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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial

Editorial

claytonO que tem em comum a fonte de Paulo Francis e o delator do Petrolão?

Ao ler hoje, como faço todos os dias, a coluna Radar on-line do jornalista Lauro Jardim me deparei com uma informação bastante interessante. Diz o jornalista:

Nestes tempos de Petrolão,  muita gente andou se lembrando de Paulo Francis e suas denúncias de roubalheira na Petrobras.

A história  todo mundo conhece: em um Manhattan Connection, num longínquo 1996,  Paulo Francis detonou a Petrobras, então presidida por Joel Rennó, e foi processado por isso.

Atribui-se ao processo milionário impetrado em Nova York  por Rennó e alguns diretores da estatal o estresse que levou ao infarto de Francis no ano seguinte. No programa, Francis mandou ver. Disse que “os diretores da Petrobras põem dinheiro na Suíça”; que “roubam em subfaturamento e superfaturamento”; e finalizou: é “a maior quadrilha que já atuou no Brasil”.

Essa história terá um capítulo novo.

Agora, dezoito anos depois, o Manhattan Connection apresentará neste domingo uma novidade sobre o assunto: a fonte das informações que Francis levou ao ar. O empresário Ronald Levinshon dará uma longa entrevista ao programa sobre Petrobras e Francis.

Lauro Jardim só esqueceu de dizer que Joel Rennó foi presidente da estatal do petróleo no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Pois muito bem: Rennó abriu um processo no valor de 100 milhões de dólares contra Paulo Francis pela denúncia que fez sem provas. Como o Manhattan Connection é produzido em Nova York, portanto estava sujeito à lei de imprensa americana. Possuía fontes, mas não provas. Suas fontes estavam em liberdade (e assim gostariam de permanecer) e não poderiam ser expostas. De acordo com a lei de imprensa americana  todo jornalista precisa provar suas denúncias e Paulo Francis não teria como se defender. 30 dias depois enfartou e morreu.

Um dos aspectos é a responsabilidade da imprensa que denuncia e que, no Brasil, transfere ao denunciado o ônus da prova. E, ainda que a inocência seja provada, sabe-se que desmentidos não circulam com a mesma velocidade que denúncias, não viram manchetes e não produzem capas de revistas e jornais.

O outro aspecto que merece nossa atenção é a data desta denúncia: 1996. Quase uma década antes o jornalista Ricardo Boechat recebeu um prêmio Esso – o mais importante prêmio da imprensa brasileira – por uma matéria em que denunciava corrupção na Petrobras. Esta, de jornalista investigativo, além de fontes trazia fatos e provas que, obviamente não renderam escândalos e tampouco prisões. Isto ocorreu em 1989. Se você nunca ouviu falar dessas denúncias, não se surpreenda, quase ninguém ouviu. Aparentemente não havia interesse por parte da nossa ilibada imprensa em expor o governo e os empresários corruptos. E quem era o presidente do Brasil nesta época? José Sarney, caro leitor.

Como se observa, o delator do petrolão, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, dias atrás afirmou na CPMI que o esquema de corrupção dentro da Petrobras não é nenhuma novidade, vem desde o governo Sarney. A reportagem de Boechat, prêmio Esso de Jornalismo, prova isso.

Portanto, se volta novamente aos corvos da politica tupiniquim.

Mas, aguardemos o que tem a dizer a fonte de Paulo Francis, o empresário  Ronald Levinshon, no próximo domingo no Manhattan Connection.

A conferir!

Charge: Clayton, em O Povo (CE)

 

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