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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
O crescimento desordenado de Natal, somado à falta de saneamento básico e esgotamento sanitário levaram à contaminação do lençol freático – principal fonte de abastecimento de água na capital do Rio Grande do Norte. Isso preocupa, tendo em vista que a própria Caern [Companhia de Água e Esgoto do estado] admite que a situação é grave, pois dos 140 poços que abastecem a cidade, 27 estão desativados pela alta contaminação de nitrato na água.
O nitrato é um composto químico altamente resistente, que não desaparece com a fervura, nem com a filtragem da água, sendo prejudicial à saúde humana, uma vez que sua ingestão é associada ao risco de doenças como a metamoglobinemia ou síndrome do bebê azul e ao câncer gástrico.
Decidi escrever sobre o assunto porque nos úlitmos meses pelo menos três pessoas próximas – sendo uma delas meu irmão, que contraiu câncer e faleceu, e dois amigos, um deles fazendo quimioterapia e outro prestes a se operar – contraíram a doença na região do estômago ou do esôfago. Me parece muita coincidência. E isso estou falando de pessoas que conheço.
Apesar da Promotoria de Justiça e do Meio Ambiente já ter concedido um prazo à Caern para dar uma solução ao problema – uma delas, segundo a companhia, seria a construção de um emissário submarino – até agora não se viu nada de prático. Seria o caso de se fazer uma pesquisa para saber até que ponto a contaminação de nitrato na água em Natal tem a ver com esse alto índice de câncer gástrico.
Sou leigo no assunto, mas acho que já está na hora de uma audiência pública na Câmara Municipal ou na Assembléia Legislativa, com a participação de representantes da Caern, da área de Saúde e do próprio Ministério Público para retomar o assunto, tamanha é a gravidade.
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