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Baú de um Repórter

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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Geral

Causos que marcaram os 13 anos do Blog: O dia em que tive que dar uma carteirada no guarda

Está no Baú de um Repórter

Algumas de minhas memórias de redação chegam a ser hilárias. Uma delas aconteceu numa viagem à Recife para fazer a cobertura de uma reunião da Sudene pelo jornal Diário de Natal, na qual o ex-governador do Rio Grande do Norte, Geraldo Melo, iria participar. Fomos eu, o repórter fotográfico Eduardo Maia, e o motorista do jornal. Vamos ao fato:

Era uma sexta-feira, salvo engano. A reunião da Sudene começava às 9h, em Recife (PE). Saímos de Natal (RN) por volta de umas 5h. A média de uma viagem de carro de Natal a Recife era de quatro horas na época. O automóvel que nós fomos era de locadora, um Monza com cheiro de novo ainda e placa de Curitiba (PR).

Chegamos em Recife ainda deu tempo de tomar um cafezinho antes de seguirmos para a sede da Sudene. A reunião com todos os governadores do Nordeste acabou por volta das 14h. Antes de retornarmos a Natal fomos almoçar numa churrascaria na praia de Boa Viagem. Acabado o almoço, reabastecemos o carro e seguimos viagem.

Na Paraíba existiam barreiras policiais montadas na BR-101, próximo a saída de João Pessoa, nos dois sentidos, que eram chamadas de Operação Manzuá e apelidadas de forma irônica de Operação Mãos ao Alto. Tanto no sentido de quem vai para Recife, quanto no sentido de quem vem para Natal existiam essas operações. A operação era realizada em conjunto entre as polícias Rodoviária, Federal e Civil daquele estado.

Pois muito bem: De Natal pra Recife não fomos parados. No entanto, na volta, isso já era pouco mais de 17h, um dos guardas que estava participando da operação resolveu nos parar. Era um policial civil. Essa operação era conhecida por criar problemas para os motoristas no sentido de pegar alguns trocados, daí o apelido de Operação Mãos ao Alto. Em outras palavras: suborno.

O motorista do Diário chamava-se Fernando. Um negro de 1,80 metro. Devido ao sol forte ainda na estrada estávamos todos de óculos escuros. Eu, Eduardo Maia e o Fernando. O guarda viu o Monza novinho, com placas de Curitiba e três “suspeitos” dentro. Resolveu nos parar, claro!

Fernando baixa o vidro – o carro tinha ar – e o guarda pede os documentos. O policial então começa a olhar os documentos, vistoria o carro, retorna e começa a olhar pra dentro. Eduardo Maia estava atrás com a bolsa contendo os equipamentos fotográficos. Ele – o guarda – pede então as nossas identidades. Percebendo que aquele policial iria criar caso tratei logo de puxar a minha carteira de jornalista – da Fenarj – Federação Nacional de Jornalistas. Qual surpresa nossa, o policial assim que viu o nome jornalista na carteira da Fenaj me devolveu o documento e liberou a gente desejando uma boa viagem.

Quando saímos da barreira começamos a rir. É que como já disse, essa operação costumava pegar dinheiro dos motoristas. Eles sempre arrumavam uma coisa para complicar. Mas, como eu dei a carteirada de jornalista e eles temiam qualquer denúncia na imprensa a respeito de suborno, logo fomos liberados.

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