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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial

Editorial

Mais Alves do que Carlos Eduardo, impossível. Que usem outros argumentos!

Tenho lido opiniões e comentários de colegas simpatizantes do PT a respeito da posição que o partido deve adotar neste segundo turno das eleições em Natal. Confesso surpreso com a forma que estão tratando o assunto na defesa do candidato Carlos Eduardo Alves (PDT).

Dizem que Hermano Morais, o candidato do PMDB que vai ao segundo turno junto com Carlos Eduardo, representa os Alves e que não é coerente por ter mudado de partido, tendo sido do próprio PMDB, onde iniciou a vida pública, PSDB e PSB, retornando ao partido de origem. Além disso falam que Hermano Morais apoiou a administração Micarla de Sousa (PV), quando vereador e agora como deputado estadual apóia o governo Rosalba (DEM).

Me parece que estas pessoas já condenaram o PMDB, pois que se o partido lança um nome da família Alves para concorrer a qualquer cargo majoritário, dizem que é Alves demais na política. Se apoiam um nome, caso de Hermano Morais, para prefeito, este não serve porque tem o apoio dos Alves. Imagine, caro leitor, se Carlos Eduardo Alves fosse o candidato do PMDB? Certamente os que defendem hoje o apoio do PT a ele não o apoiariam, mesmo alguns dizendo que quando prefeito fez uma boa administração. Claro, se comparada a de Micarla de Sousa, foi excelente.

Pois muito bem: Mais Alves do que Carlos Eduardo, impossível. Filho do deputado Agnelo Alves (PDT), sobrinho do ex-ministro Aluizio Alves (já falecido) e primo do ministro Garibaldi Alves Filho e do deputado Henrique Eduardo Alves. Portanto, em suas veias correm sangue Alves que tanto os simpatizantes do PT e alguns petistas criticam.

Outra: Carlos Eduardo Alves, só pra refrescar a memória, foi do PMDB onde chegou a se eleger deputado estadual e compôs o secretariado de um dos governos Garibaldi Alves Filho, a quem agora considera um “velho radical” simplesmente por não apoiá-lo. Depois de usar e abusar do PMDB, sendo inclusive indicado para ser o vice de Wilma de Faria na sua segunda eleição à prefeitura de Natal, deixou o partido para se filiar ao PSB com o compromisso de Wilma transformá-lo em seu sucessor. A reciprocidade prevaleceu, neste caso.

Eleito prefeito, deixou o PSB para presidir o PDT e ter “independência”. Na última eleição para o governo do estado saiu candidato e criticou o candidato apoiado por Wilma, o então governador Iberê Ferreira de Sousa (PSB), candidato a reeleição. Wilma de Faria candidata ao Senado não teve o seu apoio. Aí já não prevaleceu a reciprocidade.

Nesta campanha, onde ele tenta novamente chegar a prefeitura, em um debate sobre saúde, criticou o ex-presidente Lula e o PT na presença do também candidato Fernando Mineiro (PT), que na mesma hora repercutiu no seu microblog (twitter). Disse Carlos Eduardo Alves: “não faço política como Lula e o PT que se aliaram a políticos como Fernando Collor e Paulo Maluf”. Agora, no segundo turno, Carlos Eduardo Alves quer o apoio de quem criticou no primeiro turno. Chama-se isso de coerência? E quem votou em Mineiro no primeiro turno concorda com isso? Um Alves criticando Lula e o PT, no caso o pedetista Carlos Eduardo Alves. Isso é coerência?

Aliás, Carlos Eduardo Alves que não usa o sobrenome para dizer que não pertence a uma oligarquia, foi digno em protagonizar situações vexatórias para o PT no primeiro turno destas eleições. Em praça pública, num comício no Alecrim, que contou com a presença do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, lançou o nome do socialista para suceder Dilma Ruosseff (PT) em 2014. No programa eleitoral usava outro discurso, dizendo ter sido parceiro de Lula e que irá ser também parceiro, se eleito prefeito, da atual presidente. Isso é ser coerente?

