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Baú de um Repórter

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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial, Política

Decisão de Garibaldi sobre MP da pilantropia ainda repercute

O jornalista Nêumanne, editorialista do Jornal da Tarde, escreveu editorial com o título “Uma andorinha só não pára vôos de abutres”. Diz o texto:

– No universo de firulas e filustrias da política nacional, muita gente boa, e até bem-intencionada, perguntou por que o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), só contestou a malfadada medida provisória emanada do Planalto consagrando a “pilantropia” após ela ter sido acatada. Mandava a correção burocrática que a porta lhe fosse fechada antes de ela ser recebida e o gesto de coragem e ousadia cívica do chefe do Poder Legislativo parecia perder o valor num rebate estéril sobre correção regimental. A boa notícia é que, ao contrário do que seria de esperar, a discussão a respeito da primazia do mérito sobre a oportunidade, ou vice-versa, não prosperou. E pôde a República, enfim, se orgulhar do desassombro de um de seus maiorais, que contrariou o hábito comezinho e ancestral da escalada carreirista dos representantes do povo no topo do poder pela mistura descarada de fisiologismo fantasiado de oportunismo e de pusilanimidade travestida de esperteza (…)

(…) Mas quem esperava uma condução subserviente dos trabalhos do Senado aos desígnios do Planalto, à qual todos já estavam acostumados, principalmente no capítulo das medidas provisórias, teve uma grande surpresa e está tomando grandes e exemplares sustos: Garibaldi nunca perdeu uma oportunidade que fosse de usar a força simbólica do posto ao qual foi guindado, se não por acaso, no mímimo por falta de competidores à altura (as estrelas da Casa desdenharam a brevidade da função), para denunciar a desfaçatez com que o Executivo passou a legislar a pretexto da urgência e da necessidade. Mas também nunca deixou de reconhecer a quem fala – e entre seus ouvintes está o mais interessado de todos, Lula em pessoa – a responsabilidade do próprio Congresso pela situação esdrúxula: o Executivo legisla mais do que deve por excesso de apetite de poder, mas o Legislativo permite que isso ocorra por comodismo e esperteza (…)

(… ) A dois meses de entregar o cargo ao qual não pode concorrer por impedimento regimental (não se permite a reeleição no meio de uma legislatura), Garibaldi encontrou a oportunidade ideal para executar na prática o que sempre pregou, provando que não é disléxico, mas sincero, defeito talvez pior na parolice politiqueira tupiniquim. A MP com que o governo pretendia misturar joio com trigo, dando dinheiro do contribuinte a entidades filantrópicas sérias e a contrafações da caridade, representadas por entidades suspeitas de fraude ou comprovadamente fraudulentas, foi rejeitada com indignação geral. E essa repulsa ética encontrou eco na devolução pelo presidente do Senado – primeiro desafio aberto à desfaçatez com que o Executivo ata e desata o Legislativo (…)

(…) É triste que o Senado, que age como águia e bica o nariz do rei, exiba de forma tão inglória o próprio traseiro. Mas há pouco o que fazer quanto a isso: andorinha nenhuma, por mais alto que voe, conseguirá deter, sozinha, a revoada dos abutres.

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