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Política

Felipe Nunes, da Quaest, aponta quebra de confiança entre o eleitorado e o presidente Lula

Está no Brasil 247

O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, usou sua conta na rede social X, antigo Twitter, para detalhar os resultados da nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), que revela uma queda na popularidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com o estudo, a avaliação negativa da gestão subiu de 49% em janeiro para 56% em março de 2025, enquanto a aprovação caiu de 47% para 41% no mesmo período.

Segundo Nunes, “o esforço de comunicação com o anúncio de novas medidas ainda não gerou os efeitos positivos na popularidade do governo”. A tendência de queda se espalha de forma simétrica em todas as regiões do país, atingindo inclusive o Nordeste, onde Lula tradicionalmente apresenta maior apoio. Na região, a vantagem que era de 35 pontos percentuais (pp) caiu para apenas 6 pp entre dezembro de 2024 e março de 2025. No Sudeste, a desaprovação supera a aprovação em 23 pp; no Sul, a diferença chega a 30 pp.

Um dos dados mais simbólicos é o aumento da desaprovação entre as mulheres: pela primeira vez, chegou a 53%, superando os 43% de aprovação. Em 2022, a diferença entre homens e mulheres foi decisiva para a vitória eleitoral de Lula. Agora, a desaprovação entre os homens alcança 59%, reduzindo o ‘gap’ de gênero.

A análise de Felipe Nunes também destaca uma reversão significativa entre os brasileiros de baixa renda. Entre os que ganham até dois salários mínimos, a aprovação ao governo está em 52% – número que ainda representa maioria, mas que revela uma queda acentuada: em julho de 2024, a diferença entre aprovação e desaprovação nesse grupo era de 43 pontos; agora, é de apenas 7.

Já entre quem tem renda familiar entre dois e cinco salários mínimos, a aprovação está em 36%; entre os que ganham acima de cinco salários, caiu para 34%.

De acordo com a pesquisa, 26% dos eleitores que votaram em Lula em 2022 atualmente desaprovam o governo. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, a desaprovação é quase total, atingindo 92%. Já entre os que se abstiveram ou votaram nulo ou branco, 62% reprovam a atual gestão.

Felipe Nunes destaca a “quebra de confiança” entre o eleitorado e o presidente como uma das causas da alta desaprovação. “Além de não conseguir cumprir as promessas de campanha, cada vez menos gente vê o presidente como bem-intencionado”. Ainda segundo Nunes, a exposição de Lula na mídia também deixou de ser um trunfo, uma vez que a metade da população acredita que entrevistas e aparições públicas do presidente têm piorado sua imagem.

O aumento da desaprovação também tem forte relação com a deterioração da percepção econômica. Em março, 56% dos entrevistados disseram acreditar que a economia piorou no último ano, ante 39% em fevereiro. O fator mais citado para esse sentimento é o alto preço dos alimentos, que tem minado a percepção de melhora na renda real.

Segundo Nunes, esse cenário se agrava pela impressão de que os programas sociais do governo perderam sua capacidade de gerar “gratidão eleitoral”: embora 67% reconheçam impactos positivos de ações como o Bolsa Família, a maioria acredita que essas políticas são permanentes e não dependem de quem esteja no poder.

Na tentativa de reverter o desgaste, o governo tomou duas medidas principais: a isenção de taxação de alimentos importados e a reforma da renda, com foco na ampliação da isenção do imposto de renda para os mais pobres. No entanto, ambas ainda têm pouco impacto na opinião pública.

A primeira, pouco conhecida, divide opiniões. Mesmo entre os que desaprovam o governo, 37% acreditam que pode ajudar a reduzir o preço dos alimentos — percentual ainda insuficiente, mas numericamente relevante.

Ainda conforme Nunes, a reforma da renda gera expectativa em 23% dos brasileiros, que acreditam que serão beneficiados de forma integral ou parcial — o que representa cerca de 46 milhões de pessoas. Dentre os que esperam se tornar isentos, metade acredita que haverá melhora significativa na renda. Entre os que esperam benefício parcial, 35% também esperam avanço relevante em sua situação financeira. Além disso, a proposta de taxar dividendos de quem ganha mais tem apoio da maioria: 60% concordam com a cobrança adicional de 10% sobre altos rendimentos.

Para Nunes, o principal desafio do governo é alterar a percepção de que o país está indo na direção errada. “Considero crucial para essa virada que o governo consiga mudar a percepção majoritária da população de que o Brasil está indo na direção errada”, pontuou o diretor da Quaest em sua conta na rede social. 

“Lula terá que fazer um governo diferente do que vem fazendo nos últimos dois anos se quiser mudar esse quadro tão negativo. Não dá pra continuar com as mesmas soluções se quiser alcançar resultados distintos”, ressaltou. 

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