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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
Veja
Pré-sal: O petróleo como arma eleitoral
– A perspectiva de que o petróleo pode ser o caminho para levar o Brasil ao patamar de uma grande potência econômica habita o imaginário coletivo desde o início do século XX. […]. Petróleo e política, em momentos distintos da história, também funcionaram como um eficiente combustível eleitoral – fórmula que será repetida pelo governo nas eleições presidenciais do ano que vem.
A estratégia oficial ficou evidente no lançamento, na semana passada, do marco regulatório para a exploração do petróleo na chamada camada do pré-sal – uma promissora reserva localizada no oceano, a 300 quilômetros da costa e a 7 quilômetros de profundidade. O novo modelo estabelece o monopólio de exploração da Petrobras, ao contrário do que prevê a legislação em vigor, que permite a participação de empresas privadas. O evento foi marcado pelo ufanismo, da decoração verde e amarela ao slogan “Pré-sal: patrimônio da União. Riqueza do povo. Futuro do Brasil”
Época
Pré-sal: dádiva ou ilusão?
– Por enquanto a exploração é só política. Como evitar a maldição dos petrodólares e trazer a prosperidade para todos.
[…] Desde a semana passada, os 190 milhões de brasileiros procuram enxergar o que é realidade e o que é miragem no anúncio da proposta com as regras da exploração da camada do pré-sal – uma extensa área de 149.000 quilômetros quadrados, ao longo da costa que vai do Espírito Santo a Santa Catarina, onde se pode achar petróleo de alta qualidade a profundidades entre 5.000 e 7.000 metros no fundo do mar. Até agora, a única certeza é que há muito dinheiro em jogo. Por causa disso, há também muitos interesses, muitas possibilidades e, para o cidadão comum, muita esperança.
CartaCapital
Tudo igual, 56 anos depois
– A regulamentação do pré-sal traz à tona o velho discurso antiestatal. Mais uma vez na contramão do mundo.
[…] O amigo entregou-me o fac-símile da página fatídica, em que, há 56 anos, fulgurava o anátema: “E todo este desenvolvimento pernicioso continuará, com tendência a se agravar, mercê da sanção da lei relativa à Petrobrás”. O editorial de 8 de outubro de 1953, que também tenho debaixo dos olhos, não deixava por menos. Afirmava a impossibilidade de esperança em relação a resultados positivos e explicava a aprovação da lei “menos pela ignorância do que pela sujeição do Executivo e do Legislativo à demagogia e a argumentos eleiçoeiros”.
Decorreu mais de meio século, e a atualidade dos textos acima é assombrosa. Cabe outro adjetivo? Quem sabe espantosa. Quem sabe infinitamente dolorosa para quem há mais de meio século desejava, e imaginava, para o Brasil um futuro bem melhor do que o nosso presente. Ou não seria revoltante?
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