Sobre Micarla de Sousa, não custa lembrar também que quem a lançou na política foi Agnelo Alves, pai de Carlos Eduardo Alves, para compor chapa com ele – Carlos – com o apoio da então governadora Wilma de Faria. Isso dito pela própria prefeita. Alinhamento político maior entre Carlos Eduardo Alves e Micarla de Sousa não poderia existir. Um prefeito, a outra sua vice. Caso agora com Wilma de Faria, que aliás, por Carlos Eduardo Alves sua vice seria a vereadora Júlia Arruda (PSB).

E convenhamos, que saque previdenciário de R$ 22 milhões, posteriormente devolvidos com correção monetária; operação de crédito de R$ 40 milhões, resultantes da venda da conta do município da Caixa Econômica para o Banco do Brasil e; incorporações salariais, são improbidades administrativas e justificativas mais que plausíveis para um ex-gestor, caso de Carlos Eduardo Alves, ter suas contas desaprovadas pela Câmara relativas ao seu último ano de gestão, conforme relatório aprovado pela Casa.

Sua companheira de chapa, ex-prefeita de Natal e ex-governadora do RN, Wilma de Faria (PSB), por sua vez, foi condenada pelo Superior Tribunal de Justiça em 24 de agosto último por prática de improbidade administrativa. Segundo o STJ, pela denúncia do MP, a ex-prefeita teria utilizado procuradores municipais para fazer sua defesa perante a Justiça Eleitoral, quando estava na prefeitura da capital potiguar. Na época, ela teria que justificar um contrato celebrado entre o município e a empresa MCS Consultoria Vida. O ministro-relator do processo Benedito Gonçalves lembrou a decisão da Segunda Turma que considerou a conduta da prefeita como reprovável, mesmo que de forma implícita. Veja clicando Aqui.

Pergunto: se os argumentos que defendem para o PT não apoiar Hermano Morais agora no segundo turno é o fato do peemedebista ter o apoio dos Alves  – Garibaldi e Henrique – e ser incoerente como pregam, difícil será o PT, eventualmente, anunciar apoio a Carlos Eduardo Alves, pois que, além de ser, este sim, um legítimo Alves, também trocou de partido como quem trocou de roupa e ainda criticou Lula e o  PT por se aliar a Collor e Maluf. Afora ser um candidato sub-júdice e ter uma companheira de chapa improba sob a ótica do Superior Tribunal de Justiça.

Ressalte-se aqui que, ao contrário de alguns, não acho que o sobrenome Alves seja uma chaga. Refresco novamente a memória de alguns que Aluizio Alves foi o governador que construiu o maior conjunto residencial popular, à época, na América Latina, a Cidade da Esperança, além de ter trazido energia elétrica para o estado. Garibaldi Alves Filho, quando prefeito eleito após o processo de redemocratização do país, implantou o Programa do Leite, pioneiro no Brasil. Quando governador, levou água a quem passava sede no interior com o projeto das adutoras que o ex-presidente Lula fez questão de conhecer. Todos programas sociais de grande relevância para a sociedade e que levaram a assinatura dos Alves. Portanto…

Que usem outros argumentos para não votar em Hermano Morais, pois que estes não convencem.

Detalhe: Garibaldi Alves Filho, que apóia Hermano Morais, é o ministro da Previdência do governo petista de Dilma Ruosseff, que tem ao seu lado o vice-presidente Michel Temer, do PMDB, e que tem ainda  mais três outros ministros.

E o PDT de Carlos Eduardo Alves tem apenas um ministro no atual governo. Sim, tem ainda um senador que vive a criticar a presidente Dilma – Cristóvam Buarque – e que pensa em se lançar novamente candidato à Presidência da República.

Acrescento ainda ao currículo dos pedetistas que Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, deixou o cargo de ministro do Trabalho após a Comissão de Ética Pública da Presidência da República recomendar sua exoneração por está desgastado após a divulgação de um suposto esquema de propina realizada por integrantes do Ministério para a liberação de repasses para ONGs,

Ah, ia esquecendo: Na eleição passada para prefeito, Garibaldi Alves e Henrique Alves convenceram Hermano Morais a desistir da candidatura para apoiar a candidatura da deputada Fátima Bezerra (PT), articulada pelo deputado peemedebista em Brasília.

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