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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Economia

Titan Capital, `holding ostentação´ de Vorcaro, é liquidada nas Ilhas Cayman

Está no Brasil 247

A Suprema Corte das Ilhas Cayman determinou a liquidação definitiva da Titan Capital, empresa que concentrava investimentos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Com a decisão, liquidantes independentes assumem a administração dos ativos da holding e poderão rastrear patrimônio e operações realizadas antes dos bloqueios.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, a Justiça de Cayman nomeou John Royle, Margot MacInnis e Kevin Hellard, da Grant Thornton Specialist Services, para conduzir o processo. A empresa é especializada em insolvência e recuperação de ativos. Procurada pelo jornal, a defesa de Vorcaro informou que não se manifestaria.

Conhecida como a “holding ostentação” devido à estrutura luxuosa que mantinha em São Paulo, a Titan tinha sede fiscal nas Ilhas Cayman.

O anúncio divulgado na sexta-feira (7) convoca os credores a “habilitar seus créditos ou pretensões e a comprovar qualquer direito de que sejam titulares, na forma da Lei das Sociedades”.

Com a liquidação, antigos diretores e proprietários deixam de ter acesso e controle sobre contas e patrimônio da empresa. Os liquidantes passam a administrar os bens encontrados e poderão analisar transferências realizadas antes dos bloqueios. Mediante autorização da Justiça, os ativos também poderão ser vendidos para o pagamento dos credores, seguindo a ordem de preferência estabelecida pela legislação das Ilhas Cayman.

Coaf apontou R$ 700 milhões em transferências

A Titan já estava no radar das autoridades brasileiras. De acordo com as informações publicadas pelo Estadão, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Polícia Federal identificaram a utilização da holding em operações investigadas no âmbito de um esquema de esvaziamento patrimonial e lavagem de dinheiro relacionado ao Banco Master.

Segundo o Coaf, R$ 700 milhões foram transferidos por meio de cotas de fundos de investimento do Banco Master para a Titan entre janeiro e julho de 2025.

Os bens da holding haviam sido bloqueados pelo Banco Central no Brasil em março. Um mês depois, foi criada uma nova empresa denominada Titan Capital no Reino Unido.

A liquidação determinada em Cayman pode ampliar o alcance das medidas sobre o patrimônio para outras jurisdições, por meio de instrumentos de cooperação jurídica internacional. Instituições financeiras que mantenham ativos pertencentes à companhia podem ser notificadas judicialmente para impedir movimentações.

Tether cobra empréstimo de US$ 300 milhões

Entre os credores está a Tether, companhia responsável pela maior stablecoin do mercado mundial.

Segundo a publicação especializada Offshore Alert, a empresa havia solicitado a liquidação da Titan em maio. Conforme revelado anteriormente pelo Estadão, a holding obteve um empréstimo de US$ 300 milhões, valor superior a R$ 1,5 bilhão, junto ao braço de investimentos da Tether.

A companhia passou a cobrar a dívida na Justiça.

A Tether está entre os credores com prioridade por contar como garantia com empréstimos feitos pelo Credcesta, que permanece em operação.

Outro credor citado na reportagem é o Grupo Fictor, que chegou a anunciar a aquisição do Banco Master após o Banco Central vetar a compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). A operação, porém, não foi concretizada.

O Fictor havia transferido R$ 30 milhões à Titan menos de um mês antes do anúncio da negociação envolvendo o banco.

Liquidantes passam a rastrear patrimônio

Com a decisão da Suprema Corte das Ilhas Cayman, os três profissionais indicados pela Justiça passam a administrar os ativos encontrados em nome da Titan.

Além de identificar contas, investimentos e outros bens, os liquidantes poderão examinar transferências realizadas antes dos bloqueios.

Após autorização da corte, o patrimônio recuperado poderá ser vendido, e os recursos serão destinados ao pagamento dos credores conforme a ordem prevista na legislação local.

O alcance internacional do processo é particularmente relevante diante da estrutura societária e financeira da Titan e da possibilidade de existência de ativos mantidos em diferentes jurisdições.

Holding ocupava 4 mil metros quadrados na Faria Lima

Antes da crise envolvendo o Banco Master, a Titan ganhou notoriedade também pela estrutura de luxo instalada em São Paulo.

A companhia ocupava os dois andares mais altos do edifício conhecido como “prédio da baleia”, na região da avenida Faria Lima. Eram aproximadamente 4 mil metros quadrados distribuídos em duas lajes.

Um elevador privativo conectava os escritórios ao heliponto.

A estrutura contava ainda com academia, sauna, hidromassagem, uma adega com centenas de garrafas de vinho e um bar em estilo inglês, abastecido com diferentes safras de Macallan, fabricante escocesa conhecida por uísques raros e de alto valor.

O espaço também possuía um fumódromo com charutos cubanos. A dimensão e o luxo das instalações contribuíram para que a Titan passasse a ser chamada de “holding ostentação”.

Portfólio reunia empresas ligadas ao Banco Master

A Titan concentrava uma ampla carteira de investimentos de Vorcaro. Quando o empresário foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025, o site da companhia apresentava 29 negócios.

Sete estavam relacionados ao próprio Banco Master, incluindo a corretora da instituição e o Credcesta. Segundo a reportagem, a maioria desses negócios acabou liquidada.

O portfólio também reunia empresas que haviam sido vendidas antes da quebra do banco, entre elas o Fasano Itaim e a mineradora Itaminas.

A Titan também teve participação na Light. A fatia na companhia de energia foi vendida ao BTG Pactual juntamente com outros ativos, em uma operação que somou R$ 1,5 bilhão.

Outra participação era na Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), posteriormente vendida à Sabesp.

A holding também mantinha investimentos em companhias que atravessam dificuldades financeiras, como Alliança Saúde e Oncoclínicas, que enfrentam processos de recuperação extrajudicial, e Ligga Telecom, que precisou vender ativos para reforçar o caixa.

Foto reproduzida da Internet

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