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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial

Editorial

De coxinhas, policiais e protestos

Um debate travado no twitter hoje de manhã com colegas me chamou a atenção para os argumentos contrários ao dizer que os Direitos Humanos, normalmente, não defendem policiais. Está sempre do lado contrário. É claro que como em toda profissão existem os bons e os maus policiais. Mas no caso das manifestações de rua que vêm ocorrendo país afora, o que se observa é que em todas elas há sempre um grupo de arruaceiros para provocar a desordem. E sempre ao final dos protestos pacíficos. Parece uma estratégia.

O debate foi provocado por ter colocado um vídeo no blog em que o comandante da PM do Rio de Janeiro disse que “Direitos Humanos não é para a Polícia”. E eu concordo! Clique aqui para ver o vídeo. Não tenho carta branca para defender PM. Mas também sei reconhecer que o trabalho da Polícia é manter a ordem. Não sou contra as manifestações de rua, desde que pacíficas, sem arruaças.

Desde a Copa das Confederações o Brasil vive um momento de insatisfação generalizada. Primeiro pelos gastos que os poderes públicos tiveram com o evento e que estão tendo ainda com a Copa do Mundo que se realiza no próximo ano. Segundo, o povo despertou para a realidade. Ou seja: se há dinheiro para bancar eventos esportivos sob o comando da Fifa, por que não há recursos para aplicar na saúde, educação e até na própria segurança do cidadão? A revolta das ruas é sobretudo com a classe política, independente de cor partidária ou ideologia – aliás, costumo repetir Cazuza quando falo de ideologia: quero uma pra viver.

Curioso é que os colegas que se posicionaram contra as minhas posições usam o argumento de que a truculência parte sempre da Polícia e não dos manifestantes, digo, baderneiros, ou “coxinhas” como estão sendo taxados. Fato é que “coxinhas’ ou não a sociedade é contrária a baderna. E como cidadão e jornalista também tenho esse ponto de vista.

Não tiro o direito dos estudantes irem a rua pedir o passe livre no transporte público. Não tiro o direito do carioca ir a rua pedir o impeachment do governador Sérgio Cabral. Não tiro o direito dos homossexuais protestarem contra a homofobia gay. Não tiro o direito de cobrarem cadeia para os mensaleiros. Não tiro o direito de se cobrar a moralidade no trato da coisa pública e punição aos corruptos. Isso tá na pauta dos protestos. O que não está na pauta dos protestos é a baderna, a destruição do patrimônio público, os saques a lojas, as agressões com coquetel molotov. Isso eu sou radicalmente contra. Podem até me chamar de reacionário, mas defendo neste caso a ação da Polícia. Se fizerem hoje uma pesquisa garanto que a maioria da sociedade pensa como eu.

Bom que se diga que as Polícias estão sobre o comando dos governantes. Seja ele de direita ou de esquerda. Se tentarem depredar o Palácio do Planalto a presidenta Dilma não vai recusar a força policial, certamente que não.

Não custa lembrar, sem querer transformar o texto num pensamento ideológico, mas apenas a título de ilustração, que ao longo da história soviética, milhões de pessoas se tornaram vítimas da repressão política , que foi de vários graus um instrumento da política interna da extinta URSS desde os primeiros dias da Revolução de Outubro. Teve o seu ponto mais alto durante a era stalinista, mas ainda existia durante o período de relaxamento da censura, de Nikita Khrushchev, seguida por um aumento na perseguição de dissidentes soviéticos durante a estagnação breshneviana e não deixou de existir mesmo durante a perestroika ( “reestruturação” político-economica) e  glasnot (“abertura” de informações), lançada por Mikail Gorbachev. O legado resultantes da repressão política ainda influenciam a vida da atual Rússia  pós-comunista.

No primeiro momento, a base teórica da repressão foi a visão marxista da luta de classes e a consequente noção da ditadura do proletariado.

Onde ficam na nossa realidade os coxinhas e os policiais?

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