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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Artigo, Política

Guinada ditatorial de Bolsonaro move sociedade civil em defesa da democracia

por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho

Esta data, no dia em que se completam 7 meses de desgoverno Bolsonaro, poderá ser lembrada pelos historiadores do futuro como o marco do movimento que começa a se organizar em defesa da democracia e das liberdades públicas, ameaçadas mais do que nunca pelo capitão, que planejava jogar bombas nos quartéis do Exército, foi preso, processado, e depois virou deputado.

Há quanto tempo não se ouvia mais falar em sociedade civil, o conjunto de entidades e instituições, que teve papel fundamental na redemocratização do país nos anos 80 do século passado?

Uma dessas entidades, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), deu a largada na noite de terça-feira, ao levar uma multidão à sua sede e ruas próximas, no Rio, para o ato público de defesa das liberdades democráticas e em solidariedade ao jornalista americano Glenn Greenwald, ameaçado de prisão e expulsão do país por revelar a grande farsa da Lava Jato que levou Bolsonaro ao poder.

“Ditadura nunca mais!”, ouviu-se novamente o coro de milhares de vozes indignadas, o mesmo que acompanhou a campanha das Diretas Já, em 1984, nas maiores manifestações cívicas já vistas no país.

Por um momento, parecia que Prudente de Moraes Neto e Barbosa Lima Sobrinho, os dois grandes brasileiros que já comandaram a ABI, estavam de volta ao velho auditório, comandando a eterna luta da centenária instituição em defesa da democracia.

Tive a honra de ser conselheiro da ABI quando eles presidiram a entidade, que volta agora a cumprir seu papel histórico.

Foi a resposta desta sociedade civil brasileira com vergonha na cara, que parecia anestesiada diante da guinada ditatorial de Bolsonaro, desde a sua posse, e que se tornou uma ameaça real nas últimas semanas, com seu permanente ataque ataque às instituições e ao Estado de Direito.

Como aconteceu 35 anos atrás, outra vez a Folha, que se tornou na época o porta-voz das Diretas, foi o único jornal a dar uma cobertura decente ao ato da ABI, dando-lhe a exata dimensão da sua importância histórica (ver matéria na página A10: “Não vou fugir do país”, diz Glenn em ato público em seu apoio).

Em editorial, sob o título “Espiral de infâmias”, a Folha mostrou a gravidade dos últimos acontecimentos:

“Numa escalada sem precedentes de insultos às normas de convívio democrático, aos fatos históricos, às evidências científicas e aos direitos humanos, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) aguçou nos últimos dias as tensões e incertezas em torno da sua administração”.

ABI, CNBB e OAB, as três entidades que lideraram a sociedade civil nos estertores da ditadura militar, voltam a se reunir hoje à noite para preparar o lançamento da Mesa Nacional Contra a Violência, no próximo dia 15, em Brasília.

Convocadas pela Comissão Arns, lançada em março, dezenas de entidades de defesa dos direitos humanos ligadas a igrejas, sindicatos e movimentos sociais já aderiram ao movimento que se espalha silenciosamente pelo país.

Em São Paulo, a reunião está marcada para as 19 horas, na sede da OAB, na praça da Sé, 385, 2º andar. A ABI será representada pelo conselheiro Juca Kfouri, colunista da Folha.

Com os generais à volta de Bolsonaro acuados diante da metralhadora verbal do capitão, um celerado aprendiz de ditador, que vai atropelando tudo que encontra pela frente, é mais uma vez na mobilização da sociedade civil que estão as esperanças dos brasileiros de não voltar aos tempos do regime militar.

Em tempos normais, caberia ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal enquadrar o presidente da República nos limites da Constituição, mas não é o que está acontecendo, com os demais poderes subjugados pelo Executivo.

Esta semana, os parlamentares e magistrados deveriam voltar das férias, mas até o momento não se ouviu uma única voz de repúdio à ofensiva ditatorial do capitão, em desabalada carreira rumo ao caos institucional.

Bolsonaro se agarra em Moro e Moro se agarra em Bolsonaro para manter fiéis seus fanáticos seguidores, enquanto o país se desmancha e a economia continua em ponto morto.

Mas tudo tem um limite, e esse limite acaba de ser ultrapassado por um presidente que não respeita nem os mortos da ditadura.

No final do seu editorial, a Folha observa que “os destemperos verbais já começam a fornecer munição para um eventual enquadramento em crime de responsabilidade, por procedimentos incompatíveis com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.

Mas quem vai enquadrar o capitão?

Só o povo mobilizado em suas entidades e de volta às ruas, como nas Diretas Já, poderá pressionar o Congresso e o STF a assumirem suas responsabilidades diante da barbárie em que o país se meteu.

E o povo já começou a se mover novamente.

Esta é a melhor notícia do ano.

Há esperanças, outra vez.

Vida que segue.

Foto reproduzida da Internet


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