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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
A expansão do uso da moeda chinesa em pagamentos, impostos, crédito e operações comerciais na África começa a alterar a infraestrutura financeira das relações entre o continente e a China. Bancos de diferentes países africanos estão aderindo ao CIPS, sistema de pagamentos transfronteiriços desenvolvido por Pequim, em um movimento que permite realizar liquidações diretamente em yuan e diminui a necessidade de recorrer ao dólar ou ao euro como moedas intermediárias.
Segundo o South China Morning Post, em informações repercutidas neste domingo (16) pela Sputnik Brasil, a tendência ganhou novo impulso após negociações entre o Banco Central da Líbia e o Banco Popular da China para integrar instituições financeiras líbias ao CIPS. A iniciativa se soma a movimentos semelhantes em economias como África do Sul, Angola, Zâmbia e Quênia.
A entrada de bancos africanos no sistema chinês permite que pagamentos internacionais denominados em yuan sejam processados diretamente, reduzindo etapas de conversão cambial. Além de acelerar transferências e potencialmente diminuir custos, a estrutura oferece aos participantes uma alternativa ao circuito financeiro internacional fortemente baseado no dólar e no sistema SWIFT.
A Líbia também avalia emitir títulos denominados em yuan no mercado chinês, conhecidos como títulos panda, com o objetivo de captar recursos destinados à reconstrução do país. Caso a iniciativa avance, representará mais um passo na aproximação financeira entre Trípoli e Pequim.
Instituições relevantes do sistema financeiro africano já estão conectadas à rede chinesa. Entre elas estão o African Export-Import Bank (Afreximbank) e o Standard Bank, da África do Sul, uma das maiores instituições bancárias do continente.
O Standard Bank, que tem participação do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), desempenha papel central nessa expansão. De acordo com a apuração citada pela Sputnik, a instituição processou cerca de 8 bilhões de yuans — aproximadamente R$ 6,18 bilhões — por meio do CIPS desde o fim do ano passado.
No Quênia, o Stanbic Bank, controlado pelo grupo Standard Bank, passou a oferecer compensação direta em yuan. O mecanismo possibilita que comerciantes quenianos envolvidos em importações ou exportações com a China efetuem pagamentos sem a necessidade de converter previamente seus recursos para dólares.
O avanço da moeda chinesa também ocorre fora do sistema bancário. A Zâmbia passou a aceitar o pagamento de impostos de empresas mineradoras chinesas em yuan, ampliando a circulação institucional da moeda em uma economia fortemente ligada à exploração de cobre e a investimentos da China.
Em Angola, o segundo maior banco comercial do país se prepara para ingressar no CIPS depois que o banco central autorizou o uso do yuan em operações destinadas a atender à demanda por moeda estrangeira. O país mantém relações comerciais e financeiras de grande escala com Pequim, que durante anos figurou entre seus principais credores.
Nigéria, África do Sul, Quênia, Etiópia e Moçambique também vêm recorrendo a instrumentos que aumentam a presença da moeda chinesa, incluindo acordos de swap cambial e negociações relacionadas a dívidas.
Comércio recorde impulsiona demanda pela moeda chinesa
A expansão financeira acompanha o aumento das trocas entre China e África. O comércio bilateral chegou a US$ 203,5 bilhões no primeiro semestre deste ano, cerca de R$ 1,06 trilhão na conversão apresentada pela fonte, em meio ao crescimento das exportações africanas e à forte presença de máquinas, equipamentos e outros produtos chineses nas cadeias produtivas do continente.
A ampliação do comércio cria uma razão prática para que empresas e bancos realizem transações diretamente em yuan. Uma importadora africana que compra mercadorias da China, por exemplo, pode evitar uma operação intermediária em dólar antes de efetuar o pagamento ao fornecedor chinês.
Pequim também ampliou o acesso de produtos africanos ao mercado chinês por meio de políticas tarifárias favoráveis. Com um volume maior de negócios realizado diretamente entre as duas regiões, cresce paralelamente a demanda por mecanismos de compensação e financiamento denominados na moeda chinesa.
A internacionalização do yuan faz parte de uma estratégia de longo prazo da China para aumentar a utilização de sua moeda em transações comerciais, empréstimos e reservas internacionais. Na África, esse processo encontra terreno especialmente favorável devido ao peso adquirido pelo país asiático no comércio, no financiamento de infraestrutura e no fornecimento de bens industriais.
Outro elemento apontado por analistas é a possibilidade de reduzir a exposição de países africanos a efeitos indiretos de sanções financeiras impostas por potências ocidentais. A existência de canais de pagamento diferentes daqueles tradicionalmente vinculados ao dólar amplia as opções disponíveis a governos, bancos e empresas em situações de restrição financeira internacional.
A reportagem cita como exemplo a Nigéria, que precisou buscar fornecedores de potássio no Canadá após sanções contra a Rússia afetarem fluxos comerciais anteriormente utilizados pelo país africano.
Apesar da expansão do yuan, especialistas ouvidos pelo South China Morning Post não apontam uma substituição rápida do dólar no continente. A moeda estadunidense permanece dominante no comércio internacional, nas reservas dos bancos centrais e nos mercados financeiros globais.
Analistas como Kai Xue e Charlie Robertson avaliam, no entanto, que a condição da China como principal parceira comercial de diversos países africanos tende a ampliar gradualmente a utilização de sua moeda. Quanto maior o volume de transações diretamente ligado à economia chinesa, maior também o incentivo para empresas e instituições financeiras adotarem mecanismos de pagamento em yuan.
Nesse cenário, o CIPS se torna uma peça relevante da estratégia chinesa. Mais do que disputar diretamente com o dólar em todas as operações internacionais, o sistema permite construir uma infraestrutura na qual parceiros comerciais de Pequim possam pagar, receber, financiar operações e liquidar negócios utilizando a própria moeda chinesa.
O avanço observado na África indica, assim, uma mudança gradual na composição das transações financeiras do continente. O dólar continua ocupando posição predominante, mas o crescimento do comércio com a China e a integração de bancos africanos ao CIPS abrem espaço para uma presença maior do yuan nos fluxos comerciais e financeiros internacionais.
Foto reproduzida da Internet
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