E-book

Baú de um Repórter

O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.

Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Economia, Política

Bolsomaster: o escândalo atinge o coração da direita

Editorial do Brasil 247

A prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, abre um novo episódio na crônica de falcatruas encenada em torno do Banco Master.

PH, como é conhecido, está agora no complexo penitenciário da Papuda. Antes do comandante supremo da organização, ele é o último elo da cadeia de interesses responsável pelo rombo no banco, estimado em mais de 60 bilhões de reais, o maior da história do país.

Partiu da Globo a manobra do PowerPoint que buscava implicar Lula e o PT. Ela naufragou, explicitando que mais uma vez há interesses dispostos a tudo para impedir nova vitória de Lula e do PT nas eleições.

O caminho das responsabilidades que vêm sendo apuradas pelo Supremo Tribunal Federal e pela Polícia Federal conduz ao sentido oposto.

As investigações indicam na direção do chefe de PH, o ex-governador bolsonarista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, apoiador de Jair Bolsonaro. Apontam ainda para o ex-presidente golpista Michel Temer, que indicou PH ao cargo. Relacionam na lista dos beneficiários da farra o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da República.

Para entender a gravidade do que está em jogo, é preciso seguir o rastro do empréstimo do BRB a Flávio — e, neste caso, ele leva à mansão de 6 milhões de reais (há avaliações de que, na verdade, o imóvel vale 14 milhões) no Lago Sul, em Brasília.

Foi para adquirir esse imóvel de luxo que Flávio Bolsonaro obteve crédito com taxas e volume sem garantias. O senador, que construiu sua carreira política na esteira do discurso antipetista e de combate à corrupção, recebeu um tratamento diferenciado de um banco público cujo presidente havia sido indicado justamente por Michel Temer.

E onde entra Ibaneis Rocha nessa engrenagem? Como governador do Distrito Federal à época, ele dificilmente não tinha conhecimento da compra de carteiras de crédito fraudulentas, estimadas em R$ 12 bilhões, originadas pelo banco de Daniel Vorcaro. O investimento simplesmente virou fumaça na teia de fraudes que agora começa a ser desmontada pela Justiça. Ibaneis chancelou a nomeação do indicado de Temer. As fraudes e favorecimentos se deram à custa do roubo das pensões de funcionários que trabalharam durante décadas para o Distrito Federal.

É preciso chegar ao cabeça da organização existente na conexão entre o Banco Master e o BRB. Para isso, os investigadores contam com uma provável delação premiada de PH.

Há, porém, um contraponto necessário. O Banco Central, sob a presidência de Gabriel Galípolo — nomeado pelo presidente Lula —, e o Ministério da Fazenda de Fernando Haddad agiram com lisura exemplar. Foi Galípolo quem barrou a operação de compra do Master pelo BRB, uma manobra que teria transferido ao contribuinte um ativo falido, criando um prejuízo bilionário ao país.

O mesmo Banco Central, alinhado ao comando ético de Lula, decretou a intervenção extrajudicial no Banco Master, evitando um colapso financeiro sistêmico. Sem essa atitude firme, o estrago seria incomensuravelmente maior.

Sob o governo de Ibaneis, o BRB transformou-se em balcão de negócios privados da elite política. As investigações apontam para ramificações do escândalo em vários estados, atingindo parlamentares ligados ao Centrão e governadores bolsonaristas.

Ibaneis vem oscilando entre o silêncio e a defesa de Vorcaro. Não há explicação para o fato de ele ainda seguir solto diante das evidências de sua ascendência sobre o esquema. É questão de tempo.

Foto reproduzida da Internet

Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *