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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
Leio no jornal O Estado de S. Paulo que a Petrobras não foi a única grande empresa a ser incomodada pela Receita Federal da secretária Lina Maria Vieira, demitida ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Antes de cair, ela aplicou autuações bilionárias na montadora de veículos Ford e no Banco Santander.O auto de infração da montadora foi lavrado em junho, na Bahia, onde funciona uma das fábricas mais modernas da Ford. O Santander foi multado em São Paulo pela Delegacia de Assuntos Internacionais, também no primeiro semestre, em razão de operações relativas à compra do Banespa, privatizado em 2000.
As ações faziam parte da estratégia anunciada várias vezes por Lina, de esquecer os pequenos contribuintes e concentrar o esforço de fiscalização nas grandes empresas. Outros dois grandes bancos também foram autuados, mas em valores bem menores.
Procurados por meio de sua Assessoria de Imprensa, a Ford não encontrou ninguém autorizado a comentar o assunto e a Receita não deu retorno. O grupo Santander enviou a seguinte nota: “As operações envolvendo a aquisição do Banespa foram realizadas com estrita observância da legislação brasileira. O Banco Santander recorreu administrativamente do Auto de Infração e tem plena confiança nas instituições brasileiras”.
A informação de que a montadora e o banco estavam prestes a sofrer autuações chegou a circular no Palácio do Planalto, quando o trabalho dos auditores fiscais ainda estava em curso. Partidários de Lina e sua equipe acham que o episódio pode ter contribuído para aumentar a má vontade de parte do governo com Lina – já desgastada em razão da briga com a Petrobras. Daí a versão de que Lina não teria controle sobre seus subordinados.
Análise da Notícia
Talvez esteja aí a principal razão do afastamento da “leoa”. Certamente as pressões foram grandes para tirá-la do cargo de secretária da Receita Federal. Lina mexeu em “casa de marimbondo”. Mexeu com grupos poderosos e infelizmente isso é muito perigoso. O poder econômico anda de mãos dadas com o poder político. Todos sabem da competência da mineira-potiguar no trato com a coisa pública. Conheci Lina Vieira ainda quando era editor de Economia do Diário de Natal e ela delegada da Receita Federal no Rio Grande do Norte. Depois ela trabalhou como secretária de Tributação do primeiro governo Garibaldi (PMDB) e posteriormente no governo Wilma de Faria (PSB) dirigindo a mesma pasta sempre com muita competência. Foi chamada à Brasília para trabalhar na sede da Receita Federal. Se chegou aonde chegou foi por competência. Mas, os poderosos a derrubaram.
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