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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Artigo

Não há mais lágrimas para chorar, há muita indignação para se mostrar

por Ricardo Lagreca

Sabíamos todos nós que iríamos atravessar um momento diferente  ao que estávamos acostumados a viver, carregado de um grau de complexidade muito acentuado em todos os aspectos. Mas, jamais ninguém poderia imaginar o que estava por acontecer. O povo ficar a mercê da sua própria sorte. Não! Isto em saúde não pode existir. Saúde pública é uma coisa séria, a primeira exigência que deve ser realizada a um governante, que tem o cargo ocupado  exatamente para cuidar responsavelmente pelo seu povo. Em saúde não se pode fazer políticas, estas políticas grosseiras com a mesmice de sempre que nunca visam o bem estar sustentado da coletividade. Apenas a  enganar a todos para avançarem adiante por mais um período de lavagem de ego e para nada de importante realizarem.

Os países que enfrentaram a pandemia, com a seriedade necessária, perderam as vidas próprias do grave processo da doença  viral que afligiu todo o mundo. Todavia, não houve as perdas que resultaram de um outro vírus tão grave quanto o desgoverno. Isto é o que vem acontecendo no nosso país. Com um governo sem rumo, desorientado, desagregador, apoiado por políticas mantenedoras do “status quo “ não permitiu em nenhum momento que houvesse a  uniformidade Federativa, tão necessária nesses momentos de tamanha gravidade e que possivelmente teria dado um  outro rumo a esta tragédia.

Os órgãos de classe , por sua vez, seguem a mesma trilha, fazem a mesma política e lavam as mãos. A morbimortalidade dos profissionais de saúde observada entre nós assume uma cifra que ultrapassa o esperado. A cada dia que se passa sabemos de mais uma morte de um colega médico. Não deve ser assim. Algo precisa ser feito para maior cuidado de quem por obrigação e uma  boa  dose de altruísmo é submetido a uma possibilidade de maior  exposição ao vírus. Precisamos que eles continuem vivos.  Precisamos e  muito das lágrimas. Não podemos deixar que acabem. Precisamos chorar de alegria, quando tudo isto passar. 

*Ricardo Lagreca é médico cardiologista, professor do Curso de Medicina da UFRN, ex-diretor do UOL e ex-secretário estadual de Saúde

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