um artifício dos acusados na tentativa de prestar esclarecimentos à sociedade. Normal!

Hoje, por exemplo, George Olímpio – advogado, empresário e notório lobista, que segundo o MP seria o líder da quadrilha criminosa que promovia fraudes no Detran/RN e que iniciou a atuação criminosa por intermédio do IRTD/RN, presidido por sua tia Marluce Olímpio, que celebrou convênio com o Detran em 2008 e que em 2010 obteve a concessão do serviço de inspeção veicular no RN, tendo articulado e elaborado com outros membros da organização, de acordo com o MP, o Projeto de Lei e o Decreto governamental que instituíram a inspeção veicular no estado, bem como vantagem indevida (leia-se propina) e promessa de pagamento a agentes públicos e obtido a contratação emergencial fraudulenta da empresa Planet Business Ltda para a terceirização dos serviços, divulgou uma nota rebatendo as acusações de outro lobista, o Alcides Fernandes Barbosa, que em delação premiada denunciou todo o esquema da Sinal Fechado.

Diz a nota de George Olímpio divulgada através de sua assessoria:

– Todas as declarações, inclusive as que imputam práticas de corrupção a mim, ao senador Jose Agripino Maia e outras pessoas, repito que são mentirosas, desprovidas de provas concretas (justamente por serem devaneios de um Senhor em desespero) e se deram, única e exclusivamente para que o Sr. Alcides conseguisse a liberdade de sua prisão preventiva, ou ainda, pela quantidade de agentes políticos que aponta (sem uma única prova), talvez por cunho de perseguição política, o que já me foge à razão.

A nota segue dizendo que não houve pagamento de propina ou mesmo promessa ao senador José Agripino Maia ou qualquer outra pessoa, com ou sem a emissão de cheques do Banco do Brasil ou de outra instituição bancária. É fato público que fui investigado por mais de nove meses tendo meu sigilo bancário devassado pelo Ministério Público, o qual continua a ter acesso aos meus dados e informações de movimentação bancária e nesse sentido, desafio o Ministério Público Estadual ou qualquer pessoa (inclusive o Sr. Alcides) a comprovar a emissão de cheques, sua compensação ou sua entrega para fins ilícitos ou mesmo lícito a qualquer político ou agente público, o que repito, não passam de palavras de uma pessoa desesperada pela sua liberdade!

Devo dizer que corrupção não passa recibo, no entanto, deixa rastros.

Repito o que disse no início deste texto. Não se pode fazer pré-julgamento de quem é acusado por algo, mas contra fatos e contra evidências não há argumentos. Assim como a serventuária Carla Ubarana, presa acusada de ser a pivô num esquema de desvio de dinheiro de precatórios dentro do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, ao depor com detalhes sobre o desvio de dinheiro no Setor de Precatórios do TJRN, após acordar a delação premiada, esclareceu muita coisa aos promotores, me parece que Alcides Fernandes Barbosa fez o mesmo quando se referiu, por exemplo, como o presidente nacional do DEM teria recebido R$ 1 milhão para a sua reeleição de um esquema fraudulento montado no Detran do Rio Grande do Norte.

No depoimento ao MP, Barbosa afirma que o dinheiro teria sido entregue à Agripino Maia  no sótão de seu apartamento. Como Barbosa sabe que no apartamento de Agripino Maia tem um sótão, que na verdade não é sótão, mais sim um apartamento duplex de cobertura? Como Barbosa sabe que também o ex-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), recebeu também R$ 1 milhão e que a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) – ambos adversários políticos de Agripino Maia – tinha 15% de participação no esquema fraudulento? Seria isso devaneios? São detalhes que não se criam de uma hora pra outra. Contra fatos e contra evidências não há argumentos, caro leitor!

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