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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial

Editorial

Mortes de mães e recém nascidos não sensibilizam tanto quanto um “cuscuz alegado”

Um descaso. Essa é a palavra que pode  expressar toda a minha indignidade com o que estão fazendo com a Saúde no Rio Grande do Norte, sobretudo com relação as mortes de recém-nascidos e de mães que poderiam ser evitadas caso houvesse responsabilidade dos órgãos que lidam com o setor em nosso estado.

A relevação feita pela presidente do Comitê contra a Mortalidade Materno-Infantil do Rio Grande do Norte, Maria do Carmo Melo, em audiência pública na Assembleia Legislativa para debater o assunto, quando ela informou que 76% das mortes de recém-nascidos e 80% das mortes maternas são de causas invevitáveis, ou seja, poderiam ser evitadas, não só é preocupante, mas como também da maior gravidade.

De acordo com ela, as principais causas de morte materna são as hemorragias que representam 58% e as infecções que representam 21%. Maria do Carmo revelou ainda que um estudo feito na Maternidade-Escola Januário Cicco, da UFRN, diz que de cada 10 mortes, oito casos tiveram uma gravidez sem qualquer atendimento e ficaram peregrinando nas maternidades sem nenhum procedimento médico.

A Organização Mundial de Saúde diz que os índices aceitáveis são de 20 óbitos para cada 100 mil habitantes e que no Rio Grande do Norte tem mais de 50 óbitos para cada 100 mil habitantes. É de ficar estupefato com isso.

O curioso é que quando a professora Amanda Gurgel desenhou o quadro caótico da Educação no Rio Grande do Norte e no Brasil, as pessoas ficaram impressionadas e a repercussão nas redes sociais e na própria imprensa, depois que a sua fala foi ao Youtube, foi impressionante. No entanto, os números da Saúde da mulher no RN, agora revelados, não mereceram tamanha repercussão. E olha que está se falando de mortes que poderiam ser evitadas com simples procedimentos como evitar hemorragias e infecções se estas mulheres fossem atendidas a tempo.

Fico a me perguntar: Porque será que a revelação de Maria do Carmo Melo não teve tanta repercussão quanto a de Amanda Gurgel? Será que foi porque a sua fala não foi ao Youtube, ou será porque a imprensa não fez a leitura correta do assunto, ou até mesmo a falta de sensibilidade dos repórteres que cobriram a audiência pública, que consideraram a revelação uma coisa banal?

Seja qual for a resposta, é motivo ainda mais para se ficar preocupado. Sim, porque o que foi revelado pela presidente do Comitê contra a Mortalidade Materno-Infantil do RN, é motivo para se dar o maior destaque e chamar a atenção dos nossos governantes – governadora e prefeitos – para o problema.

Infelizmente o assunto parece ser “banal”. Mortes de mães e recém-nascidos não sensibilizam as pessoas tanto quanto um “cuscuz alegado”. Certamente seja porque essas mortes dizem respeito a pessoas pobres, sem condições de pagar um plano de saúde.

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