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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
Algumas pessoas e principalmente a oposição criticam muito o programa social Bolsa Família do governo federal por, digamos, viciar o cidadão com “esmolas” e, com isso, levá-lo a deixar de trabalhar. Confesso que em determinado momento também cheguei a fazer esse tipo de leitura. Mas com o passar do tempo mudei de opinião.
É verdade que o Bolsa Família, programa aperfeiçoado no governo Lula, ainda não contempla de todo o seu objetivo. É verdade também que em alguns lugares, até por politicagem, o programa é desvirtuado. Como é verdade também que sofre da pecha de programa assistencialista.
Contudo, foi a maneira encontrada pelo governo, ou pelos governos, para incentivar, por exemplo, as famílias de baixa renda a manterem os filhos nas escolas. Foi a maneira encontrada também para tirar da linha de pobreza famílias miseráveis, sobretudo, no interior do Nordeste.
Mas onde quero chegar. Nesta sexta-feira o presidente Lula visita um projeto de desenvolvimento sustentável num assentamento no município de Ceará-Mirim, interior do Rio Grande do Norte. São pouco mais de 1.700 assentados que sobrevivem hoje graças a criação de tilápias com o apoio de empresas incubadas da UFRN [Universidade Federal].Graças a essa experiência, que já vai com quatro anos, os assentados ganham o seu próprio sustento.
O resultado disso é que o governo deixou de liberar recursos do Bolsa Família para essas pessoas. Ou seja: Nesse caso específico o governo literalmente ensinou o pescador a pescar, com abertura de crédito para que pudessem dar andamento ao projeto. Um exemplo a ser seguido em outros projetos certamente.
Então fica muito fácil criticar quando não se sabe a realidade desses projetos que vêm sendo desenvolvidos Brasil afora. É preciso primeiro ter conhecimento do que está realmente sendo feito. O Bolsa Família em determinado momento serve como um paliativo, um incentivo, pode-se dizer assim, para que, prinicipalmente o homem do campo tenha uma sobrevida. Depois, é pensar numa maneira, caso por exemplo desse assentamento em Ceará-Mirim, para dar condições desse mesmo homem do campo sobreviver a sua custa, sem a necessidade da esmola do governo.
Sempre confabulei dessa opinião. Há cidades interioranas cujo fluxo comercial teve considerável aumento na medida em que o BF repercurtiu na capacidade de consumo e trabalho das pessoas quebrando o vicioso e pernicioso ciclo do “não come porque não trabalha, não trabalha porque não come”.
No interior da Bahia, uma fábrica da Nestlé foi implantada absorvendo boa parte da mão-de-obra local, de acordo com o blog do Edu Guimarães. Indicativos da empresa afirmaram que tal implantação se deu em virtude dos resultados do BF na economia local.