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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Artigo

Sobre José Maria Pereira Gomes

por Ricardo Lagreca

Nunca pensei que um dia poderia escrever alguma coisa sobre, José Maria Pereira Gomes, estando morto. Para mim, ele era imortal. Jamais morreria. 

Homem de uma inteligência pouco vista, profunda, rápida e irreverente. Logo era notado. Assim foi desde sua adolescência, quando se destacava nos cursos da sua formação secundarista.

Tive o privilégio de conviver e desfrutar da sua amizade, por quase toda a vida. Vencendo os obstáculos e aproveitando as delícias da juventude, tudo se tornou maravilhoso.

Como um corolário das suas qualidades, transformou-se em um médico de muita importância, conhecido em todo o Brasil. Um dos pioneiros no manuseio de cateteres no coração, realizando radiografias e filmando os seus trajetos através das suas artérias coronárias, conseguia dar os diagnósticos que serviria para salvar milhares de vidas. Sentiu, todavia, o peso das imagens que sempre encontrava e sua grande afetividade pelo homem foi maior e o fez transportar integralmente para a clínica cardiológica, toda a sua habilidade e conhecimento. Deixou a hemodinâmica, mas continuou um cardiologista brilhante. 

Entendia do mundo na sua mais profunda realidade, e por muitas vezes deixava de admitir os seus desvios. Mesmo assim, conseguia equilibrar os sentimentos e juntar uma multidão de amigos e torná-los seus admiradores.

Assim, José Maria foi caminhando pela vida e trocando com ela, as coisas boas que cada um tinha a dar. Um dos belos presentes que a vida lhe deu, foi Lurdeca. Sua mulher, companheira para sempre e os seus queridos filhos, que vieram aumentar mais ainda a sua felicidade de viver em um mundo, no qual, como em um palco, ele aparecia como um dos principais atores.

Agora, parece que partiu, deixando um grande número de pessoas sem a sua inteligência e a sua grande amizade. Mas, como ele verdadeiramente foi e viveu, nunca nos deixará.  

Não me enganei, portanto, quando disse que ele parecia ser imortal. Assim como os deuses, jamais morrerá.

*Ricardo Lagreca é cardiologista, professor da Faculdade de Medicina da UFRN, ex-diretor do HUOL e ex-secretário estadual de Saúde do RN

Foto reproduzida da Internet

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